Carmen Jorda: “Mulheres devem apostar na Fórmula E”
A representante da Comissão das Mulheres no Desporto Motorizado da FIA, Carmen Jorda, voltou a dar a sua opinião sobre o envolvimento das mulheres no desporto motorizado. E mais uma vez não quis fugir à polémica.
Jorda testou no México um Fórmula E e a sua opinião fez-se ouvir após o teste:
“O carro que testei não é muito difícil de guiar mas há coisas novas às quais temos de nos adaptar. A Fórmula E é um campeonato muito competitivo, e já pudemos ver algumas mulheres a competir aqui. Porque não ter mais mulheres?”
É aqui que a opinião da espanhola começa criar algumas ondas. Carmen Jorda defende que as mulheres deviam apostar mais na Fórmula E, não por ser um campeonato de futuro, não por estar a atrair novas marcas… mas sim porque é menos exigente fisicamente.
“Creio que são carros menos exigentes a nível físico que os Fórmula 1 por causa do apoio aerodinâmico e da direcção. Penso que o desafio que as mulheres encontram na F2 e na F1 é essencialmente físico e na Fórmula E tal não acontece. Não me cabe a mim decidir sobre que rumo as mulheres devem tomar no automobilismo e temos visto mulheres a terem excelentes resultados em F3 e nos GT, mas acredito que existe uma barreira física na F2 e na F1 que prejudica as mulheres. “
É uma opinião que certamente irá criar algumas respostas menos favoráveis. Robin Frijns foi dos pilotos que se manifestou, dizendo que na sua experiência (ele que já pilotou F1 e Formula E) os carros eléctricos são difíceis de entender e não são assim tão fáceis de pilotar quanto Jorda quis fazer parecer.
Okok… I drove them both but Formula E is a difficult car to understand as a driver but also as a team. I think all the highly rated drivers in Formula E agree, but probably she knows best….. https://t.co/bgwCMbNlDQ
— Robin Frijns (@RFrijns) March 5, 2018
Ao contrário do que muitos pensam, o automobilismo é de uma exigência física e mental grande, mas temos visto ao longo do tempo mulheres igualarem ou superarem a performance física dos homens. Como tal, apontar a Fórmula E como o futuro para as mulheres por ser uma modalidade mais fácil é ao mesmo tempo desprestigiante para quem lá compete assim como para as mulheres que querem singrar no automobilismo, além de fazer pouco sentido. É uma espécie de “contentem-se com isto que vocês não são capazes de mais”. E o que acontecerá quando a Formula E atingir inevitavelmente o grau de exigência física que a F1 tem actualmente?
O problema da falta de mulheres na F1 é outro e talvez mais profundo do que apenas a exigência física. É preciso começar desde os escalões mais jovens a mudar a mentalidade vigente. E não é por retirarem as Grid Girls que a F1 vai se tornar automaticamente mais “amiga das mulheres”. É preciso ouvir as mulheres que competem actualmente e entender as dificuldades que tiveram para chegarem ao topo e repensar o que está errado e tomar medidas que seja realmente eficazes. Felizmente são cada vez mais os exemplos de mulheres de sucesso nas corridas e certamente que serão esses exemplos a chamar mais interessadas.
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João Pereira
5 Março, 2018 at 21:57
Mouton, a excepção que confirma a regra nos ralis.
Na F3 houve Cathy Muller (irmã mais velha de Yvan), mas apesar de muito promissora, não conseguiu ir além do campeonato francês e algumas corridas no europeu. Divina Galica foi a mulher que conseguiu pontuar na F1, e numa altura em que só os primeiros 6 contavem, na mesma altura Lella Lombardi também tentou, mas se nessa altura não havia direcção assistida, os carros não eram tão físicos em termos de Gs. Recordo-me também de Desiré Wilson na F1, que ainda fez alguns resultados mas nos protótipos.
Também houve a Gianna (?) Di Amato, e mais recentemente a malograda Maria de Villota, (filha de Emilio de Villota que chegou a correr num Mclaren M23 privado no mundial, e conseguiu alguns resultados no Aurora F1).
É claro que houve Maria Teresa de Filippis a primeira senhora nos GP, e Marie Claude Beaumont que chegou a obter alguns resultados em Le Mans, e há muitas mais histórias de por vezes algum sucesso.
