F1: John Barnard sobre a McLaren e a Williams
John Barnard é um dos maiores nomes da F1. O seu contributo a nível técnico teve um impacto tremendo no desporto e ainda hoje são usados conceitos que foram introduzidos pelo brilhante britânico. Responsável pelo primeiro chassis em Fibra de Carbono, introduzido na McLaren no início dos anos 80 e pelo primeiro carro com caixa sequencial semi-automática (desenvolvida pela Ferrari no final dessa década), Barnard marcou uma era da F1.
Em declarações à ESPN, o britânico de 72 anos aceitou falar sobre a situação actual da McLaren e da Williams, duas equipas que nos anos 80/90 dominavam o Grande Circo e que agora atravessa situações complicadas. Em relação à McLaren, Barnard apontou o modelo de liderança implementado, do qual já era um dos mais críticos, ainda antes do novo desenvolvimento da crise na estrutura de Woking, com a saída de Eric Boullier:
“Sempre achei que a Fórmula 1 precisasse de uma gestão em pirâmide e não um sistema de gestão usado em grandes organizações. Acho que tal não funciona na F1. O problema começou há muitos anos atrás, muito antes de Eric Boullier entrar. A McLaren não tem uma liderança em pirâmide há muito tempo. Eu não conheço Eric Boullier, como tal não conheço o seu passado e quais são as suas capacidades, mas ele veio da Renault como diretor desportivo .Ele não é, para mim, uma pessoa que pode liderar um grupo técnico. Acho que eles perceberam que tinham de mudar a estrutura.”
“É necessário ter alguém que junte os vários grupos . Hoje em dia as equipas são tão grandes que acabamos com grupos de pessoas que trabalham em diferentes partes do carro. Eu ouvi – que eu acho difícil de acreditar – que existem casos em que um grupo trabalha na asa dianteira, um grupo trabalha na asa traseira, outro grupo na área do arrefecimento. Alguém tem que juntar tudo e fazer os compromissos necessários e é essa pessoa que eu chamaria de designer-chefe / diretor técnico. Sem essa pessoa, não acho que se consiga uma direcção. Caso contrário cada um remará para o seu lado sem se preocupar com a área dos outros.”
Esse problema foi visível em alguns casos como o da Caterham, que tinha boas infraestruturas, bons engenheiros mas que por algum motivo não conseguia integrara da melhor forma os vários componentes. O último carro da equipa tinha pormenores interessantes mas que não funcionavam com o resto do carro.
Barnard deu o seu exemplo e avisou que a McLaren poderá demorar algum tempo a voltar ao caminho ideal:
“Quando eu estava envolvido, tinha de estar inserido em tudo. Acho que equipas ficaram tão grandes que se tornaram em grandes operações. Transformaram-se numa espécie de petroleiro e é difícil fazer virar um petroleiro . Os proprietários da McLaren deverão estar preparados a colocar dinheiro na equipa enquanto esta se reorganiza. Desde que eles possam encontrar as pessoas certas, eles vão voltar ao caminho certo. Isso pode levar algum tempo. “
Barnard relembrou os tempos de Ron Dennis, que preferia ter apenas um ou dois grandes patrocinadores ao invés de ter o carro cheio de pequenos autocolantes. Para Barnard, a McLaren também aí mudou e só o tempo dirá se é a melhor opção ou não: ” O que quer que traga o dinheiro é a melhor ideia. “
Quanto à Williams as preocupações são maiores pois a capacidade financeira não é tão grande quanto a do grupo McLaren:
“Para mim, a Williams está pior que a McLaren, porque a McLaren tem – desde que dispostos a permanecer – os seus donos, pessoas com enormes bolsos. Enquanto que na Williams não tenho a certeza.”
Uma das tábuas de salvação da Williams seria a introdução de um tecto orçamental, algo defendido por Claire Williams, ideia que Barnard já ouvia desde os anos 91, embora não tenha certezas de como tal pode ser aplicado:
“De tudo o que foi sugerido, ficou-se sempre com a ideia de que se for uma equipa grande ou até mesmo um construtor, haverá sempre forma de dar a volta ao texto. O desenvolvimento pode ser feito fora da fábrica noutro projecto, e só depois se introduzido na F1. É muito difícil de controlar.”
Resta saber se a Liberty terá a capacidade de implementar essa ideia, que já foi várias vezes colocada em cima da mesa, sem sucesso e caso tal aconteça, como as equipas e os responsáveis irão gizar o processo de regulamentação.
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