Desde o arranque da era híbrida, em 2014, a Mercedes conseguiu 102 vitórias em sete épocas, conquistando sete títulos de construtores e sete títulos de pilotos. A equipa germânica tem sido claramente a referência, sendo importunada pontualmente pela Ferrari, sem que a Scuderia conseguisse realmente levar a luta até ao fim. Foi preciso chegar a 2021 e ao último ano destes regulamentos técnicos para vermos a Mercedes finalmente pressionada e com um adversário de peso. O ano começou mal para os Flechas de Prata, embora os testes de pré temporada sejam sempre uma má amostra para o que se segue. Ainda assim, o ritmo não convencia e quem se destacava era a Red Bull. O campeonato manteve-se relativamente equilibrado nas primeiras jornadas, mas ficava a sensação que a Red Bull tinha alguma vantagem e que a Mercedes estava a maximizar todo o seu potencial. Chegou então o Mónaco e as fragilidades do W12 ficaram a nu, tal como no Azerbaijão, seguindo-se mais três provas sem vencer. Apenas após o polémico GP de Grã Bretanha e o atribulado GP da Hungria a Mercedes voltou ao topo.
A equipa alemã tem revelado algumas fragilidades que raramente foram expostas até agora. A maior pressão da Red Bull tem provocado mais erros, quer no plano desportivo com estratégias menos conseguidas, quer no plano da comunicação do Toto Wolff a perder por vezes a compostura, apesar de no geral a nota ainda ser claramente positiva nesses capítulos. Mas temos visto a mesma sede de vitória, resiliência e qualidade no desenvolvimento do carro.
Do lado dos pilotos, Lewis Hamilton mantém um nível tremendo. É verdade que tem tido a sorte do seu lado e não tem sofrido tantos percalços quanto o seu adversário direto, mas tem aproveitado todas as oportunidades que lhe foram apresentadas para vencer ou pontuar. Na luta direta com Max Verstappen estava a ficar por baixo, com o neerlandês a levar regularmente a melhor nos confrontos roda com roda e talvez Silverstone tenha sido, além de um incidente de corrida, uma afirmação clara do heptacampeão. Hamilton pode não estar a 100% fisicamente (como se viu no final da corrida húngara) mas mantém todos predicados que fazem dele um dos melhores de sempre.
Já Valtteri Bottas continua a não convencer, uma frase tantas vezes repetida. Incidentes, erros e falta de ritmo atiraram o finlandês para quarto, atrás de Lando Norris. Num ano decisivo para o seu futuro, pareceu inicialmente olhar apenas para si (o episódio em Barcelona, em que dificultou a ultrapassagem de Hamilton, foi um sinal), mas agora está claramente com o chip de “team player” e não se importa de ajudar Lewis. As próximas semanas deverão ditar o destino do #77, mas já se pode dizer que desperdiçou uma oportunidade de ouro na Mercedes e se ficar na equipa, não é certamente pelo que fez nesta metade de época.