Admiro a coragem das senhoras ao virem para um desporto em que têm que defrontar os homens, mas creio que para chegarem regularmente onde chegou Mouton ou Kleinshmidt, acho que vai ter que ser criado uma espécie de BOP.
No entanto, também há que considerar, que se há poucas mulheres a guiarem como os homens, há muitos homens a guiarem pior que a maioria das mulheres.
Sei que vou “apanhar”, mas não me levem a mal o meu pragmatismo. Estarei aqui para saudar com grande entusiasmo e carinho os bons resultados que as senhoras consigam nos desportos motorizados, e torcer por elas, como faço habitualmente pela Elisabete Jacinto, e até pela Laia Sanz entre outras.
Venham elas, as senhoras para as corridas, venham elas de “macacão” e capacete, ou de Lycra como as grid babes.
Iceman07
6 Março, 2018 at 17:08
Bem, algumas devem pilotar melhor que o Maldonado, mesmo que terminem as corridas todas em ultimo!
João Pereira
6 Março, 2018 at 18:45
Ganhou uma, não deve ter sido comprada com o dinheiro da PDVSA. O homem se calhar não era assim tão mau, ou terá sido só para mostrar ao Rey Juan Carlos que não se manda “callar” um Venezuelano.
Mas concordo que ele tinha alguma dificuldade em termos de visão periférica.
[email protected]
7 Março, 2018 at 10:37
Na minha opinião com excepção da Sabine Schmitz, Jutta Kleinschmidt e a Danica Patrick o resto das meninas que passaram pelos “pópós” não passavam de umas simpáticas “ervas arómáticas” e nessas “ervas arómáticas” também incluo a Michéle Mouton porque se analisarmos as 4 vitórias que ela teve, foram sempre com um 4X4 quando a concorrência ainda andava de 4X2 (Ari Vatanen Escort RS 1800, Walter Rohrl Ascona 400, Henri Toivonen Talbot Sunbeam Lotus) e essas 4 vitórias foram em ralis em que os companheiros de equipa (Hannu Mikkola e Stig Blomqvist) desistiram ou tiveram problemas, porque sempre que os colegas não tiveram problemas ela ficou a “calendários”. Actualmente penso que só a Danica Patrick tem condições para se bater com os homens. Já me esquecia da piloto mais consistente da actualidade e digo mais consistente porque depois de tanto que se falou dela, a mulher ainda não conseguiu sair do ultimo/ultimos lugares nos V8 supercars,daí a consistência, sendo a mais famosa chicane móvel dos desportos motorizados, claro que estou a falar da fenonemo suiça Simona De Silvestro. Nas motas é mais do mesmo, mas existe um documentário da National Geographic sobre a diferença entre o cérebro do homem e da mulher que explica na perfeição o porquê das mulheres terem menos aptidões para o controlo da velocidade, em todos os desportos que exijam velocidade(ski alpino, downhill, Bobsleigh, etc) elas são muito mais lentas que os homens. Se vir esse documentário imediatamente vai perceber o porquê de as mulheres nunca conseguirem bater os homens em desportos de velocidade.
João Pereira
7 Março, 2018 at 14:11
Não sei porque raio foi buscar a Sabine Schmitz!!! por ser instrutora e guia turistica no Nordschleiff? Por fazer parte de um programa de televisão cada vez mais desinteressante?
Danica Patrick corre na América, e todos sabemos o que isso vale em termos de “pilotos fantásticos”. Mas sim, é bastante decorativa ou uma das “suas” melhores ervas aromáticas, se preferir.
Michéle Mouton era de facto o piloto mais fraco da Audi, mas os tempos não eram muito inferiores ao dos dois “colossos” que tinha por companheiros, e que foram praticamente os únicos a tirar todo o partido do poderoso e pesadão Quattro, que não era nada fácil de guiar. Repare que antes disso, ela teve excelente andamento com o 131 Abarth em França, onde mais uma vez tinha como maiores rivais dois pilotos fantásticos que eram Darniche (Strato’s Chardonnet) e Andruet com o outro Fiat, batendo frequentemente o Alpine A310 de fábrica e os Porsche Almeras, tudo excelentes carros no asfalto, e por falar em asfalto, Mouton chegou à Audi sem qualquer experiência na terra, porque o campeonato principal em França era só asfalto. Falar de Michéle Mouton como se fosse uma Isolde Holderied, uma Louise Aitken-Walker ou mesmo uma Pat Moss, parece-me subestimar aquilo que a francesa fez, e que foi ser de facto a mulher que mais se destacou entre os homens, pelos resultados que conseguiu, e que só não venceu o mundial, porque um grande senhor piloto chamado Walter Röhrl com um excelente Opel Ascona no asfalto e à prova de bala até no Safari, lhe negou essa vitória, que se tivesse caído, seria inteiramente merecida, até porque de alguma forma os seus colegas de equipa não conseguiram chegar ao fim das provas, e isso é importante para se vencerem campeonatos. Foi o que fizeram Röhrl e Mouton nesse já algo distante 1982.
