F1: “Deixei a Fórmula 1 por medo de morrer” – Damon Hill
Damon Hill é uma figura histórica da Fórmula 1, e não apenas por ser um ex-campeão. O piloto britânico foi também o primeiro (e único, até ao momento) filho de um antigo campeão do mundo, Graham Hill, a emular o feito do pai nos quase setenta anos da modalidade, o que desde logo lhe garante um lugar no passeio da fama da categoria.
Conta ainda com 22 vitórias e 20 pole-positions em 122 corridas, e por aqui se vê como é um dos incontornáveis do desporto, até porque ao título obtido de 1996 juntam-se ainda dois vice-campeonatos (1994 e 1995) e um terceiro lugar (1993). Nada mau para quem apenas disputou sete campeonatos completos, concluindo a carreira na Jordan depois de passar, além da Williams, pela Arrows, no ano seguinte à obtenção da sua maior conquista, e pela Brabham, nos primórdios da carreira.
A vida de Hill, como se sabe, é marcada pela tragédia, e pela morte do seu pai quando era um adolescente com 15 anos. E foi esta, aliada à de Ayrton Senna, seu companheiro de equipa em 1994, que o levaram, em última análise, a abandonar a Fórmula 1 com medo de morrer – um temor que foi crescendo com a passagem dos anos a partir do momento em que o brasileiro perdeu a vida em Imola e que culminou então na sua retirada, em 1999. A revelação é feita 17 anos depois na sua autobiografia, “Watching the Wheels”:
“Com toda aquelas experiência de choque, estas coisas regressam. A dor e pesar que eu vivi quando o meu pai morreu”, conta, acerca da morte de Ayrton Senna, um sentimento que foi crescendo com a passagem dos anos.
“Queria sair. Sentia o que tinha acontecido ao meu pai e sabia que um acidente estava à minha espera em alguma curva. Pensava que ia morrer”, revela no seu livro, descrevendo o Grande Prémio de Suzuka de 1999, o último em que participou. Apesar de se ter dedicado à esposa, Georgie, e aos quatro filhos em comum, os medos não desapareceram:
“Não lia os jornais, e não vi corridas durante cinco ou seis anos. Durante a maior parte dos anos 90 desliguei-me de tudo. Em 2003 procurei ajuda. A terapia ajuda-nos a expressarmo-nos, a dizer o que sentimos. sobre aprender a expressar o que se está a sentir. Agora tenho momentos de ansiedade, mas nada como antes”.
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13 Setembro, 2016 at 14:52
Sempre achei o Damon Hill um gentleman e admirava a sua postura em pista. Grande corrida a de Suzuka 94.
Speedway
13 Setembro, 2016 at 15:47
Filho dum Grande do automobilismo,esteve longe de chegar ao nível do seu pai. Faltou-lhe alguma agressividade e killer instinct.. Muito parecido com o Coulthard neste aspecto, só que um foi campeão e o outro não. Hoje é um falante da Sky F1 juntamente com o M. Brundlee. A sua própria justificação do medo confirma isso mesmo. Mas estava a anos luz do N. Mansell, que foi o outro homem que o antecedeu na Williams, e que tinha tudo o que faltava ao Damon. Aparenta ser ser uma excelente pessoa, dotada de fina sensibilidade.
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13 Setembro, 2016 at 20:21
Todos tiveram carreiras diferentes e por isso dizer que está ao nível de um Coulthard ou que o Mansell tem tudo o que falta ao Damon…..é subjectivo e discutível. O Damon guiava de forma muito suave ao estilo do Prost, não desgastava a mecânica do carro como o Nigel e não se esqueça que o Damon desenvolveu enquanto piloto de testes e depois como piloto aqueles que foram os dois carros mais sofisticados de sempre na F1: o Williams FW14B e FW15C, de 1992 e 1993 respectivamente. O Damon era mais táctico o Nigel mais emocional, e têm um título de pilotos cada e estatísticas muito aproximadas.
Miguel Costa
13 Setembro, 2016 at 16:21
Apesar de ser um bom piloto, nunca o achei um fora de serie, mas sempre teve uma postura sóbria e nada arrogante para inglês, ganhou um titulo no ano de aprendizagem do Villeneuve, na altura em que a Williams era o carro a abater, e quase fazia uma das surpresas da história da F1 moderna, quando “quase” ganhava o GP da Hungria, com um Arrows se não me engano. Gosto de o ouvir na Sky, sabe do que fala.
Iceman07
13 Setembro, 2016 at 16:37
Ter perdido o pai Graham num acidente de avião e o companheiro de equipa num acidente trágico durante um GP deve ter sido muito duro. Respect!
Força Damon Hill.
