F1: As decisões Bottas e Ocon
O mercado começa a ficar decidido. Com as confirmações da permanência de Valtteri Bottas e o regresso de Esteban Ocon, a Silly Season deverá encaminhar-se agora para os “episódios finais”.
Bottas a opção certa para a Mercedes?
Valtteri Bottas está desde 2013 na F1 e desde 2017 na Mercedes. O finlandês de 30 anos iniciou a sua carreira na F1 com a Williams e foi chamado para substituir Nico Rosberg, que terminou a carreira após conquistar o titulo de 2016. Bottas chegou com o rótulo de Nº2, mas com a vontade de aproveitar a oportunidade de ouro para se evidenciar e tentar lutar pelo título. O começo na Mercedes não foi muito positivo com alguns erros e um ritmo abaixo do de Lewis Hamilton, mas conseguiu a sua primeira vitória na F1 na Rússia logo nesse ano, à qual juntou mais duas. 2018 foi um ano para esquecer, muito abaixo do esperado e com prestações péssimas, mas manteve-se para 2019. Chegou com vontade de provar a todos que tem capacidade para lutar pelo título, mas essa vontade depressa se esfumou e Bottas, apesar de estar melhor que em 2018 não tem mostrado argumentos para desafiar Hamilton.
Pode questionar-se a manutenção de um piloto que não tem acrescentado nada de novo à equipa, mas a sua permanência faz sentido. É um bom nº 2 e não dá problemas quando a equipa dá ordens, mesmo que o prejudiquem, como aconteceu na Rússia em 2018, quando tinha a vitória na mão. Além disso, a relação com Hamilton é saudável e de respeito mutuo. O equilíbrio e a harmonia que reina na Mercedes é saudável e muito melhor do que nos tempos com Rosberg. A entrada de outro piloto poderia levar à quebra dessa harmonia. Há também os aspectos técnicos e de desenvolvimento do carro. Os engenheiros conhecem Bottas, sabem que tipo de feedback o finlandês dá e isso pode ser importante quando o carro de 2020 está a ser desenvolvido e o de 2021 está na calha. A equipa está confortável com o finlandês e uma mudança agora não traria benefícios. Para 2021 o cenário deverá ser diferente até porque a Mercedes deverá começar a olhar para o futuro (George Russell), mas a curto prazo é uma solução que beneficia todas as partes.
Ocon na Renault
A decisão de trocar Nico Hulkenberg por Esteban Ocon é menos fácil de entender. Hulkenberg está também desde 2017 na Renault e desde então tem sido o piloto a garantir os melhores resultados da equipa. No ano passado foi o melhor do virtual “campeonato B” e a sua qualidade não precisa de mais análises. Juntamente com Daniel Ricciardo fazem uma dupla interessante e completamente desaproveitada pelo trabalho fraco da Renault. A sua saída pode parecer algo injusta, mas a Renault assim consegue colocar um piloto francês ao volante da sua máquina o que é importante para o marketing. Além disso cumpre com a palavra que deu no ano passado, quando Ocon tinha via aberta para a Renault mas foi “ultrapassado” por Ricciardo, bem mais apetecível. E com esta mudança a equipa olha para o futuro. Sem dúvida que 2019 não tratará os sucessos desejados e 2020 será um ano de preparação para 2021. Assim, colocando já a jovem estrela do futuro, prepara uma possível saída de Ricciardo, que não hesitará se tiver propostas mais aliciantes e dá um ano de adaptação à equipa a Ocon, tendo tudo preparado para os novos regulamentos. Hulkenberg não era parte do futuro com 32 anos (e o falhanço na Alemanha onde poderia ter ido ao pódio deverá ter feito pensar os responsáveis da equipa).
Ocon mostrou qualidade e potencial para se assumir como uma das referências do futuro. A forma como suplantou Pascal Wehrlein na luta pela vaga na Force India e a forma como conseguiu mostrar um ritmo semelhante a Sergio Pérez, que não é mau piloto, são bons indicadores para o futuro. Ficou sem lugar na F1 porque, como disse Hulkenberg, nem sempre as prestações em pista são o mais importante. Tem uma oportunidade boa nas mãos, com uma equipa de fábrica, do seu país e com vontade de ter sucesso.
Para Nico Hulkenberg o destino deverá ser a Haas. Uma equipa que já mostrou que pode fazer muito com pouco e que permitirá ao alemão manter-se na F1. Dificilmente um lugar numa equipa de top se abrirá… a não ser que Alex Albon não convença. Se o jovem que começa agora a sua caminhada com a Red Bull não se conseguir impor e Helmut Marko for obrigado a olhar para fora da Red Bull, Hulkenberg é a opção óbvia para colega de Verstappen. O mais certo é o alemão manter-se na F1 mais uns anos.
Não deixa de ser interessante ver que este ano foi a Mercedes a definir as decisões mais importantes do mercado. Estas duas decisões tiveram dedo de Toto Wolff que manteve Bottas e consegui cumprir a promessa de colocar Ocon na F1.
Estão assim definidas duas das principais mudanças na F1. Veremos que efeitos secundários advêm destas mexidas. Romain Grosjean pode ser uma das vítimas.
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