Combustível 100% sustentável testado na Fórmula 2 e 3…com vista à F1

Por a 27 Abril 2025 17:45

Há lições importantes que a F1 está a aprender com o desenvolvimento de combustíveis sustentáveis na F2 e F3. A ideia é ‘preparar’ 2026.

A inovação na Fórmula 1 vai muito para além do visual dos carros e, com a mudança de regulamento prevista para 2026, o desenvolvimento de combustíveis sustentáveis ganhou imenso protagonismo. As Fórmula 2 e 3 já estão a usar o combustível 100% sustentável, desenvolvido em parceria com a Aramco, antecipando uma meta inicialmente prevista para 2026.

Bruno Michel, CEO da F2 e F3 explica que se deu início à parceria com a Aramco há já alguns anos “com um combustível 55% sustentável, planeando chegar a 100% em 2026. Mas, graças ao trabalho fantástico da Aramco, conseguimos antecipar isso para esta temporada”.

O conceito de combustível “drop-in” — compatível com os motores atuais sem necessidade de modificações — também tem sido testado com sucesso. Segundo Nikolas Tombazis, diretor da FIA para monolugares: “Certificar que a performance seja semelhante na F2 é um primeiro passo importante. Essas lições estão a ser consideradas para a F1.”

Bruno Michel acrescenta ainda que a introdução do combustível não afetou o desempenho ou a fiabilidade: “Testámos vários combustíveis e fizemos muitos quilómetros no dinamómetro e no carro de desenvolvimento antes de libertar o combustível para a pista e o desempenho e a fiabilidade estão lá. Agora só precisamos de continuar nesse caminho.”

Além disso, o impacto dessa inovação pode ir além das pistas, contribuindo para a indústria automóvel em geral. Michot destaca: “Quando falamos de combustíveis sustentáveis, é essencial garantir que todo o ciclo de produção seja também sustentável. A Aramco está a trabalhar para que a energia usada na produção venha de fontes sustentáveis.”

A Aramco já trabalha para ampliar a produção de combustíveis sustentáveis e atingir o mercado de massa no futuro e o próximo passo para a F2 e F3 será a adoção de combustível totalmente sintético. Michel confirma: “Esse é o próximo passo no nosso programa de desenvolvimento com a Aramco.”

É importante ainda destacar que o uso do combustível sustentável não aumentou os custos das temporadas de F2 e F3: “A Aramco fornece esse combustível gratuitamente para as equipas, o que, pelo contrário, ajudou a reduzir os custos.”

Tombazis conclui dizendo que a aprendizagem nas categorias de base será essencial para o sucesso da Fórmula 1 em 2026: “Esses passos iniciais nas categorias inferiores completam o cenário para a grande mudança que a Fórmula 1 fará no próximo ano.”

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11 comentários

  1. Pity

    27 Abril, 2025 at 18:07

    Não sendo fanática pela ecologia, mas compreendendo que temos de proteger o planeta que é a nossa casa, acho muito bem que se encontrem combustíveis sustentáveis. Mas tenho algumas questões:
    Como são obtidos esses combustíveis?
    De onde provêem? Há poucos dias ouvi que uma empresa, não me lembro em que país, estava a aumentar a produção de pistachios para produzir combustível sintético. Ou seja, estava a alterar a sua agricultura para obter combustível Será isso parte do nosso futuro?
    Como é que a indústria procede a essa transformação? Será que o faz sem poluição?
    Reciclar o nosso óleo usado, não chega, apesar dos muitos camiões que passam à minha porta todos os dias…

    • Thor

      27 Abril, 2025 at 21:40

      Bem visto, mas será por aí. Espero é que não anulem algumas culturas e levem os solos e os recursos hídricos à exaustão, como está a acontecer no sul de Espanha e no Alentejo com o abacate. Os elétricos também não são solução, mas escavar montanhas e colocar painéis solares onde havia árvores não parece preocupar muita gente, isto é, os lobbys.

      • Pity

        27 Abril, 2025 at 22:19

        Pois… não há solução perfeita.

        • Thor

          27 Abril, 2025 at 22:33

          Pois não, mas pior é poluição provocada pela aviação, mas dessa faz-se de conta…

        • Ricfil

          28 Abril, 2025 at 1:25

          Entre uma opção onde existe barulho do motor, caixa de velocidades com relações distintas, toda uma parafernalia de peças entreligadas que proporcionam um balanço especifico nos bólides quando em funcionamento, e uma opção sem ruído aparente (ou ruído de abelhinha), caixas de velocidades com duas relações apenas, e uma dinâmica do motor “On/Off” que apenas permite um “range” muito reduzido no balanço especifico dos chassis – eu sei bem qual escolho.

          É que nem tem comparação.

          • Pity

            28 Abril, 2025 at 10:30

            Excesso de barulho também é uma forma de poluição.

          • Ricfil

            29 Abril, 2025 at 23:46

            Solução: Tampões nos ouvidos e/ou assistir às corridas pela televisão.
            Fórmula 1 a sério (que já não existe) não é para qualquer um/uma.

      • Rui Sousa

        27 Abril, 2025 at 23:23

        Qualquer que seja a tecnologia, o verdadeiro problema é que não faz sentido mover uma massa de 1500 kg para transportar uma pessoa de 80 kg.
        É preciso dar condições às pessoas para que possam fazer a sua vida sem depender do automóvel, especialmente nas grandes cidades.
        Melhores transportes públicos e segurança e comodidade para quem anda a pé ou de bicicleta.
        E deixar o automóvel para deslocações mais ocasionais e fora da rotina, tornando assim até a vida mais fácil para quem tem de o usar.

        • Thor

          28 Abril, 2025 at 11:40

          Concordo totalmente. Mas o ser humano, tirando alguns países específicos não têm nem sistemas de transportes públicos desenvolvidos e pior ainda, culturalmente é inconcebível. Vejo isso no meu pai e não só.

    • Nrpm

      28 Abril, 2025 at 0:24

      E se se olhar para a marinha mercante…e a aviação, metem tudo o resto que é motores no bolso. Sobre essas emissões ninguém fala e cada vez é mais intensa a navegação de muito longo curso, e os voos.
      Não há de facto milagres, mas um combustível limpo para motores a combustão será muito muito bem vindo. Até ver as soluções que estão no mercado são puros exercícios de incoerência.

      • Pity

        28 Abril, 2025 at 10:44

        Concordo, mas a verdade é que não dá para voltarmos aos barcos à vela 🙂 O nosso estilo de vida actual exige que tudo seja feito apressadamente. São as viagens, as mercadorias que vêm de regiões distantes, sem falar nos políticos que não acreditam nas alterações climáticas… mas isso não é assunto para um site de automobilismo.

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