F1: Lewis Hamilton longe de ser consensual na Grã Bretanha

Por a 9 Novembro 2020 13:15

Lewis Hamilton pode ser considerado o melhor piloto de Fórmula 1 de sempre, mas este título está longe de ser consensual entre os fãs do desporto e da classe rainha do automobilismo. Enquanto uns defendem que o britânico tem que assim ser considerado por estar a bater constantemente os recordes do passado, como assistimos no GP de Portugal, quando Hamilton bateu o recorde de 91 vitórias que Michael Schumacher detinha há 14 anos, há outros que não pensam do mesmo modo. O facto de ter passado por poucas equipas e de não ter tido muitos adversários nos últimos tempos são argumentos para estes últimos. Como em tudo na Fórmula 1, este não é um tema unânime, mesmo que o piloto continue a conquistar mais vitórias e títulos.

No Reino Unido, terra natal do piloto da Mercedes, para além deste tema há um outro que tem vindo a ser discutido e que ganhou agora outro fôlego, com a tal 92ª vitória de Lewis Hamilton. Deve ou não Hamilton receber as honras de ser investido cavaleiro do reino?

As Ordens do Império Britânico são ordens de cavalaria que premeiam quem se destaca nas artes, ciências, trabalho em organizações de caridade, entre outras áreas. Foi o Rei Jorge V quem instaurou as ordens de cavalaria e neste momento estas dividem-se em 5 classes: GBE (Cruz de Grande Cavaleiro/ Dama); KBE ou DBE (Comandante Cavaleiro/Dama); CBE (Comandante); OBE (Oficial); MBE (Membro).

Apresentando o resultado final de um questionário efetuado, o site yougov.co.uk traz alguma luz sobre o pensamento generalizado dos britânicos acerca deste assunto. “Dizem-nos” os resultados que a maioria, mais propriamente 46% dos inquiridos, acha que Hamilton não deve ser nomeado cavaleiro. Já 21% responderam de forma positiva, uma taxa menor que aqueles que responderam “Não sei” (33%).

Os resultados foram apresentados no dia 29 de Outubro passado, não sabemos quando terá sido efetuado o inquérito, mas sabemos que responderam 3067 adultos à pergunta. Mais interessante, é esmiuçar os resultados e perceber que a maioria dos inquiridos que responderam que o piloto não merece o título, identificam-se com o partido Conservador, enquanto na resposta contrária a maioria das respostas advém de adultos Trabalhistas.

Em relação à idade e a sua resposta, as diferenças são mais ténues, embora a faixa etária dos 50 aos 65 anos é a que tem mais respostas negativas à pergunta. No campo oposto estão os inquiridos na faixa etária dos 25 aos 49 anos. Para além dos resultados, foram alguns os comentários no Twitter que diziam que piloto de Fórmula 1 não é um desportista, isto num pedaço de Terra que tem 10 campeões do Mundo da categoria e quando vemos cada vez mais a exigência física e mental que a F1 tem.

Na mesma altura em que os resultados vieram a público, também David Coulthard defendeu o seu compatriota. O antigo piloto disse ao The Sun a 26 de Outubro deste ano, que Hamilton é um “embaixador global da Grã-Bretanha”. Para além disso, o escocês perguntou se alguém sabe se Hamilton fez algo que vá contra os regulamentos que permitem nomear um britânico como cavaleiro. Na opinião de Coulthard, outras personalidades receberam tal título e não o mereceram tanto como merece Lewis Hamilton.

A verdade é que Lewis Hamilton é um símbolo do Reino Unido, com todas as vitórias que conseguiu, para além de que o título de cavaleiro do Reino é só para quem é excecional e se destaca na sua área. Terá feito Lewis Hamilton o suficiente ser nomeado cavaleiro e ser tratado por Sir? O facto de realmente não ter tido adversários dignos desse nome nos últimos tempos é penalizador para o piloto, que trabalha arduamente para atingir os seus objetivos? Lembramo-nos de quando Hamilton teve uma quebra de rendimento, e até emocional, ao defrontar o seu colega de equipa e rival, Nico Rosberg e de como conseguiu dar a volta.

