F1, Mike Krack e a penalização de Alonso: “ele nunca colocaria ninguém em perigo”
Os ecos da penalização a Fernando Alonso no GP da Austrália, ainda se fazem ouvir e desta feita foi a vez de Mike Krack, Chefe de Equipa da Aston Martin dizer que Fernando Alonso “nunca colocaria ninguém em perigo”. A verdade é que foi penalizado no Grande Prémio da Austrália de Fórmula 1 com o Colégio de Comissários Desportivos a considerar que Fernando Alonso conduziu de forma “potencialmente perigosa” impondo uma sanção ao piloto espanhol. Alonso recebeu uma penalização por ‘Drive Through’, convertida na forma de 20 segundos adicionados ao seu tempo final, passando o espanhol a ser o oitavo na classificação oficial da prova australiana.
Segundo o comunicado da decisão, “Alonso explicou aos comissários que tencionava abordar a curva 6 de forma diferente, levantando o acelerador mais cedo e com menos velocidade na curva, para conseguir uma melhor saída”. Esta manobra, do ponto de vista de Russell, como explicou aos comissários “foi errática, apanhou-o de surpresa e fez com que ele se aproximasse da curva a uma velocidade invulgarmente rápida e, com a consequente redução da força descendente no vértice da curva, perdeu o controlo e bateu à saída da curva”.
Apesar de não ter havido “qualquer contacto entre os carros”, os dados recolhidos pelos comissários mostram que “Alonso levantou o pé um pouco mais de 100 metros antes do que alguma vez tinha feito ao entrar nessa curva durante a corrida. Também travou muito ligeiramente num ponto em que não costumava travar (embora a quantidade de travagem tenha sido tão pequena que não foi a principal razão para o carro abrandar) e reduziu a mudança de velocidade num ponto em que nunca costumava reduzir. De seguida, aumentou a mudança de velocidade novamente e acelerou até à curva antes de levantar novamente para fazer a curva”.
Pode ainda ler-se no documento, que “Alonso explicou que, embora o seu plano fosse abrandar mais cedo, enganou-se um pouco e teve de tomar medidas adicionais para voltar a ganhar velocidade”. Os comissários “concentraram-se apenas na redação do regulamento, que diz: ‘Em nenhum momento um carro pode ser conduzido desnecessariamente devagar, de forma errática ou de uma forma que possa ser considerada potencialmente perigosa para outros condutores ou qualquer outra pessoa.’ (Art. 33.4) Especificamente, neste caso, os comissários desportivos não consideraram as consequências do acidente. Além disso, os comissários consideraram que não dispunham de informações suficientes para determinar se a manobra de Alonso tinha a intenção de causar problemas a Russell ou se, como ele declarou aos comissários, estava simplesmente a tentar obter uma saída melhor. Deveria Alonso ter o direito de tentar uma abordagem diferente à curva? – Sim. Deveria Alonso ser responsável pelo ar sujo que, em última análise, causou o incidente? – Não. No entanto, ele optou por fazer algo, com intenção, que foi extraordinário, ou seja, levantar, travar, reduzir a mudança de velocidade e todos os outros elementos da manobra mais de 100 m mais cedo do que anteriormente, e muito mais do que o necessário para simplesmente abrandar mais cedo para a curva? – sim”.
Assim sendo, “na opinião dos comissários, ao fazer isso, conduziu de uma forma que era, no mínimo, “potencialmente perigosa”, dada a natureza de alta velocidade daquele ponto da pista. Esta época, as diretrizes de penalização da FIA para a Fórmula 1, incluindo para esta infração, foram redefinidas e aumentadas para uma penalização de base de 10s. Para além disso, quando existe alguma circunstância agravante, consideramos uma penalização de Drive Through. Neste caso, consideramos que o facto de Alonso ter optado afirmativamente por realizar uma manobra invulgar neste momento é uma circunstância agravante, ao contrário de um simples erro”.
Mike Krack escreveu uma declaração partilhada nas redes sociais da Aston Martin, apoiando o seu piloto:
“Em primeiro lugar, no desporto automóvel todos estão aliviados por George estar bem e ter saído ileso do acidente. Quero que saibam que apoiamos totalmente o Fernando. Ele é o piloto mais experiente da Fórmula 1. Já competiu em mais Grandes Prémios do que qualquer outro e tem mais de 20 anos de experiência. É um campeão do mundo em várias categorias.
“O Fernando é um piloto fenomenal e estava a utilizar todas as ferramentas da sua caixa de ferramentas para terminar à frente do George – tal como vimos no Brasil no ano passado com o Sergio [Perez]. Esta é a arte do desporto motorizado ao mais alto nível. Ele nunca colocaria ninguém em perigo”.
A Aston teve 96 horas após a corrida para solicitar um direito de revisão e recorrer da penalização, mas decidiu não o fazer.




