F1: Mais som, mais rotações elevadas e mais emoção nas largadas em 2026

Por a 6 Fevereiro 2026 13:31

2026 traz um mar de mudanças na F1 a nível técnico que, por consequência, irá mudar o panorama desportivo. Um admirável mundo novo, alicerçado num regulamento que teve em conta a necessidade de melhorar o espetáculo para os fãs.

Como se melhora um espetáculo que já atrai milhões em todo o mundo? Com mais! Mais ultrapassagens, mais lutas em pista, mais incerteza e mais emoção. A questão que surge agora é se os novos regulamentos vão, de facto, conseguir isso. Não é garantido que haja mais ultrapassagens, não é garantido que as lutas em pista sejam melhores. Mas há um ingrediente que contribui para a emoção do espetáculo e que parece estar garantido… o som!

Mais som

As primeiras impressões de quem já ouviu ao vivo os novos V6 híbridos é que o som está melhor. Sem o MGU-H para abafar o rugido dos blocos 1.6L, o som parece ser mais intenso e cada unidade motriz mostra um caráter próprio, sendo relativamente fácil distinguir uma das outras apenas pelo som. Isto são excelentes notícias, numa F1 que, desde a saída de cena dos V8, lamenta a falta de agressividade e de alma dos motores híbridos. E se, para uns, o som pouco ou nada contribui para o espetáculo, para muitos a adrenalina de ver os carros mais rápidos do mundo é aumentada com o elemento sonoro, que amplifica a sensação de velocidade. Parece que o “cantar” das novas unidades motrizes deverá agradar mais aos fãs. Mas há um fator que pode tornar a experiência auditiva ainda melhor.

Motores a “gritar” mais

A questão da recuperação da energia está a ser dissecada minuciosamente, quer pelas equipas, quer pelos analistas. O cenário é ainda confuso e sujeito a mudanças significativas a curto prazo. As novas unidades motrizes exigem uma gestão da energia elétrica muito mais minuciosa do que era feito no passado, apesar da maior capacidade de regeneração e de baterias ligeiramente mais capazes. São vários os relatos dos pilotos que admitiram ter de se adaptar a uma nova realidade em que podem perder a potência vinda da componente elétrica a meio de uma volta, desperdiçando assim tempo valioso. Os engenheiros buscam novas soluções para melhorar a eficiência dos sistemas e da gestão, um percurso que terá de ser feito ao longo dos próximos meses.

A necessidade de recarregar as baterias para ter potência no lugar certo, à hora certa, implica algumas mudanças no estilo de condução. Uma dessas mudanças vai fazer com que os novos motores “gritem” mais alto.

Matt Harman, diretor técnico para a engenharia da Williams, explicou isso mesmo:

“Fundamentalmente, a recuperação de energia neste carro será um desafio”, explicou Harman. “Sabemos porque temos aerodinâmica ativa no carro e, por isso, precisamos de garantir que podemos maximizar essa recuperação. Portanto, uma das coisas que poderão ver é os pilotos a utilizarem mudanças muito mais baixas para tentar maximizar este tipo de recuperação em momentos cruciais da volta. Atualmente, um piloto raramente usa a primeira mudança. Poderão ver isso acontecer”.

“Agora, isso traz-nos desafios mais à frente no carro, porque é um problema de estabilidade. Temos de pensar em como controlar a unidade motriz, como controlar a estabilidade na traseira do carro, os sistemas que temos para o fazer. Há muitas coisas que precisamos de analisar e esta é uma característica muito específica deste carro em particular – e também exigirá que o piloto adapte o seu estilo a isso, porque não vão querer fazê-lo naturalmente, penso eu.”

Mudanças mais baixas, mais rotação, mais som (e mais instabilidade nos carros). Por aqui, parece que a emoção do espetáculo vai mesmo aumentar. Mas há mais!

Largadas mais ruidosas e… mais surpreendentes

As novas regras de 2026 transformam as partidas num ponto crítico. Uma das vantagens de ter MGU‑H (agora retirado da unidade motriz) era ter um turbo sempre na rotação ideal para dar a potência desejada. O famoso lag não existia. Com este novo regulamento, o desafio é maior, especialmente nas largadas. Segundo a The Race, o regulamento impede precisamente a solução óbvia: o MGU‑K só pode atuar em binário negativo na grelha (a carregar bateria) e está proibido de fornecer tração abaixo dos 50 km/h. Isto vai obrigar os pilotos a manter o motor em rotações muito elevadas e a casar de forma quase perfeita regime, embraiagem e rotação do turbo no instante em que largam, porque qualquer falha gera “quebras” de potência que já não podem ser compensadas eletricamente nos primeiros metros.

Mesmo depois desse limiar dos 50 km/h, usar a bateria para corrigir um mau arranque deixa de ser uma decisão óbvia. Queimar demasiada carga na corrida até à Curva 1 pode significar chegar ao fim da reta com a bateria já em “clipping” (sem carga) e transformar o piloto em alvo fácil na fase seguinte da volta. Antes, a bateria servia para pôr o turbo no ponto, mascarar qualquer hesitação e depois libertar a potência elétrica de forma progressiva; agora, sempre que se usa a bateria para esconder o lag, está‑se a roubar desempenho ao resto da volta.

Em vez de arranques limpos, suaves e repetíveis, as primeiras simulações mostram carros a sair da linha com rotações muito mais altas, e com mais variações, dependentes do fator humano. Haverá muito mais som nas largadas, mas a emoção aí pode ser entregue de forma bem mais intensa, com mudanças inesperadas na ordem, ainda antes da Curva 1.

Primeiras corridas darão uma visão mais clara

Não é garantido que o espetáculo melhore significativamente com estes novos regulamentos. É garantido que veremos mudanças na dinâmica das corridas. Se elas vão agradar a quem vê, é outra história. Mas há elementos que parecem mostrar que, em certos momentos‑chave de um fim de semana de corrida, teremos mais imprevisibilidade e mais emoção. Tal pode ser excelente, desde que não fique a sensação de que essa imprevisibilidade é artificial ou excessivamente dependente da gestão de energia.

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