F1: Maioria dos novos monolugares deverão apresentar-se acima do peso mínimo

Por a 12 Janeiro 2026 15:32

Peso e performance raramente se dão bem. A velocidade é quase sempre associada à leveza e à agilidade, mas a Fórmula 1 perdeu esse caminho há mais de uma década. Determinada a voltar à fórmula do passado – carros rápidos e ágeis – a categoria entrou agora num processo de emagrecimento que está longe de ser simples.

Colin Chapman sempre defendeu que a leveza era fundamental para a performance das suas máquinas e perseguiu esse objetivo com uma tenacidade quase obsessiva. Quando lhe diziam que carros mais leves eram menos seguros, por terem menor integridade estrutural, o britânico respondia que os carros mais pesados eram mais difíceis de parar, um argumento difícil de refutar. As máquinas de alta performance procuram sempre a maior leveza possível, recorrendo a materiais exóticos que garantem rigidez e baixo peso, mas a integração de novos sistemas faz com que o peso acabe inevitavelmente por subir.

No início dos anos 60, um carro de F1 pesava cerca de 450 kg, um valor que foi subindo ao longo do tempo. O aumento do peso foi uma constante durante as décadas de 60 e 70 e só nos anos 80 se começou a ver uma tendência em sentido contrário. Desde os anos 90, porém, o peso dos carros voltou a subir de forma quase imparável. Se em 1993 o peso mínimo era de 500 kg, em 2008 já era de 595 kg e em 2013 tinha subido para 642 kg. Em 2019, o mínimo estava nos 740 kg e, em 2025, chega aos 800 kg.

Esforço em prol do espetáculo

A equação entre tecnologia e performance, por um lado, e peso e agilidade, por outro, tem pendido claramente para o lado da performance absoluta, com os carros mais recentes a baterem vários recordes, como a F1 exige. Mas o espetáculo em pista – constantemente criticado, independentemente da geração de monolugares – tem sofrido com o tamanho e peso dos carros, sobretudo em circuitos onde a agilidade e a leveza eram os principais trunfos, com o Mónaco à cabeça.

Graham Hill (GB), Lotus 49B Cosworth. Monte-Calro Grand Prix 1969. Circuit of Monaco.

Ano novo, peso novo

Em 2026, pela primeira vez em muitos anos, a tendência crescente dos pesos é invertida, com o peso mínimo a baixar para 768 kg, 32 kg abaixo do limite previsto para 2025. É uma excelente notícia para os fãs e para os pilotos, mas para os engenheiros continua a ser motivo de muitas noites mal dormidas.

No papel, 768 kg parece um compromisso razoável entre espetáculo, segurança e tecnologia; dentro das fábricas, o sentimento é bem menos tranquilo. A FIA não chegou ao número somando o peso de cada componente: limitou‑se a impor um alvo agressivo e deixou às equipas o desafio de lá chegar. O aumento da bateria, necessária para alimentar um MGU‑K mais potente, empurra naturalmente o peso para cima. Para complicar a tarefa, as exigências de resistência do roll hoop e das proteções laterais foram reforçadas, o que também faz subir o valor na balança.

Dificuldade de perde peso

Com um objetivo tão ambicioso, quando os novos Fórmula 1 de 2026 se alinharem em Barcelona para o primeiro shakedown coletivo, poucos deverão cumprir o novo limite mínimo de 768 kg. E isso pode tornar o peso num dos grandes temas da temporada.

Na Fórmula 1 moderna, cada 10 kg extra pode custar na ordem de três décimos por volta, o suficiente para transformar um carro de Q3 regular num candidato a ficar preso na Q1. Se a maioria das equipas arrancar a nova era com 10 a 20 kg acima do limite – como aconteceu noutros ciclos de regulamentos – o peso pode ajudar a definir logo à partida o pelotão, condicionar as estratégias de desenvolvimento para 2026 e adicionar imprevisibilidade.

O “biggest loser” pode ter vantagem

Imaginemos uma equipa que começa a temporada com uma unidade motriz menos capaz. Para compensar, terá três vias para minimizar as perdas: melhorar a própria unidade motriz (algo difícil de atingir a curto prazo), aprimorar a aerodinâmica (com a aerodinâmica ativa haverá certamente muito a explorar) ou tentar aproximar‑se o mais possível do peso mínimo. Assim, não é garantido que quem tiver o motor mais performante seja automaticamente o mais rápido. Os restantes fatores podem ter muito peso e, numa fase tão inicial, é provável que o peso relativo de cada um destes elementos se faça sentir ainda mais.

O que parece garantido é uma luta feroz para chegar ao mínimo estabelecido. A FIA iniciou este tão desejado retrocesso no peso dos monolugares e espera manter a trajetória no próximo regulamento técnico. Uma dor de cabeça de cada vez para as equipas que criam algumas das máquinas mais espantosas do mundo.

Fotos: F1 e Arquivo

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