Crónica GP do México F1: Ferrari enganada pela Mercedes
Por José Manuel Costa
Tinha tudo para ganhar depois de Max Verstappen ter atirado pela janela uma ‘pole position’ e a possibilidade de incomodar Ferrari e Mercedes na luta pela vitória. Fizeram uma excelente largada e controlaram os adversários, mas assim que a Mercedes se mexeu estrategicamente, a Ferrari ‘borrou-se’ e o disparate nasceu: parou de forma absolutamente disparatada Charles Leclerc para uma serôdia troca de pneus que o deixou fora da luta pela vitória e permitiu a Hamilton ganhar uma corrida para a qual não era favorito.
Contas feitas, com duas paragens e uma delas estupidamente lenta o monegasco conseguiu ficar pertinho do pódio. Ou seja, teria sido uma vitória fácil para Charles Leclerc. Assim, o monegasco ficou fora do pódio sem necessidade nenhuma, Hamilton venceu nas barbas da Ferrari e os italianos têm, de uma vez por todas, deixar-se de tibiezas e seguir o plano delineado antes da corrida sem e preocupar com a Mercedes. Perderam um título no AbuDhabi, em 2010, com Fernando Alonso, exatamente por estas fraquezas táticas face, na época, à RedBull.
Uma vez mais a Mercedes lançou o isco e a Ferrari engoliu anzol, linha e cana, tendo Toto Wolff e os seus rapazes a capacidade de fazer destas coisas à Ferrari porque tem ao volante do seu W10 um moço chamado Lewis Hamilton. Fabulosa corrida do penta campeão do Mundo, quase hexa campeão, a suportar uma paragem demasiado cedo – imperiosa para enganar a Ferrari – a entrar no jogo ao dizer no rádio “paramos demasiado cedo”, “paramos demasiado cedo”, e a levar à linha de meta um W10 inferiorizado após ter andado aos toques com Max Verstappen e com pneus que estavam perto dos limites.
Nas últimas voltas, Hamilton parecia andar em cima de gelo, mas a sua classe foi mais que suficiente para chegar a uma vitória que o deixa com mão e meia no título de 2019.
Enfim, uma corrida fabulosa de Lewis Hamilton, excelente a forma como a Mercedes desenhou a estratégia, uma vez mais mal a Ferrari que salvou um segundo lugar numa corrida onde podia ter ganho, não com Vettel, mas com Leclerc. E terá sido isso que ajudou os italianos a hesitarem e a sacrificarem o monegasco em favor do alemão. Debalde, pois não ganharam e começam a deixar irritado o monegasco que tem os olhos de outras equipas (leia-se Mercedes) em cima das suas exibições.
Verstappen perdeu tudo com o erro na qualificação e prolongou o disparate com os toques logo nas primeiras curvas que provocaram um furo na roda traseira direita, atirando-o para o último lugar com meia dúzia de voltas cumpridas. Recuperou, mas deixou de ser importante para o papel de ator principal de uma corrida que ganhou nos dois últimos anos, deixando uma vez mais a imagem de qualidade ao volante, mas algum défice estratégico.
Ainda houve tempo para Daniil Kvyatt tudo fazer para perder pontos no final da corrida, ao acertar na última volta no Renault de Nico Hulkenberg, para Sérgio Perez fazer o costume, ou seja, terminar em sétimo e para Alex Albon manter esperanças de continuar na RedBull em 2020, fechando a prova no quinto lugar na frente de Max Verstappen. Destaque ainda para o sacrifício de Daniel Ricciardo, que levou o seu Renault a fazer quase toda a corrida com os pneus duros para chegar em oitavo.
Uma ‘corridaça’ de Lewis Hamilton, uma prova que deixou todos agarrados às imagens para perceber se o britânico iria ou não ceder e se a Ferrari iria recuperar ou não da escorregadela tática. Nada mudou até final, mas que foi uma grande corrida, lá isso foi. Azias fortes para Charles Leclerc – deveria estar lívido no final da corrida perante a maldade que lhe fizeram – para Daniel Ricciardo (deve andar farto da pobreza franciscana da Renault) e para Valteri Bottas (não passou de figurante quando era o único que podia roubar o título).
Curiosamente, o ano passado não foi ao pódio e sagrou-se campeão do Mundo, este ano ganhou e vai ter de esperar pelo Grande Prémio dos Estados Unidos da América, em Austin, para se tornar hexacampeão do Mundo de Fórmula 1. Mas faltam a Lewis Hamilton apenas quatro pontos para ficar mais perto do recorde de Michael Schumacher.

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