F1, Bernie Ecclestone: “Ou a Ferrari fez batota ou não…”

Por a 14 Abril 2020 14:30

O caso da unidade motriz da Ferrari não está a ter a mesma cobertura que deveria devido aos acontecimentos atuais, mas certamente continuará a dar que falar. Bernie Ecclestone deu a sua opinião.

As suspeitas sobre a unidade motriz da Ferrari começaram a surgir quando a evolução da unidade italiana surpreendeu os adversário. Em 2018 já tinham sido pedidos esclarecimentos a FIA que investigou e não encontrou qualquer irregularidade. No ano passado as dúvidas persistiram quando a Scuderia encontrou mais performance ainda, numa altura em que se pensava que as unidade híbridas tinham chegado ao ponto de uniformização de performance. Mais uma vez a FIA investigou o motor italiano e apesar de reconhecer a legalidade do mesmo lançou diretivas técnicas que, por coincidência ou não, surgiram na mesma altura em que se notou uma diminuição da performance da Ferrari.

A FIA concluiu a investigação e afirmou que não foi capaz de encontrar provas claras de que a Ferrari tinha feito batota, o que levou a FIA e a Ferrari a assinarem um acordo em que nada seria revelado publicamente, sendo publicado o célebre comunicado em que era dito, preto no branco, que as partes tinham chegado a uma espécie de acordo de confidencialidade.

As restantes equipas não ficaram satisfeitas e exigiram explicações, ameaçando levar o caso a tribunal, e Jean Todt, presidente da FIA disse que a Ferrari se opôs à publicação de esclarecimentos, um cenário estranho, pois era o presidente da entidade reguladora a dizer que estava de mãos atadas por uma equipa que compete num campeonato por si regulado.

Bernie Ecclestone, bem ao seu estilo deu a sua opinião:

“Eu nunca teria permitido isso”, disse ele ao Sport1. “O que é isso? Ou alguém fez batota ou não. A declaração da FIA parecia uma admissão de culpa da Ferrari. De que outra forma se envolveriam nisso em primeiro lugar?”

O ex-supremo da F1 pediu às equipas rivais que “processem” a FIA, pois têm todo o direito ao prémio em dinheiro, se a unidade de força da Ferrari for ilegal:

“As outras equipas agora devem ser duras e processar a FIA em caso de emergência”, acrescentou. “Afinal, estamos a falar de vários milhões de dólares em prémios a que têm direito.”

“Quando a McLaren se envolveu no escândalo de espionagem em 2007, não o deixei entrar em julgamento. Posteriormente desqualificamos a McLaren e aplicamos uma punição de100 milhões de dólares. As outras equipes logicamente subiram na tabela de prémios em dinheiro. Tudo foi processado de forma transparente. ”

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11 comentários

  1. jose melo

    14 Abril, 2020 at 14:34

    Outra vez?

  2. Pity

    14 Abril, 2020 at 14:42

    Enquanto não começar o campeonato, vamos ter “reprises” das séries com maior audiência, como a TVI Ficção faz com o “Inspector Max”. Entre estas, a Ferrari é a que rende mais, mas desta vez, concordo com o Bernie, ou sim, ou sopas.

  3. Scb

    14 Abril, 2020 at 14:53

    Sendo que com o Bernie seria não fez batota ou não fez batota.

