F1: Mercedes altera “quase todos os componentes” do seu carro e Ferrari “95%”. Será suficiente para alcançar a Red Bull?
Toto Wolff afirmou em dezembro passado que cabia à sua equipa Mercedes, “à Ferrari, McLaren, e a todas as outras equipas fazer um trabalho melhor para competir com a Red Bull Racing”, depois destes terem vencido 21 das 22 corridas da temporada passada e após a conquista de dois títulos mundiais de construtores consecutivos e três de pilotos. Para isso, o responsável da Mercedes admitiu que foi necessário mudar o foco do conceito do monolugar anterior, ao mesmo tempo que Frédéric Vasseur, chefe de equipa da Ferrari, salientou que a sua estrutura mudou “95% dos componentes do carro”, reiterando que não se trata de uma revolução, um rumo completamente novo. No entanto, um dos pilotos que tem ajudado a Red Bull a desenvolver o seu RB20 em simulador, garante que o carro de 2024 continuará a ser rápido. Jake Dennis avisou ainda que espera uma “temporada bastante monótona na Fórmula 1, com Max [Verstappen] provavelmente a dominar”.
É normal as expectativas estarem em alta entre as equipas que costumam discutir vitórias em corridas e títulos, como acontece com a Mercedes e Ferrari. Os primeiros dias em pista com as estruturas adversárias são sempre um bom barómetro, que dá alguns sinais do que pode acontecer nas corridas da fase inicial da temporada. Como afirmou Mike Krack recentemente, chefe de equipa da Aston Martin, quando se chega aos testes e se as equipas perceberem que o carro não cumpre os objetivos, começam a trabalhar em soluções, mas caso cumpra, voltam para a fábrica para trabalharem em componentes que garantam que o carro esteja sempre a um nível elevado de desempenho.
A Ferrari e a Mercedes entraram em 2023 com altas expectativas que pudessem competir com a Red Bull, mas sofreram um rude golpe quando a realidade lhes mostrou que estavam muito atrás. Começaram a trabalhar para encurtar a margem, mas estavam alguns passos atrás da equipa de Milton Keynes. Os seus carros continuaram inconstantes, dando-se melhor em certos circuitos e noutros passavam por muitas dificuldades, enquanto o RB19 apenas mostrou não ser competitivo o suficiente em Singapura.
Para 2024, a Ferraro procura “décimos de segundo”, revelou o ‘maestro’ Vasseur. “Estamos à procura de 0,1 ou 0,2 por cento de desempenho. De certeza que temos de dar um passo e não subestimo esse passo. Estamos a mudar 95% dos componentes do carro, talvez se possa considerar que é uma revolução, não sei se será”, disse por altura do Natal.
Por seu turno, Toto Wolff salientou que o próximo monolugar da Mercedes poderá ser 2.5s mais competitivo que o W14. No entanto, os promissores sinais só serão comprovados em pista. Para alcançar o objetivo, a Mercedes mudou “o conceito e completamente a forma como definimos o chassis, a distribuição do peso, o fluxo de ar. Quase todos os componentes estão a ser alterados, porque só fazendo isso é que acho que temos uma hipótese”, explicou Wolff no início de dezembro. No caso de tudo funcionar como no ‘papel’, o responsável espera “um passo de dois segundos e meio”. Mas todos os cálculos podem estar errados, como estavam com o W14. Por isso, entre o não encontrar os 2.5 segundos e recuperar o atraso e dar um grande passo em frente para lutar por vitórias, tudo é possível. O mesmo se aplica à Ferrari. Depois de dois anos muito maus, Mercedes espera que tudo seja diferente com o W15, mas tendo em conta a margem que os separava da Red Bull, será tudo menos uma tarefa fácil.
Do lado italiano, Carlos Sainz experimentou a versão de simulador daquele que será o carro de 2024 e afirma que se parece muito diferente do seu antecessor, mas não quer dizer que será capaz de dar o salto necessário para alcançar a Red Bull.
Como Vasseur disse antes, o “mais importante é continuar a insistir, continuar a desenvolver” os monolugares, porque se conseguirem alcançar a equipa de Milton Keynes até ao final do ano, poderão ter uma hipótese de lutar por títulos antes das alterações regulamentares de 2026. Um caminho semelhante ao que fez a Red Bull até conseguir lutar lado a lado com a Mercedes em 2021.




