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Demasiada segurança retira a magia à Fórmula 1?

Fábio Mendes by Fábio Mendes
18 Outubro, 2017
in Destaque Homepage, F1, FÓRMULA 1
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GP Japão F1: Bottas com penalização de cinco lugares na grelha

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A F1 desde sempre despertou paixões fortes. A velocidade, a inovação, a competição, as equipas e acima de tudo… os pilotos. Os heróis de capacete que lutam em pista, numa procura incessante pela vitória. Não podemos fugir ao facto que a peça mais importante na engrenagem da fama da F1 são os pilotos. É ponto assente que na F1 apenas tem lugar os melhores (e alguns sortudos com os bolsos mais fundos é certo).

Até os anos 60, os pilotos eram admirados mas pouco protegidos. A F1 era perigosa na sua essência e não fazia sentido alterar nada. Os pilotos conheciam os riscos que corriam e o público aceitava que podia ver cenas pouco recomendáveis. Até que Jackie Stewart se fartou de ver colegas e amigos morrerem e iniciou um movimento pela segurança na F1, que ganhou ainda mais força com o acidente de Niki Lauda no Inferno Verde dos Nordschleife, que quase lhe custava a vida.

A caminhada em busca por uma F1 mais segura foi sendo feita progressivamente até 1994, ano da morte de um dos maiores nomes do desporto, e um dos mais carismáticos pilotos a passar pelas pistas. A perda de Ayrton Senna marcou uma geração e deu novo impulso para que a F1 desenvolvesse mecanismos de proteção dos pilotos. A inevitabilidade da morte em pista deixou de fazer qualquer sentido e o nível de segurança atingiu níveis de excelência.

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Mas começa agora a surgir uma dúvida. Estará a F1 hoje em dia demasiado segura? Será que a procura pela segurança ótima está a tirar a magia à competição? Niki Lauda acha que sim, e defende que se a segurança for exagerada, poderá retirar o fascínio aos adeptos. O argumento é simples: se temos os melhores pilotos, eles sabem como evitar situações mais complicadas e conseguem andar no fio da navalha durante mais de 50 voltas. Se o campeonato existe para coroar o melhor piloto do ano, e se um campeonato de F1 é um dos mais importantes troféus que se pode conquistar, faz sentido para o ex-piloto austríaco que não se caminhe para uma F1 demasiado asséptica.

O caso do Halo é o exemplo mais concreto que se pode dar. A FIA quer implementar o sistema para assegurar que uma das partes mais sensíveis fique protegida… a cabeça do piloto. Mas o efeito estético não agrada à grande maioria, que considera o Halo uma aberração e que compromete o espírito dos monolugares. A isso poderemos juntar as enormes escapatórias que não ‘castigam’ tanto os pilotos que não respeitam os limites de pista.

Do outro lado da barricada está Stewart, acérrimo defensor da segurança e por conseguinte apreciador da ideia do Halo, tendo mesmo afirmado que as críticas que se ouvem sobre o dispositivo são exatamente as mesmas que se ouviram nos anos 60.

Dizem-nos que a história está condenada a repetir-se e o debate da F1 atual é por vezes assustadoramente semelhante ao que se viveu nos anos 60. No entanto a realidade é diferente e um piloto de F1 sabe que se tiver um acidente tem grandes probabilidades de sair pelo seu próprio pé. Que fazer neste caso? Tal como na questão dos motores para depois de 2020, a F1 terá de encontrar um equilíbrio difícil de conseguir, agradando os fãs e não prejudicando o espetáculo adorado por milhões, mas ao mesmo tempo não poderá nunca baixar a guarda em busca de novas soluções. E se dois dos nomes mais importantes da história da F1 e defensores intransigentes da segurança em pista não estão de acordo, que tipo de conclusão se pode retirar? Os adeptos terão também a sua palavra a dizer.

E o que pensa o caro leitor deste assunto? Não fazer concessões à segurança, ou sem o risco envolvido a F1 não é a mesma coisa?

Fábio Mendes

[soliloquy id=”336804″]

Fábio Mendes

Fábio Mendes

Em 2013 criei um blog com um grupo de amigos, que me abriu as portas para o fantástico mundo do motorsport e do AutoSport, onde escrevo desde 2017.

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22 Comentários
ro19071725
ro19071725
8 anos atrás

Sim, principalmente nos traçados novos, em que as escapatórias têm margens enormes de saída, ao ponto do piloto não “fugir” muito do seu limite… acho um exagero.