  4. 831AB0

    14 Abril, 2020 at 15:32

    Será coincidência que as pretensas subida e queda no rendimento das unidades-motrizes da Ferrari tenham acontecido na mesma fase do campeonato em dois anos consecutivos?
    A Ferrari teve sempre motores muito potentes, mas com uma gama de utilização pouco elástica e montados em chassis que raramente são os melhores. Em consequência, anda bem na Bélgica e em Itália (mas note-se que os Ferrari ficaram muito longe dos Mercedes no Hungaroring), assim-assim em Singapura, bem na Rússia e menos bem nos circuitos daí em diante, nos quais é necessária uma boa curva de utilização da potência e um bom chassis (Suzuka, COTA, México, Brasil). Em 2018 e 2019, foi exactamente isto que aconteceu: a Ferrari esteve muito rápida em Spa e Monza, perdeu um pouco em Singapura (em 2019, graças a uma melhoria substancial na aerodinâmica), esteve bem na Rússia (embora com os Mercedes muito perto) e perdeu um pouco daí em diante. Claro que alguns tentaram explorar esta aparente quebra de rendimento após a Rússia alegando pretensas irregularidades nos motores Ferrari nas corridas anteriores, mas ninguém lavrou um protesto. Por que terá sido? Se tinham tanta certeza, por que não o fizeram?
    Acresce a isto que os Ferrari nunca tiveram a supremacia que alguns querem que se pense ter existido. Mesmo em Monza, o Hamilton esteve sempre colado ao Leclerc, e podia ter vencido em Spa se não fosse a ajuda que o Vettel deu ao Leclerc. Por isso, a ideia de que os Ferrari eram uma espécie de dragsters que ganhavam 1 segundo nas rectas – sim, cheguei a ler isto! – não passa de uma parvoíce.
    Por outro lado, ou os motores Ferrari nunca estiveram irregulares ou estiveram, mas a FIA não teve meios para provar a irregularidade. Em ambas as hipóteses a FIA devia ter absolvido. Se se absolve um homicida por não haver provas, por que não havia de se absolver uma pretensa infracção técnica que não ficou provada? O que não pode ser é a FIA ficar nas meias-tintas, invocando uma pretensa sanção (que podia ser a quantidade irregular de combustível detectada no carro do Leclerc no GP de Abu Dhabi), assim deixando no ar a ideia de que os motores da Ferrari estavam irregulares, mas ao mesmo tempo vir dizer que não conseguiu provar a infracção. Desta vez tenho de dar razão ao tio Bernie: estas são questões de sim ou não nas quais não pode haver lugar a ambiguidades.

  5. gearless02

    14 Abril, 2020 at 17:26

    Isto é como a conversa das vizinhas (os), é melhor assim senão ainda me chamam nomes…
    Ouvi dizer… mas sabe se é verdade?… não sei, mas ouvi dizer… e a quem ouviu dizer?… por aí, mas diz-se… mas então o que você acha?… quem eu? Eu não tenho opinião, mas que se diz, diz…

  6. Fast Turtle

    14 Abril, 2020 at 18:48

    Cada tiro cada melro…

    Nao ha jornalistas na AS imparciais em relação a Ferrari??

    No primeiro parágrafo da logo para ver…

  7. RedDevil

    14 Abril, 2020 at 22:12

    Se a Ferrari estivesse a fazer “batota” e a FIA quisesse encobrir… a história não vinha a público da forma que veio… pouco inteligente para quem quer “esconder” alguma coisa… haverá algo mais…
    Para mim, há duas hipóteses, ou a Ferrari tem alguma solução nova que não quer ver publicada ou a Ferrari fez mesmo batota e alguém da FIA partilhou informação confidencial com outra equipa e a FIA está com o “rabo preso” (o afastamento da Mercedes não deverá ser ingénuo)…

  8. Nrpm

    15 Abril, 2020 at 13:01

    Um orgao federativo internacional, não pode fazer joguinhos com uma equipa e com os regulamentos que se impõem a todos, a que todos dão anuência e estão obrigados. Se há uma irregularidade ou não, a FIA tem de divulgar as conclusões, sem malabarismos, diplomacias ocas ou meias verdades.
    Tanto faz ser na garagem italiana, como nas outras, o que lá é fiscalizado, e os relatórios técnicos que daí resultam, tem de ser do conhecimento de todos. Não sendo assim tudo é suspeito e dubio.
    Põe á vista a tendência do presidente, que veio de onde todos sabemos.
    Não basta querer ser honesto, também é preciso parecer sê-lo.

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