F1: Nikolas Tombazis admite ajustes aos regulamentos, após críticas
Perante as críticas à nova geração de monolugares de 2026, Nikolas Tombazis, diretor de monolugares da FIA, admite que algumas preocupações permanecem em aberto, sobretudo no que toca à gestão de energia, e deixa a porta entreaberta a ajustes de curto prazo.
Quem é Nikolas Tombazis?
Nikolas Tombazis é um engenheiro grego com um longo passado na Fórmula 1, tendo trabalhado como designer em equipas como Benetton e McLaren, antes de assumir o cargo de chief designer na Ferrari em anos de títulos mundiais. Desde 2018, é o responsável técnico pelos monolugares na FIA (Single Seater Technical Director), com um papel central na definição do regulamento dos novos F1 de 2026.
Sob a sua liderança, ganhou forma o conceito de carros mais compactos e leves (“nimble cars”), com aerodinâmica simplificada, maior dependência da componente elétrica e soluções como asas ativas e novos sistemas de ultrapassagem. Tombazis coordena ainda o trabalho com equipas e construtores para afinar regras, fechar brechas e ajustar o enquadramento técnico ao feedback dos pilotos, sempre com o equilíbrio entre segurança e espetáculo em cima da mesa.

Uma nova era sob escrutínio
Desde os primeiros testes de 2026, vários pilotos levantaram dúvidas sobre o equilíbrio entre o motor de combustão interna e o sistema elétrico, bem como sobre o impacto na capacidade de ultrapassagem e na qualidade do espetáculo. Embora as reações em pista tenham sido menos negativas do que as impressões recolhidas nos simuladores no ano passado, subsistem reservas sobre o modelo de divisão de potência aproximadamente 50-50 entre o ICE e a parte elétrica.
A FIA acompanha de perto estas preocupações e admite rever aspetos ligados à forma como a energia é disponibilizada ao longo da volta. Qualquer alteração, contudo, terá de ser discutida com equipas e fabricantes de unidades motrizes e seguir o processo formal de governação previsto no regulamento. Mudanças imediatas entre as primeiras provas são pouco prováveis, mas a federação não exclui intervenções ainda nas próximas semanas, caso os problemas se revelem significativos.
Those Sakhir sights! 🤩
Rounding out Pre-Season Testing in Bahrain for 2026 👊#F1 #F1Testing pic.twitter.com/Z0eFmA2FZH
— Formula 1 (@F1) February 22, 2026
Tombazis: “Podemos ter de fazer ajustes”
Em declarações recentes, Tombazis recordou que as maiores preocupações nasceram fora da pista:
“Os carros são novos. No verão e no outono passados, muitas pessoas conduziram nos simuladores e expressaram grandes preocupações. Penso que os comentários em Barcelona e no Bahrein são bastante melhores do que aquilo que se dizia com base no simulador, mas ainda existem observações como as do Max.”
O dirigente não esconde abertura a intervir:
“Estamos plenamente conscientes de que poderemos ter de fazer ajustes. É uma discussão que mantemos aberta com as equipas, os fabricantes de unidades motrizes e os pilotos há muito tempo. Existem formas de agir, enquanto desporto, para ajustar algumas regras.”
Questionado sobre as áreas que podem sofrer alterações, Tombazis aponta sobretudo à forma como a energia é usada:
“Possivelmente algumas regras relacionadas com a disponibilização de energia. Não seria necessário alterar o sistema em si, mas sim a forma como é utilizado. Se falarmos com um engenheiro de unidades motrizes, ele dirá que isso altera um pouco o ciclo de funcionamento e que talvez tivesse feito algo diferente se soubesse antes. Ainda assim, não estamos numa má posição neste momento.”

Ainda assim, admite que o compromisso não é perfeito:
“Se compararmos com os comentários de novembro ou do verão passado, estamos muito melhor. Resolvemos muitas preocupações, mas não todas. Há temas que continuam em aberto. É fácil dizer que, se o motor de combustão fosse maior e o sistema elétrico menor, haveria menos problemas, e isso é verdade. Sabemos desde 2022 que a solução 50-50 tem desafios. Fizemos muito trabalho para chegar a um ponto razoável, talvez 90% do caminho. Pode haver ajustes à medida que aprendemos mais sobre os carros e estamos totalmente abertos a isso.”
No plano temporal, Tombazis pede contenção nas expectativas:
“Aprendemos à medida que avançamos. O primeiro verdadeiro teste será a primeira corrida, porque aqui não estão realmente a competir uns contra os outros. Estas alterações exigem discussão e também o processo de governação. É pouco provável que aconteça algo entre a Austrália e a China, mas também não será uma questão de meses e meses. Tomaremos a decisão que for melhor para o desporto. Isto é uma maratona, não um sprint.”
Duas primeiras corridas podem ditar cenário
O arranque de 2026 traz um “double header”, com duas corridas em fins de semana consecutivos, em pistas bem distintas: Melbourne e Xangai. Dois traçados com exigências diferentes, que podem oferecer um primeiro retrato credível do comportamento dos novos carros em contexto real de corrida.
Se as provas forem animadas, com ultrapassagens e diversidade estratégica, a pressão para mudanças imediatas perderá intensidade. Em contrapartida, se a nova geração se traduzir em corridas menos espetaculares ou demasiado condicionadas pela gestão de energia, a FIA e a Fórmula 1 poderão ser empurradas para uma intervenção mais rápida.

Uma revolução inédita na era Liberty
A Fórmula 1 já viveu outras revoluções regulamentares, mas o contexto atual é particular: é a primeira vez que a categoria, sob a égide da Liberty Media, encara em simultâneo uma transformação tão profunda do carro, da unidade motriz e da filosofia de corrida. Desde 2017, ano da entrada da Liberty, houve duas grandes alterações aerodinâmicas — em 2017 e em 2022 —, mas ambas assentaram na mesma arquitetura base de unidade motriz híbrida e permitiram uma transição relativamente gradual.
Esta revolução chega num momento de grande popularidade, com a F1 a ver os números de novos fãs crescerem de forma consecutiva. Mas os novos fãs trazem também novos hábitos de consumo, uma nova visão. Como os fãs de F1, especialmente os mais novos, vão encarar esta nova era. E num mundo onde as janelas de atenção são cada vez menores, como uma F1 mais complexa pode atrair ou manter o seu público? Todas estas questões, mais que nunca, serão pesadas.

Ajustes no horizonte?
A probabilidade de vermos ajustes é real. O desconforto manifestado por vários pilotos está identificado, as equipas trabalham para extrair performance deste novo cenário técnico, mas o processo exige tempo e correções iterativas.
Uma das vias em discussão passa por reduzir alguns picos de potência elétrica e tornar a gestão de energia menos exigente, o que pode contribuir para simplificar o comportamento em corrida e favorecer o espetáculo. Ainda assim, só as primeiras provas da temporada permitirão perceber, com clareza, até que ponto esta nova Fórmula 1 cumpre o objetivo de conciliar sustentabilidade, tecnologia e boas corridas.
Fotos: Philippe Nanchino /MPSA, Honda, Equipas de F1
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