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13 Setembro, 2016 at 19:59
Revela uma honestidade pouco comum nos dias de hoje…..dizer que abandona a F1 por receio de perder a vida pode parecer lamechas, então que dizer do tri-campeão mundial Jackie Stewart que decidiu abandonar a F1 depois de constatar o terrível acidente mortal do seu colega de equipa e melhor amigo François Cévert? O Damon, como já aqui algum forista escreveu e bem, passou pela morte do seu pai, pela falta de apoios na sua carreira quando estava na defunta Brabham e pela morte do seu colega de equipa Ayrton Senna, tendo que carregar o fardo de ser o seu substituto na restante época de 94 revelando uma capacidade de superação notável se bem que na melhor equipa, ainda para mais tendo como adversário um piloto do calibre de Michael Schumacher. Merece todo o nosso respeito por isso.
rodríguezbrm
14 Setembro, 2016 at 11:26
O Stewart já tinha decidjdo parar antes desse GP, que seria o seu 100.º, mas resolveu não fazer a corrida após o acidente do Cevert ( não leva acento como todos nós escrevíamos) nos treinos . Massacrado com os acidentes mortais ao longo da sua carreira. 57 em 11 anos, contabiliza ele na ultima “Motorsport”. Aí conta que o filho do Jo Bonnier, que era colega do seu na escola, ´2 semanas após o pai morrer (Le Mans /1972 )virou-se para este no autocarro escolar e disse: O meu pai morreu, e o teu vai ser o próximo”. Certamente o Damon também foi influenciado por estes anos trágicos nas pistas, mas suspeito que na mesma medida pelo facto do pai os ter deixado com dívidas sem fim.
Frenando_Afondo™
13 Setembro, 2016 at 20:49
Todos mencionam que Damon Hill só ganhou um título, quase em tom despreciativo… Ou porque é pouco, ou porque era o Villeneuve que era demasiado verde para o bater (ah e tal, então foi fácil), etc etc.
Esquecem-se que este senhor quase ganhou o título em 94, quando o Williams já não era o canhão de 93… E só não ganhou porque levou com uma manobra anti-desportiva de Schumahcer, que a FIA decidiu fechar os olhos.
Por isso não vejo como possa ser mau piloto, lutando contra o melhor carro, que até tinha uns sistemas algo manhosos que estavam banidos (sistema de tracção) e um piloto dotado como era schumacher, nesse mesmo ano em que viu o seu companheiro de equipa morrer e que pelos vistos o afectou e muito, por o fazer lembrar a morte do Pai. Parece-vos assim tão mau?
Pity
13 Setembro, 2016 at 22:22
Há um pormenor que não se pode ignorar: o Damon só chegou à Austrália em posição de lutar pelo título, porque o Schumacher foi desclassificado em duas corridas e levou mais duas de suspensão, todas bem aproveitadas pelo Hill, caso contrário, nem o “incidente” da Austrália tinha acontecido.
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14 Setembro, 2016 at 8:03
Está a partir de uma suposição, ninguém sabe o que teria acontecido se não tivesse sido penalizado, viu que em 1999 quando o Schumacher teve o acidente em Silverstone todos diziam que ia ser um passeio para o Hakkinen e foi tudo menos isso.
Pity
14 Setembro, 2016 at 10:08
Não estou a partir de nenhuma suposição, mas de factos. Hill ganhou 40 pontos a Schumacher devido a essas penalizações. Só isso permitiu que chegasse à última corrida a um ponto do alemão, pois até França, este tinha 66 pontos, contra os 29 de Hill. Schumacher foi desclassificado em Inglaterra e Bélgica e suspenso em Itália e Portugal, todas ganhas por Hill. Sem as penalizações, a diferença entre os dois seria: Hill a ganhar em Inglaterra com Schumacher em segundo, invertendo-se a situação na Bélgica. Não se sabe o que aconteceria em Itália e Portugal, mas como Hill ganhou, podemos supor que, no mínimo ficaria em segundo, logo, em vez de ganhar 20 pontos ao alemão, poderia ter perdido 8, ou ganho 8, caso o alemão fosse segundo. Todas as hipóteses favoráveis a Schumacher.
A situação de Hakkinen é diferente. Com efeito, toda a gente esperava um passeio do finlandês, mas a McLaren já não estava tão forte e a Ferrari virou (compreensivelmente) agulhas para Irvine. A sorte do Hakkinen é que esteve a lutar com Irvine, porque se fosse com Barrichello, por exemplo, não sei, não.
O Verstappen comeu o Hamilton de cebolada
14 Setembro, 2016 at 19:39
Mas se foi desclassificado é porque algum ilícito cometeu. Cumprimentos
Pity
14 Setembro, 2016 at 19:48
Claro que sim. Em Inglaterra, que teve duas voltas de lançamento, nas duas vezes Schumacher ultrapassou Hill, levou uma penalização, que não cumpriu, sendo bem desclassificado pelas regras da altura. Na Bélgica, a desclassificação é mais discutível, pois deveu-se ao facto de o patim de madeira, no fundo do carro, não ter a espessura exigida, aparentemente desgastado por uma saída de pista.
O Verstappen comeu o Hamilton de cebolada
14 Setembro, 2016 at 21:39
Isso foi a defesa da equipa. Deu-se como provado, dai a penalização, que a equipa usava o tal patim de madeira mais fino do que o regulamentar, para dai obter benefícios em termos de performance. Cumprimentos
neno2912
16 Setembro, 2016 at 2:34
Piloto de médio para baixo. Acabou, como muitos, tendo sorte em um carro vencedor e ganhou um título, mas nunca foi um fora de série