É ambicioso e tem estado envolvido em campanhas pelos Direitos Humanos e ultimamente é apoiante dos movimentos anti-racistas. Até fora de pista Lewis Hamilton não é consensual. Este ano foi acusado de tentar obrigar os seus colegas de profissão a colocar o joelho no chão em sinal de repúdio pelos episódios de brutalidade policial nos EUA e mais recentemente, já em solo português, lançou críticas à escolha de Vitaly Petrov para comissário do GP, por este ter criticado o envolvimento dos pilotos e a própria organização da Fórmula 1 nas questões do racismo e das desigualdades.

Em Portugal, com o Presidente da República atual tem-nos habituado a ver a figura maior da nação a receber no Palácio de Belém desportistas ou a enviar publicamente a sua admiração por feitos no desporto internacional por portugueses e condecorou recentemente António Félix da Costa com o grau de Comendador da Ordem do Mérito. Mas se esta sondagem acontecesse em Portugal manter-se-iam os resultados do inquérito? Mesmo sendo um país onde o futebol é rei, teria a maioria dificuldades em apoiar um piloto para receber uma condecoração pelo Presidente da República?

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32 comentários

  1. jose melo

    9 Novembro, 2020 at 13:29

    Desde logo na única vez que esteve ao lado da rainha, não cumpriu o protocolo. E como é a rainha que decide, e não a opinião pública, pode ser uma razão. O que se sabe é que na altura a rainha não ficou satisfeita. Se isso é ou não razão suficiente, já é outra coisa. Certo é que, pelo que já conquistou poderia merecer o título. Há um outro detalhe não menos importante, e até talvez decisivo: é que vive no Mónaco para não pagar muitos impostos.

    • manuel moita

      9 Novembro, 2020 at 14:15

      Pois nao tem nada que ver com isso mas sim com a cor da pele se ate maricas teem o titulo de SIR a muita dor de corno de alguns ex pilotos paciencia podem tomar Renie

    • Pity

      9 Novembro, 2020 at 17:04

      E Hamilton conhecia o protocolo? Foi instruído por alguém sobre isso? É uma questão que devia ser esclarecida, para podermos fazer um juízo correcto da atitude dele.

      • jose melo

        9 Novembro, 2020 at 17:22

        Conhecer conhecia, ou devia porque lhe foi explicado, pois estava sentado ao lado da rainha. Também é verdade que como se sabe há coisas no protocolo com a rainha que não lembram a ninguém. Do que me lembro, nós “os normais” até achamos que não foi uma falha importante; teve algo que ver de fazer algo que não devia ter feito até a rainha fazer primeiro (acho que foi beber água). Mas e porque a rainha olhou para ele, logo se diz que a senhora ficou chateada. Claro que não acho que seja por isso que não é condecorado, nem pela cor porque o Mo Farah não é propriamente branco. Já o mesmo não direi o facto de viver no Mónaco por questões fiscais, e porque não o facto de ultimamente estar a ser controverso (não discuto isso) e já se sabe que o que a rainha não quer é problemas (já tem que chegue).

        • Pity

          9 Novembro, 2020 at 22:38

          Sim, para o comum dos mortais, beber água antes da anfitriã, não seria nada demais, se fosse começar a comer antes dos outros, já seria indelicadeza. Eu não sou parente da Paula Bobone, mas sei, por exemplo, que não se deve começar a comer antes da pessoa mais velha, do anfitrião, ou da pessoa em honra de quem é o jantar, começar. É básico,
          Quanto à questão da água, a pessoa que lhe terá dado as instruções de comportamento, pode ter achado que não havia necessidade de ir às coisas básicas, mas havia.

        • jo baue

          10 Novembro, 2020 at 10:56

          O erro dele ( vamos poupar o LH, e chamar assim) foi comunicar com a Rainha antes desta lhe dirigir a palavra. Esta lembrou-lhe a conhecida regra vitoriana de que só deve falar à pessoa que está à sua esquerda. Quando vem o outro prato muda para a direita, é a regra do “turning table”. Diz quem sabe, que a Rainha quis ajudar o LH pq a pessoa sentada à sua esquerda estava em silencio há muito. É falso portanto que tenha sido um pequeno capricho o Lh nao ter sido nomeado., e aliás só por ingenuidade se pode pensar que é a Rainha que decide quem irá ser nomeado. Não. È uma Comissão de Honra, dividida em várias áreas, e é atribuído a alguem que tenha prestado algum serviço (há uns 7 ou 8 pressupostos) de relevo para a comunidade. O que manifestamente não é o caso deste piloto. Antes pelo contrário. Esteve envolvido no gigantesco. “spygate”, e até desportivamente o seu título no ano seguinte de 2008 beneficiou desse tipo de crime.