Chicanalysis
Chicanalysis
Reply to  ro19071725
8 anos atrás

Provavelmente não se lembrou que nos mesmos circuitos em que existem essas escapatória “exageradas” também se realizam corridas de motas por exemplo, e que no fim até pode existir uma bancada cheia de pessoas para quem não será muito agradavel apanhar com uma roda nos cor..s.

Pity
Pity
8 anos atrás

Quem escreve este comentário, é alguém que se interessou pela F1, por causa de um acidente, em que, felizmente, o piloto saiu ileso. foi espectacular, mas nem todos têm a mesma sorte. É por isso que eu acho que tudo o que puder ser feito para melhorar a segurança, deve ser feito. O Halo é uma aberração, mas se salvar uma vida, terá valido a pena. Não acho que a demasiada segurança retire a magia à F1, até porque nunca atingiremos a segurança total. Haverá sempre um quê de imponderável. Não sei o que pensam os outros, mas eu não… Ler mais »

Sr. Dr. HHister
Sr. Dr. HHister
Reply to  Pity
8 anos atrás

Eu quero ver gente a morrer!

Estou a gozar obviamente. Nem pernas partidas. O que eu gostava mesmo é que os traçados e os carros fossem pensados para segurança máxima e diversão máxima no limite. Mais segurança deve ser equilibrada com regras mais liberais.

Não me chateies
Não me chateies
Reply to  Pity
8 anos atrás

Então não vê moto GP? Como impedir as quedas dos pilotos? Colocamos rodinhas? Se a
F1 não pode continuar como está, rodas abertas e capacetes à vista, convertam-na numa LMP1 sprint, corridas de 1h 30 só com um piloto, com chassis mais leves que os actuais LMP1.

Pity
Pity
Reply to  Não me chateies
8 anos atrás

Não, não vejo Moto GP. Não consigo, faz-me aflição quando os vejo todos tombados. tenho espreitado algumas qualificações do Miguel Oliveira (à hora da corrida geralmente não estou em casa), e como vejo em inglês, aflijo-me de cada vez que o comentador dá um dos seus “oh!”
É que ao contrário da F1, a primeira vez que vi uma corrida de motos, foi aquela em que o Wayne Rainey teve o acidente que o deixou paraplégico. Não foi uma experiência nada agradável.
Infelizmente, os pilotos de motos não têm muito por onde melhorar a sua segurança.

Ma Ling Hua
Ma Ling Hua
Reply to  Pity
8 anos atrás

Felizmente até têm melhorado muitíssimo a segurança, a começar precisamente pelas longas escapatórias que o outro lá em cima critica e com fatos e estruturas no seu interior que quase me fazem acreditar em magia.
Tenho pena que não consiga assistir às corridas porque, nos últimos tempos, metem a F1 num chinelo.

Blurr
Blurr
8 anos atrás

Tudo se resume a uma questão de.. quantidade.. O acidente do Bianchi não se deve ao facto de ter tido ou não o halo mas sim de ter uma grua na pista. E o Massa levou com a mola provavelmente levava com ela na mesma pois o halo poderia deixar passar a mola entre as aberturas. Acontece sempre o mesmo na industria automóvel. Não interessa o que é necessário para aumentar a segurança, mas sim o quanto vai servir. Se um airbag apenas ajudasse num acidente num ratio de 1 acidente em cada 100.000 não teria sido obrigatório. E isto… Ler mais »

Chicanalysis
Chicanalysis
Reply to  Blurr
8 anos atrás

Pode ter a certeza que o halo teria evitado o acidente do Massa. A mola só teria a possibilidade de passar pelos intervalos se o carro estivesse parado, o movimento do carro dá ao halo um efeito de varrimento.

Blurr
Blurr
Reply to  Chicanalysis
8 anos atrás

Não tenho conhecimento técnico para dizer se sim se não e como tal vou seguir a tua resposta. Mas independente disso a minha questão mantêm-se.

Houve um acidente com um miudo Billy Monger na F4 que demonstra bem que em choques frontais a alta velocidade os carros não conseguem absorver o acidente. Sei que um carro de F4 provalvelmente não é tão resistente mas a questão que se coloca é que isso não deveria significar que temos que aumentar os carros em 1 metro à frente do condutor para fazer áreas de absorção de energia.

Não me chateies
Não me chateies
Reply to  Blurr
8 anos atrás

Começava pelos cintos de segurança, aplicava o modelo de arnês aos carros particulares. Uso obrigatório de Hans e Capacete. Com uma desaceleração brusca podemos ficar tetraplégicos, se não tivermos estes equipamentos.

