O que se passa na Mercedes? Trata-se de um abaixamento de forma temporário ou será mesmo um fim de ciclo da equipa germânica.
De 2014 a 2021, a Mercedes tornou-se na referência na F1. Os Flechas de Prata reinaram sem dó nem piedade, dominando uma era da F1, uma das mais bem sucedidas de sempre. Ferrari tentou algumas vezes colocar fim a esse domínio sem sucesso e foi a Red Bull a colocar o primeiro entrave sério à Mercedes. Mas foi apenas por um ano, em 2021. Em 2022 entrou uma nova era no desporto e a Mercedes parece ter perdido o toque de Midas. Como uma equipa tão forte e tão organizada pode parecer tão desnorteada como agora? A constante hemorragia de talento pode ser um dos motivos.
Nomes como Aldo Costa, Andy Cowell, James Allison, James Vowles deixaram um vazio difícil de preencher. A saída de muito pessoal da Mercedes para outras equipas (Aston Martin e Red Bull Power Trains) deixou ainda mais marcas. Durante muito tempo, as saídas da Mercedes foram colmatadas de forma mais ou menos pacífica, mas as mais recentes saídas terão pesado em demasia. Andy Cowell saiu pouco antes da entrada em cena dos novos combustíveis, James Allison saiu antes da revolução na aerodinâmica da F1, James Vowles deixou a equipa para assumir um novo desafio na Williams. As mudanças nos finais de ciclo fazem sentido, mas talvez tenham exposto fragilidades que se foram criando.
Talvez a Mercedes não seja a equipa que era há 2 ou 3 anos. Talvez seja preciso repensar alguns procedimentos, recolocar algumas pessoas e apostar noutros nomes. Talvez seja este o fim de ciclo, inevitável em tudo na vida, especialmente no desporto. Nenhum domínio dura para sempre, nenhuma equipa se mantém intocável. O teste de fogo da Mercedes começou no ano passado e prolongou-se para este ano. Será a Mercedes capaz de se reinventar. Será Toto Wolff capaz de fazer o que Christian Horner, Helmut Marko e Adrian Newey fizeram na Red Bull, que foi manter a espinha dorsal intocável, mantendo a Red Bull forte e coesa, mesmo em tempos maus? É uma tarefa dura para apenas um homem. Mas só assim a Mercedes poderá voltar ao topo. Mas parece claro que o ciclo vitorioso da Mercedes terminou. A Ferrari espera há quase 15 anos pelo regresso dos títulos. A McLaren aguarda há 25 anos por um título de construtores. O caso mais otimista é o da Red Bull que demorou “apenas” oito anos a regressar ao topo, isto com uma estrutura muito estável. Quanto tempo demorará a Mercedes?