          • Pity

            10 Novembro, 2020 at 16:31

            Com franqueza! Que envolvimento teve o Hamilton no spygate, para além de guiar o carro? E o que é que o título, no ano seguinte, tem a ver com isso?

  2. F1_4ever

    9 Novembro, 2020 at 15:30

    O Hamilton pode ser muito bom piloto, mas apesar de todos os seus recordes (obtidos é claro porque já há 7 anos que tem o melhor carro da F1) nem por isso é o piloto mais popular. Que eu me lembre desde que o site da F1 criou aquela votação para os fans elegerem o melhor piloto durante os GP´s ele nunca ganhou, mesmo por vezes tendo feito corridas que os jornalistas por vezes descrevem como quase épicas. E veja-se quem os fans elegeram o ano passado como o piloto mais popular, o Kimi. Por isso não me admiro do resultado desse inquérito que fizeram em Inglaterra.

    • Pity

      9 Novembro, 2020 at 17:15

      Eu não estranho que o Hamilton raramente ganhe a votação de piloto do dia. Desde 2018, ano em que ganhou por 3 vezes, que não ganha, mas isso justifica-se porque tem feito “a sua obrigação”, Justifica-se mais atribuir o prémio a um piloto que excede as expectativas.

      • F1_4ever

        9 Novembro, 2020 at 19:07

        Pity isso de um piloto exceder as expectativas tem que se lhe diga. Por vezes ao ver o resultado da votação para o piloto do dia, já têm ganho alguns que não fizeram nada de especial durante a corrida e não percebo porque foram tão votados. Suspeito que o nacionalismo tem bastante influência nessa votação.

        • Pity

          9 Novembro, 2020 at 22:44

          Tem, mas já teve mais. O ano passado, o Max ganhou para aí metade das votações. Este ano tem sido mais dividido, mais justo, talvez, apesar de eu nem sempre concordar com o resultado.

  3. 831AB0

    9 Novembro, 2020 at 15:41

    Estamos a confundir o reconhecimento do valor do Lewis Hamilton como piloto e o merecimento de um título de cavaleiro do reino, o que não é bem o mesmo.
    Pessoalmente, penso que a primeira questão é indiscutível, embora saber se é o melhor de sempre seja discutível por não se poder comparar diferentes épocas. Quanto a merecer uma comenda, parece-me vicioso comparar o Reino Unido com Portugal. Aqui temos a tradição dos títulos desde há muito (no liberalismo, a proliferação de títulos nobiliárquicos era de tal ordem que Almeida Garrett lançou o sarcasmo: Foge cão, que te fazem Barão/Para onde, se me fazem visconde?), e o Professor Marcelo Rebelo de Sousa só tem contribuído para vulgarizar ainda mais as distinções da República. No Reino Unido são mais selectivos.
    Penso que um piloto de F1 é apenas isso mesmo: um desportista e, no limite, um entertainer. Por muito que gostemos da F1 e do desporto automóvel, a F1 não é nenhum Olimpo: os pilotos não são deuses nem semideuses. Nenhum deles. São apenas pessoas com uma habilidade excepcional para a condução. Muitos deles, se espremidos, não sai nada: não lêem, não se instruem, têm um nível de comunicação básico e não sabem de mais nada a não ser F1. Alguns chegam a ser estúpidos. As actividades «cívicas» do Hamilton, por louváveis que possam ser, não chegam – ou não deviam chegar – para ser um cavaleiro do reino, mas não me repugna que lhe confiram o título. Provavelmente há quem o tenha e ainda o mereça menos.

    • F1_4ever

      9 Novembro, 2020 at 15:53

      Ao ler o seu comentário e especialmente a última parte (com o qual concordo) de imediato me lembrei que exactamente o mesmo se aplica aos jogadores de futebol (desporto que eu detesto). Acho mesmo que muito mais que aos pilotos de F1, a maior parte dos futebolistas são uns burgessos, a maior parte das vezes uns ignorantes que têm a sorte de ter muito jeitinho nos pés e com isso serem endeusados e como escreveu aqui a Pity ganharem ordenados pornográficos.