Jabba
Jabba
8 anos atrás

Eu penso que o mais importante é a maestria e bravura de um piloto serem reconhecidas pelos adeptos. Isto não quer dizer que a segurança seja descurada, mas é o ponto essencial para os adpetos realmente se interessarem por esta competição. Antes quem saía de pista por vezes não voltava, havia muito mais problemas mecânicos, e os carros eram muito mais difíceis de andar no limite, tudo factores que causavam incerteza e que permitiam aos pilotos fazerem a diferença. A F1 antes não tinha tanto controlo a nivel de restrições técnicas e essa era a arma das equipas, que encontravam… Ler mais »

Chicanalysis
Chicanalysis
8 anos atrás

Por mim, admito que é excitante ver um carro espatifar-se desfazendo-se em pedaços ou voando em cambalhotas descontroladas, de preferência a arder, tudo com o piloto lá dentro. É sem dúvida um dos pontos mais altos do espetáculo e gosto de ver a repetição umas tantas vezes. Mas também vos garanto que muito melhor sensação do que essa adrenalina é a sensação de alívio quando vejo o piloto a sair intacto do que sobra da viatura. Isto faz de mim um sádico ou um chato dum adepto da segurança extrema ? Se calhar existe um pouco de cada em cada… Ler mais »

Sr. Dr. HHister
Sr. Dr. HHister
Reply to  Chicanalysis
8 anos atrás

Concordo, daí eu achar que se deve aumentar a segurança e tornar as regras mais largas. O que a mim me enerva é as indecisões da FIA.

Frenando_Afondo™
Frenando_Afondo™
Reply to  Chicanalysis
8 anos atrás

Eu acho que deviam acabar com a segurança e colocar sistemas para evitar que fossem fora das trajectórias, por exemplo, uma Minigun automática, que assim que pisam fora da pista, metralha o monolugar todo. Ou então misséis. Ou martelos gigantes que esmagam o carro e o piloto. Ou Dragões, também servia. Dentro do carro, deviam colocar um espigão no volante e se tivessem um acidente, eram atravessados por ele, andavam todos direitinhos.

Isso sim era excitante.

Chicanalysis
Chicanalysis
Reply to  Frenando_Afondo™
8 anos atrás

Ó homem, estás a deixar os haters a babarem-se todos. Haaaaaa! Çaaangue!!!

Pity
Pity
Reply to  Frenando_Afondo™
8 anos atrás

Bem humorado, sim senhor.

Frenando_Afondo™
Frenando_Afondo™
8 anos atrás

Como funciona a mente de um adepto hater: – Pilotos ficam presos na escapatória de gravilha e não podem continuar a corrida: “ah e tal, o gajo tal só ganhou porque o gajo qual teve um percalço e ficou na gravilha, se não nem ao lugar tal chegaria”. – Pilotos conseguem controlar o carro por causa da trajectória de asfalto, permitindo assim ter mais carros em pista durante a corrida: “ah e tal, são uns meninos, sem as trajectórias de asfalto não acabam a corrida, hoje em dia não há pilotos a sério bla bla bla”. – Alonso é projectado… Ler mais »

João Pereira
João Pereira
8 anos atrás

É assim: há que evitar “sangue”, mas pessoalmente, estou claramente contra o “chinelo”. É francamente aberrante, e só se lembraram disso por causa do Bianchi, que não acredito que tivesse beneficiado se tivesse aquela coisa, no entanto, não tenho dúvidas que Henry Surtees se teria salvado. Justin Wilson talvez sim, Felipe Massa talvez não. Quanto às escapatórias, creio que devem existir espaçosas,mas não devem permitir que um piloto passe por lá sem danos no carro. Devem ser criados obstáculos, que tenham que ser contornados, caso contrário o piloto ficará com danos nas asas, flancos ou fundo plano, que implicarão reparação,… Ler mais »

Blurr
Blurr
Reply to  João Pereira
8 anos atrás

Na questão das escapatórias danos não acho bem mas sim que percam muito tempo. Não sei o que poderá ser mas algo que, ao ir à escapatória perdem tanto tempo que nem querem colocar lá um milímetro de roda.

A exemplo do que digo em Suzuka na curva 13 Kimi saiu de estrada e perdeu tempo pois era de asfalto mas a primeira parte da escapatória era a relva artificial que nem vale a pena por a roda lá senão estás tramado. Caso seja despiste a seguir é asfalto à relva que segura o carro

Ma Ling Hua
Ma Ling Hua
Reply to  Blurr
8 anos atrás

Acho que o problema da relva é que quase aumentava ainda mais a velocidade do carro descontrolado em vez de a absorver como o faz a gravilha.

asfalto
asfalto
8 anos atrás

Claro que demasiada segurança retira magia, não só em corridas de F1, mas em geral. Basta olhar o publico quando temos corridas no estoril, e olhar para Vila Real.

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