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F1: Choque de egos? | AutoSport

F1: Choque de egos?

Por a 9 Agosto 2022 09:15

Fernando Alonso surpreendeu tudo e todos ao trocar a Alpine pela Aston Martin a partir de 2023, com a motivação de um contrato de longa duração, mas lá encontrará Lawrence Stroll, alguém com um ego enorme e com quem nem sempre é fácil trabalhar, características que acompanham também o espanhol.

O bicampeão mundial de Fórmula 1 vai para a sua quinta equipa na categoria ao longo de mais de vinte anos, sem contar com regressos à McLaren e à Renault/Alpine, neste caso por duas vezes, e nem sempre escolheu o melhor caminho no momento certo. Desta feita a motivação para bater com a porta para rumar a uma nova casa prende-se com a necessidade de Alonso se sentir desejado no ambiente que o rodeia.

A Alpine pretendia oferecer um contrato de um ano ao espanhol, no máximo com um de opção do seu lado, de modo que o piloto de Oviedo pudesse abrir espaço para Oscar Piastri entrar na equipa em 2024, depois de uma temporada ao serviço da Williams.

Como se sabe, os planos dos homens da formação de Enstone implodiram espectacularmente, com Alonso a não se mostrar interessado em manter o lugar quente para um ‘jovem lobo’, rumando à Aston Martin, ao passo que o australiano também tinha suas próprias perspectivas, que passam pela McLaren, deixando a equipa da marca francesa numa situação difícil, dado que, de uma situação em que tinha três pilotos para dois lugares, tem agora dois assentos e apenas um piloto.

As motivações do espanhol para deixar a Alpine para ingressar na Aston Martin no próximo ano são evidentes – a vontade de Stroll lhe garantir um lugar nas próximas épocas e, numa segunda linha, Alonso acreditar que a formação de Silverstone tem potencial de crescimento, ao passo que a de Enstone poderá ter encontrado o tecto das suas capacidades.

Com a saída de Sebastian Vettel, que vai deixar a Fórmula 1 no final do ano, a Aston Martin precisava de um grande nome para substituir o alemão e, com o descontentamento de Alonso com a oferta da Alpine, o espanhol era uma opção evidente, sendo um claro ‘upgrade’ face ao tetracampeão mundial.

O Vettel dos últimos anos está longe daquele que conquistou quatro títulos consecutivos no início da década passada, batendo com dificuldade Lance Stroll, que muito embora seja visto pelo seu pai como um futuro Campeão Mundial, não é considerado mais que um piloto capaz com alguns momentos de brilhantismo ao longo da temporada, mas sem capacidade para liderar uma equipa.

Em Alonso a formação tem um líder nato e que lhe dará uma ideia precisa do que vale realmente o seu monolugar, algo que nem sempre se verifica presentemente, e com o espanhol a mostrar uma vontade férrea de continuar na Fórmula 1, o risco de lhe oferecer um contrato plurianual é baixíssimo, algo que talvez a Alpine não tenha entendido.

Para lá disso, a Aston Martin tem um plano ambicioso para se tornar numa das forças da grelha de partida a médio prazo, estando a investir massivamente, como demonstra a construção de uma nova fábrica que deverá estar terminada em Fevereiro do próximo ano e de um avançadíssimo túnel de vento que será concluído no final de 2023.

Também no campo o humano a formação de Aston Martin tem procurado evoluir, com contratações de elevado perfil realizadas na Red Bull, como é o caso de Dan Fallows, evidenciando o desejo de evoluir e seguir em frente para alcançar os seus objectivos.

Ao passo que a Alpine, apesar de ser uma equipa de fábrica, tens os seus próprios motores, tem estado muito quieta no mercado das contratações, tendo sido a última personalidade de relevo que recrutou Otmar Szafnauer que, em rota de colisão com Lawrence Stroll, decidiu deixar a Aston Martin.

Mas poderá ser precisamente a ambição e personalidade do canadiano a poder colocar alguns grãos na engrenagem da relação da equipa com Alonso.

No comunicado que a Aston Martin lançou para anunciar o espanhol, o líder do consórcio que detém a equipa e Alonso trocaram elogios, como é natural nestas situações, vivendo-se um período de ‘lua de mel’ que será estendido até ao primeiro dia em que algo não corra de acordo com as expectativas de umas das partes.

É do conhecimento de todos que Stroll é alguém que gosta que as coisas sejam feitas da sua forma, imiscuindo-se até na gestão diária da Aston Martin, situação que levou à saída de Szafnauer da equipa que liderou desde 2009.

É também sabido o foco que Lawrence obriga a que os responsáveis da equipa dediquem ao seu filho, Lance Stroll, havendo relatos de mau estar no seio das boxes da Aston Martin em episódios em que o jovem canadiano não alcança os resultados esperados.

A questão será saber como Alonso reagirá a importância que Stroll tem na sua equipa, sabendo-se que o espanhol exige que a estrutura lhe tenha especial atenção, algo que é justificável, dado o nível de performances que ainda hoje exibe consistentemente.

Estará pronto Lawrence Stroll pronto para que o seu filho tenha uma posição subalterna ao espanhol, situação que este, seguramente, esperará que aconteça por força dos resultados que expectavelmente alcançará?

Estará Alonso disponível sentir que a equipa que está a carregar para a frente da grelha de partida esteja focado nos problemas de um piloto que dificilmente poderá ser a bitola pelo qual se avaliará os sucessos da Aston Martin?

Serão as personalidades fortes do bicampeão mundial de Fórmula 1 e de Lawrence Stroll compatíveis num mundo tão competitivo como a categoria máxima?

Estas serão questões que tornarão a entrada de Alonso na Aston Martin num dos motivos de interesse da temporada de 2023, sabendo-se que caso exista um choque de personalidades a capacidade destrutiva destas duas personalidades poderá ser tremenda e atrasar, no mínimo, os planos da equipa de Silverstone.

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Pity
Pity
1 mês atrás

Excelente artigo, que me leva a questionar se não teremos, por razões diferentes, um 2007 revisitado.

userAS85147
userAS85147
1 mês atrás

A Alpine está a coleccionar uma série de embrulhadas administrativas que não conferem com a excelente componente técnica!

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