F1, GP do Canadá: Estão adversários mais próximos de Verstappen?

Por a 19 Junho 2023 18:00

Max Verstappen venceu no Canadá o seu quadragésimo primeiro Grande Prémio, igualando Ayrton Senna, mas teve os seus adversários mais perto que nunca. Poderiam estes ter feito algo para, pelo menos, pressionar mais o neerlandês?

O Circuito Gilles Villeneuve prometia ser um desafio maior para a Red Bull, dado que sem curvas de média e alta velocidade, o RB19 Honda não pode aproveitar o seu potencial de uma forma tão evidente.

Para além disso, a sua suspensão, que impede afundamento da dianteira nas travagens, muito embora lhe garanta uma plataforma aerodinâmica estável, cria aos pilotos algumas dificuldades nas zonas de travagem e problemas no aquecimento dos pneus dianteiros.

Seria, portanto, necessário que tanto Max Verstappen como Sergio Pérez estivessem ao seu melhor nível, caso quisessem ficar ao alcance dos seus rivais.

Num fim-de-semana em que as condições climatéricas prometiam ser instáveis, o mexicano voltou a falhar na qualificação, disputada com a pista molhada, acabando no décimo segundo posto da grelha de partida, ao passo que o neerlandês assegurava mais uma pole-position.

Pérez sentiu mais dificuldades que Verstappen em colocar os pneus na janela correcta de funcionamento, o que foi determinante para o seu desaire.

Para o dia da corrida, a pista estava seca, mas estava fresco, o que não ia de encontro aos desejos dos pilotos da Red Bull, que assim teriam dificuldades em colocar a temperatura correcta nos seus, principalmente os dianteiros.

No entanto, e apesar da contrariedade, Max Verstappen caminhou com segurança para a vitória, oferecendo à Red Bull o seu centésimo sucesso, ducentésimo de Adrian Newey, cruzando a linha de meta com uma vantagem de 9,5s para Fernando Alonso.

O único momento de maior perigo que o Bicampeão Mundial de Fórmula 1 viveu, foi quando passou de uma forma mais violenta por um corrector, ‘enervando’ o seu monolugar, mas sem grandes dramas.

Já o piloto espanhol teve inúmeras contrariedades para suplantar, o que o poderá ter impedido de ameaçar de uma forma mais evidente o ascendente de Verstappen.

A Aston Martin estreou em Montreal um novo pacote aerodinâmico, com alterações no fundo, nos flancos e no capot-motor, esperando a formação de Silverstone aproximar-se da Red Bull e, claro, ganhar alguma vantagem na luta pela primazia no segundo posto entre as equipas.

As condições climatéricas instáveis e uma primeira sessão de treinos-livres que na prática não existiu não ajudaram a que os responsáveis da Aston Martin conhecessem o verdadeiro potencial da nova versão do seu monolugar, mas uma vez mais o piloto espanhol aproveitou o material que tinha ao seu dispor, assegurando o segundo posto na grelha de partida, depois da penalização de Nico Hulkenberg.

O bicampeão mundial de Fórmula 1 estava numa boa posição para pressionar o Verstappen, mas logo no arranque viu-se suplantado por Lewis Hamilton, caindo para terceiro.

Os Mercedes não estavam à-vontade no traçado canadiano, sofrendo com falta de tracção e com uma velocidade de ponta baixa, não tendo argumentos para o Aston Martin de Alonso e para o Red Bull de Verstappen.

No entanto, o carro da marca inglesa também não tem na velocidade de ponta a sua melhor arma e levou ao espanhol vinte e duas voltas para suplantar Hamilton, então já depois da primeira ronda de paragens nas boxes, que foi provocada pelo despiste de George Russell na décima segunda volta.

Alonso estava então a 2,7s de Verstappen, desvantagem que subiu para os 4,9s na quadragésima volta, momento em que os pilotos da frente começaram a realizar a segunda troca de pneus.

Para o terço final da prova, o piloto da Red Bull tinha pneus médios novos, ao passo que o da Aston Martin tinha duros, também frescos. Isto poderia permitir ao espanhol rodar sempre no máximo e tentar uma aproximação ao líder, que quando saiu das boxes tinha uma vantagem de 4,5s.

Até à segunda paragem nas boxes, Alonso tinha perdido 0,12s por volta para Verstappen, uma diferença que poderia permitir, pelo menos, colocar o neerlandês sob pressão.

No entanto, um problema num sensor começou a dar indicações erradas à Aston Martin quanto ao consumo, tendo Alonso sido obrigado a gerir o seu andamento, deixando de ter o sentido no comandante para centrar a sua atenção em Hamilton.

O espanhol conseguiu manter o inglês no seu escape, não tendo o seu segundo posto ficado em risco em algum momento, mas acabaria a 9,5s de Verstappen.

Na verdade, o Aston Martin não tinha andamento puro para o Red Bull, mas sem ter perdido um lugar para Hamilton no arranque e sem um problema imaginário na ponta final da corrida, Alonso poderia ter sido um adversário mais ameaçador para o neerlandês.

Se a Mercedes, viu Hamilton realizar o máximo que poderia alcançar, a Ferrari teve mais uma prova do que poderia ser.

No final de sexta-feira, os carros de Maranello pareciam ser os adversários mais perigosos da Red Bull, sendo o circuito de Montreal benéfico para o SF-23, que em curvas lentas e em acelerações se mostra um carro competitivo.

Porém, na qualificação, disputada maioritariamente com a pista molhada, os pilotos erraram, e Charles Leclerc ficou no décimo posto e Carlos Sainz em décimo primeiro, fruto de uma penalização de três lugares, o que condicionava as suas corridas.

Por uma vez, o carro de Maranello geriu bem os pneus, permitindo à ‘Scuderia’ realizar uma estratégia de apenas uma paragem.

Isto levou a que o monegasco terminasse em quarto seguido pelo seu colega de equipa, não dando qualquer possibilidade a Sergio Pérez, que, com problemas em colocar os pneus na temperatura certa, não conseguiu acompanhar os dois pilotos da Ferrari.

Seria difícil que Leclerc ou Sainz pudessem incomodar Verstappen, sendo até improvável que pudessem desfeitear Alonso, mas o terceiro lugar de Hamilton seria uma possibilidade clara para ambos, perdendo um potencial lugar no pódio de devido a uma qualificação abaixo das expectativas.

As três perseguidoras da Red Bull estiveram mais próximas em Montreal, mas poderá ser mais uma conjugação de condições – temperatura da pista e características do circuito – a promover essa aproximação que uma melhoria significativa dos carros destas. Porém, para bater Verstappen e a Red Bull este ano, tudo tem de ser perfeito e, desta feita, Alonso teve que superar algumas contrariedades e os pilotos da Ferrari erraram quando não podiam.

A Hamilton espremeu o seu Mercedes, mas neste domingo era impossível ir além de terceiro.

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