      • 831AB0

        9 Novembro, 2020 at 16:13

        Também não gosto muito de futebol, mas sou curioso o suficiente para ver que houve uma grande evolução em termos de educação entre os futebolistas. Especialmente se tivermos como período de referência os anos 80. Digamos que o João Félix não tem nada que ver com o João Pinto (o tal que chutou com o pé que tinha mais à mão). Já entre os pilotos de F1 a tendência parece ser a inversa…

  4. Murray Walker

    9 Novembro, 2020 at 15:52

    Mesmo que alguma vez seja nomeado cavaleiro, tem muito que esperar.

    Sir Jackie Stewart foi ordenado cavaleiro, quase 28 anos após ter conquistado o seu 3º título mundial.

  5. malhaxuxas

    9 Novembro, 2020 at 15:57

    Até tu Autosport queres lançar o discurso politicamente correcto do racismo? Haja paciência!!!
    Clarinho como água esta verborreia esquerdista.
    Quando ao Hamilton, por mim merece todas as Honras, nenhuma por ser preto.
    Acontece que para ser SIR é preciso uma postura e educação que provavelmente Lewis não tem, ou não valoriza. De resto, como Homem, merece o respeito de todos.
    Fosse em Portugal seria herói nacional, para bajulação da boiada, unhida pela elite (pigs).
    Aqui se vê a diferença entre os dois países. Ambos muito velhos, mas uns mais velhos e decentes que outros.

  6. Osmane Damianse

    9 Novembro, 2020 at 15:58

    Lewis Hamilton the best!!!

  7. malhaxuxas

    9 Novembro, 2020 at 15:59

    Até tu Autosport queres lançar o discurso politicamente correcto do racismo? Haja paciência!!!
    Clarinho como água esta verborreia esquerdista.
    Quando ao Hamilton, por mim merece todas as Honras, nenhuma por ser preto.
    Acontece que para ser SIR é preciso uma postura e educação que provavelmente Lewis não tem, ou não valoriza. De resto, como Homem, merece o respeito de todos.
    Fosse em Portugal seria herói nacional, para bajulação da boiada, ungida pela elite (pigs).
    Aqui se vê a diferença entre os dois países. Ambos muito velhos, mas uns mais velhos e decentes que outros.

  8. JCF

    9 Novembro, 2020 at 17:55

    Jesus Cristo era tão consensual na sua época que foi condenado à morte pelos judeus com a conivência dos romanos. E ficou na história, até hoje. Galileu também, como N outros. O mundo está cheio de gente consensual. E tem uns quantos nada consensuais nas diferentes áreas. A grandeza de alguém não está ligado à sua unanimidade, mas normalmente (quase) todos os grandes não são nada consensuais.

  9. Manuel Araujo

    9 Novembro, 2020 at 17:55

    apesar do seu grande e inegável talento falta.lhe muito; educação , classe, nivel, bondade, soliriedade, por isso mesmo os seus não lhe veem categoria para tal distinção.
    anda armado em activista politico apenas por intresse , e não por convicção….

  10. O Verstappen comeu o Hamilton de cebolada

    9 Novembro, 2020 at 19:46

    Não deixa de ser curioso esta falta de reconhecimento por parte dos britânicos em relação a Hamilton. Ainda por cima, sendo os britânicos um povo com uma grande cultura desportiva e grandes adeptos de Formula 1.
    Por um lado a maioria dos adeptos de automobilismo ficou contente pelo registo do recorde de vitórias ter passado de um piloto que representava o anti-desportivismo para um piloto correcto em pista como o Hamilton.
    Por outro lado a ausência de qualquer tipo de concorrência interna desde a saída de Rosberg, e a ausência de concorrência externa que só aconteceu em 2018, também transformam estes recordes numa espécie de mera formalidade e cumprir de calendário.
    Não é por acaso que os britânicos eram dos maiores adeptos de Senna mesmo tendo pilotos “seus” na F1.
    Mesmo para os seus compatriotas por mais títulos que Hamilton vença, provavelmente nunca terá tanto carisma e reconhecimento como Ayrton Senna…

    Cumprimentos

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