A Ferrari recusou Laurent Mekies como chefe de equipa em 2023 por alegada falta de perfil. Dois anos depois, o francês recupera protagonismo ao revitalizar a Red Bull.
Quando Mattia Binotto deixou a Ferrari no final de 2022, Laurent Mekies surgiu como o candidato interno mais forte para assumir o comando da Scuderia. O engenheiro francês, então diretor desportivo e vice-diretor de equipa desde 2021, conhecia de dentro a estrutura de Maranello e contava com a confiança de parte dos quadros técnicos. Ainda assim, a administração optou por procurar “sangue novo” e contratou Frédéric Vasseur, que vinha de uma temporada positiva na Alfa Romeo.
Segundo o Corriere della Sera, a Ferrari considerou Mekies “não apto para um cargo de topo”. Embora a equipa valorizasse o seu rigor técnico e a gestão das operações de pista, duvidava da sua capacidade para ser a face pública e política da marca — um papel que, em Maranello, implica lidar com enorme pressão e escrutínio interno.
Do afastamento em Maranello ao sucesso em Milton Keynes
Mekies deixou a Ferrari a meio de 2023, num movimento que parecia de risco na altura. Contudo, depois de uma breve passagem pela Racing Bulls, surgiria a grande oportunidade: a Red Bull Racing convidou-o para assumir o comando após a demissão de Christian Horner em julho de 2025.
Desde então, o impacto foi imediato. O francês reorganizou processos, reforçou a motivação interna e devolveu o sentido de coerência estratégica à estrutura de Milton Keynes. Sob a sua liderança, Max Verstappen voltou à luta pelo título, somando três vitórias nas últimas sete corridas e duas nas Sprint Race, reabrindo o campeonato numa altura em que muitos já viam a Red Bull afastada da frente.
Um gestor discreto, mas eficaz
O sucesso atual da Red Bull não se deve apenas a ganhos técnicos no monolugar — que continuam a ser fruto do trabalho acumulado sob Horner e Adrian Newey —, mas também à forma como Mekies “restaurou a ordem e infundiu motivação”, como sublinha o Corriere della Sera.
Internamente, o francês é descrito como um líder calmo, metódico e unificador, qualidades que vinham sendo apontadas como em falta na Ferrari. O clima de unidade e ambição que Mekies reinstaurou em Milton Keynes contrasta com o ambiente tenso que ainda paira em Maranello, onde John Elkann sentiu necessidade de reiterar publicamente a confiança em Vasseur — apenas três meses depois de este ter renovado contrato.
A ascensão de Laurent Mekies é, para muitos, um exemplo da volubilidade da Fórmula 1. Rejeitado pela Ferrari por não reunir, alegadamente, o perfil para lidar com a pressão de uma equipa de topo, o engenheiro francês encontra-se agora no centro da recuperação competitiva da Red Bull e volta a ser reconhecido como um gestor de primeira linha. O tempo dirá se, em Maranello, a decisão de 2023 não terá sido o maior erro estratégico da última década.
FOTO Phillippe Nanchino/MPSA











