Depois daquele que terá sido o fim de semana mais agridoce do ano, a Ferrari continua na luta pelo título embora tenha sofrido um golpe tremendo no ego.
Lewis Hamilton sacou um coelho da cartola em Monza e fez o que a Mercedes talvez nunca tenha sonhado… bater a Ferrari em casa quando tudo estava a favor da Scuderia. Para a Ferrari foi um golpe tremendo pois é preciso recuar até 2010 para relembrar uma vitória em casa.
Para Maurizio Arrivabene o resultado foi uma desilusão mas os objectivos mantêm-se intactos:
“Não foi o resultado que queríamos dar aos nossos adeptos, que nos apoiaram em grande estilo durante todo o fim de semana, pelo que agradeço em nome de toda a equipa. Após a colisão na segunda chicane, Kimi teve que lutar sozinho contra dois adversários , enquanto Seb, com um carro muito danificado, lutou para subir na tabela. Sabemos que temos um carro muito forte, o que ficou claramente demonstrado pelo fato de monopolizarmos a primeira fila da grelha de partida. Agora, o importante é reagir como uma equipa, de maneira ordenada e determinada, sem nunca desistir. Ainda há um longo caminho a percorrer no campeonato e já estamos a preparar o próximo desafio em Singapura”.
Depois da corrida de Monza, onde a Ferrari deveria ter encurtado distâncias, Hamilton alargou a sua liderança e tem agora 30 pontos de vantagem sobre Vettel, a maior vantagem do ano. A imprensa italiana falou em “autogolo” e claro que a situação de Vettel está no centro das atenções, com o alemão a acumular erros de forma quase incompreensível. Nico Rosberg apontou o dedo ao tetra-campeão e avisou que se ele quiser levar a melhor sobre Hamilton, tem de acabar com este tipo de erros.
São para já quatro os grande erros de Vettel que definem a época. Em Baku uma travagem falhada fê-lo cair do segundo posto para fora do pódio. Em França um toque na primeira volta hipotecou as hipóteses de vitória e embora tenha feito uma boa recuperação, acabou em quarto. Na Alemanha deixou escapar a vitória a 17 voltas do fim, sozinho num erro que ainda hoje deve estar atravessado na garganta do germânico. Agora em Monza um incidente que custou novamente um lugar no pódio. São muitos pontos perdidos, pontos que facilmente dariam a liderança nesta fase do campeonato.
Vettel pareceu claramente agastado no final da qualificação, mas recusou-se a revelar o motivo. Pensou-se que seria pela ordem de saída para a pista na qualificação em que ficou duas vezes à frente de Kimi, sem aproveitar o cone de ar por, mas pelos vistos é uma regra da equipa em que um fim de semana fica um piloto à frente e no fim de semana seguinte essa ordem troca. Vettel admitiu que não fez uma volta perfeita e que se não ficou na pole a culpa era dele mas o mau estar que se instalou parecia indicar outra coisa.
Claro que a regra da ordem de saída para a pista mudar de prova a prova parece ser a mais justa, mas Vettel irá sair à frente de Raikkonen em Singapura, uma pista onde o cone de ar não é tão importante quanto em Monza. Talvez o problema estivesse mesmo aí e o piloto tivesse sentido que a equipa (ou até Kimi) deveria ter cedido o lugar pelo menos numa das saídas para a pista. Se Vettel largasse de primeiro o cenário seria completamente diferente e Kimi já dificilmente chega ao título pois a distância para Hamilton antes de Monza era de 85 pontos. A Ferrari, que nunca teve problemas em usar ordens de equipa e colocar pilotos com menos hipóteses de vencer o campeonato a trabalhar para o “nº1” neste fim de semana deixou isso de parte e Vettel ficou numa posição onde o erro se pagou muito mais caro.
Pela primeira vez em muitos anos a Ferrari tem um carro superior ao da concorrência. Nem nos tempos de Alonso em que a Scuderia lutou contra a Red Bull se podia dizer que o monolugar vermelho era superior ao Red Bull. Este ano sim essa evidência está comprovada. Mas a Ferrari precisa de jogar melhor as suas cartas. A Mercedes provou que não é preciso ter o melhor carro para vencer. A Ferrari já fez isso no passado e não se pode dar ao luxo de desperdiçar uma oportunidade destas. Kimi é um excelente piloto e infelizmente já teve o tratamento de piloto “nº2” demasiadas vezes para alguém com a sua qualidade, mas a luta pelo título é entre Hamilton e Vettel (que fez os melhores resultados desde início e por isso ficou em posição privilegiada para tentar o quinto ceptro). A Ferrari tem de ponderar muito bem os próximos passos pois chega à fase do ano onde em 2017 desperdiçaram o título e em 2018 esses fantasmas parecem querer regressar.











