F1: GP da China será teste decisivo para nova regulamentação
O mundo da F1 ficou pouco agradado com o que viu na primeira corrida do ano, em Melbourne. A necessidade de lift and coast, o super clipping no final das retas e a velocidade a que os pilotos atacavam certas curvas criaram uma sensação generalizada de desapontamento face aos novos regulamentos. Mas a China, no próximo fim de semana, pode trazer uma realidade diferente.
Melbourne é um dos traçados mais fluídos da temporada, com exigência reduzida ao nível da travagem, o momento em que é recuperada a maior parte da energia armazenada nas baterias. Nesse aspeto, está ao nível de Monza ou da Arábia Saudita como um dos casos mais extremos de menor possibilidade de recuperação de energia.
Isso teve efeitos claros na capacidade dos monolugares para enfrentar as longas retas, especialmente entre as curvas 8 e 9 — uma secção curiosamente renovada há poucos anos para reduzir pontos de travagem e melhorar as possibilidades de ultrapassagem. Essa alteração fez parte de um esforço mais amplo para aumentar a fluidez de alguns circuitos, algo que levou também Abu Dhabi a redesenhar o setor 2 do seu traçado.
Não deixa de ser curioso que a filosofia que foi sendo gradualmente eliminada — secções mais sinuosas e com curvas lentas, pensadas para promover erros e melhorar o espetáculo (o que raramente aconteceu) — seria agora ser mais adequada para estes carros.
Mas a China poderá trazer um cenário diferente e reduzir o estado de alerta em que a F1 se encontra.
Data crunching for the #ChineseGP:
Drivers spend 16.3s on the brakes per lap (18% of the time).
The breakdown:
◾️3 Hard braking zones
◾️1 Medium
◾️3 Low pic.twitter.com/1KXpiGUQLJ
— Brembo (@BremboBrakes) March 10, 2026
O que dizem os dados da Brembo
À primeira vista, Albert Park e o Shanghai International Circuit são classificados pela Brembo como circuitos moderadamente exigentes para os travões. No entanto, por detrás da mesma classificação existe um perfil de travagem muito diferente — e isso tem implicações diretas na gestão de energia e no comportamento dos carros em pista.
Segundo os técnicos da Brembo, Albert Park mede 5,278 km e enquadra-se na categoria de circuitos moderadamente exigentes para os travões, com índice de dificuldade 3 em 5. Os travões são utilizados durante menos de 8,5 segundos por volta, o que corresponde a apenas 11% da duração da volta. Ao todo existem sete zonas de travagem: quatro fortes, duas médias e uma leve.
Já Xangai, com 5,451 km, também é classificado como pista moderadamente exigente, igualmente com índice 3 em 5. A diferença está no tempo efetivo de travagem: os travões são utilizados durante 16,6 segundos por volta, cerca de 18% da duração da volta — mais do dobro do tempo em travagem de Melbourne, apesar de um rótulo de dificuldade idêntico. Em vez de muitas pequenas travagens, Xangai combina três zonas fortes bem espaçadas entre si.
Importa ainda realçar que estes dados são de 2025 e que a diferença de peso dos monolugares pode mudar ligeiramente os valores que apresentamos como referência. Ainda assim, os dados permitem perceber o nível de exigência relativo de cada pista.
How tough is the Shanghai International Circuit on brakes? According to our engineers on the ground with the F1 Teams, it’s a 3 out of 5.
A 'moderately demanding' challenge where consistency is key. #F1 pic.twitter.com/UO5QWDtfqf
— Brembo (@BremboBrakes) March 9, 2026
Impacto na gestão de energia e no estilo de condução
Se olharmos apenas para a classificação “3/5”, Austrália e China parecem semelhantes no papel. Mas Melbourne oferece menos de 8,5 segundos de travagem e apenas 11% da volta com travões ativos, enquanto Xangai sobe para 16,6 segundos e 18%, praticamente duplicando o tempo útil para recuperar energia na travagem num sistema híbrido moderno.
Isso significa que, em termos de MGU-K, Xangai permite recuperar mais energia ao longo da volta e distribuir esse esforço em três travagens fortes, em vez de muitas intervenções curtas.
Na prática, um circuito como Albert Park tende a castigar mais a eficiência global do sistema híbrido: há menos janelas para carregar a bateria, pelo que as equipas precisam de gerir cuidadosamente onde e quando descarregar potência elétrica.
Em Xangai, a combinação da grande reta com uma travagem muito forte e mais tempo total em travagem alivia parte dessa pressão. No entanto, a longa reta oposta à reta da meta promete esgotar as baterias, trazendo o super clipping de novo para cima da mesa. E isso pode voltar a desagradar os fãs.

Teste decisivo
A F1 enfrenta, na sua segunda corrida do ano, um teste importante. Os novos regulamentos não convenceram e nem o número impressionante de ultrapassagens no GP da Austrália conseguiu suavizar a opinião da larga maioria.
Assim, o Grande Circo depende de uma corrida muito mais convincente em Xangai para evitar pressões por mudanças a curto prazo no regulamento técnico.
E como a perceção inicial já é negativa, não será fácil inverter essa narrativa. Ainda assim, pelo menos teremos um circuito muito diferente de Melbourne, o que permitirá aumentar a amostra e tirar conclusões mais ponderadas.
Foto: Philippe Nanchino/ MPS Agency
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