Quanto à Kleinschmidt pode acusá-la da mesma forma que fez à Mouton, mas com mais razão, já que venceu no melhor carro 4×4, e só teve de chegar ao fim depois do outro Mitsubishi (Mazuoka) ainda em prova (havia ainda Fontenai mas esse era o aguadeiro) ter sido convenientemente atirado contra um tufo de erva de camêlo (perdeu uma roda) por Serviá, colega de equipa do seu “namorado” Jean-Louis Schlesser, que assim venceu a prova, mas a organização acabou por penalizar os dois Buggy Schelesser, caindo assim a vitória no colo da alemã. Um dos mais polémicos episódios do Dakar. De resto, Jutta Kleinschmidt nas motos por exemplo, não fez melhor do que faz agora Laya Sanz.
[email protected]
8 Março, 2018 at 13:54
Não sabe porque fui buscar a Sabine? Fácil, é que aquilo que já vi da Sabine mostra que será das poucas mulheres que poderá bater-se com alguns dos homens. Quanto à Danica corre na América, pois claro, mas anda no meio dos homens a “dar-lhes na cabeça” com material igual e não vejo nenhuma mulher que o faça em nenhuma parte do planeta, mas se conhecer alguma diga-me. Quanto à Mouton que segundo o senhor corria com um carro pesadão, era tão pesadão como os outros, o peso minimo era igual para todos, mas a potência do Audi era absolutamente imoral e se ele fosse o tal “pesadão” não tinha conseguido o palmarés que conseguiu. Conclusão, qualquer mulher que vá para um qualquer campeonato de desportos motorizados por este mundo fora, será unica e exclusivamente por marketing e nunca pela sua competência/capacidade e por isso mesmo poderiam pegar nos Formula E que estão em fim de vida e de que a Carmen Jorda tanto gosta e fazerem um campeonato só para elas, porque misturá-las com os homens só serve para humilhá-las como se tem visto, salvo muito raras excepções.
João Pereira
8 Março, 2018 at 18:45
Danica Patrick é uma mulher de talento para as corridas sem dúvida, mas bate-se com os homens com material igual, num país de onde não vem nenhum homem de talento para as corridas em qualquer outra parte do mundo (salvo uma ou outra excepção do passado distante), um país onde qualquer piloto europeu, brasileiro ou até japonês consegue ser bem sucedido, salvo raras excepções. Mas para além de ser muito decorativa e provavelmente “aromática”, não há dúvida de que a Danica Pratick sobressai e merece o seu lugar.
A sério que a Sabine Schmitz poderá bater-se com alguns homens? muitas mulheres puderam bater-se com alguns homens, resta saber é se a Sabine se pode bater com muitos homens e chegar ao topo, como chegou a mOUton. Quanto a mim, só se for em corridas de clássicos (de preferência no Nördschleiff). A mulher tem 50 anos, e zero palmarés! Já percebi, você vê a mulher a gritar excitada no Top Gear, e passou-se! Yeah! She’s a screamer… Mas quando teve hipótese de correr contra os homens na pista onde é especialista e a pessoa que ao que parece tem mais voltas, não mostrou nada do outro mundo, e o Cruze até não era mau em velocidade de ponta.
Quanto a essa do “pesadão” ter o peso igual aos outros, não considero uma anedota, porque as anedotas são estúpidas, mas que demonstra ignorância, não tenha dúvidas, e aconselho-o a instruir-se. Nos tempos dos Grupos 1,2,3,4,5 e 6 e dos Grupos N, A, B e C (claro que estou a incluir os grupos 6 e C que eram os protótipos de circuito), o (na altura) anexo J do regulamento técnico da FIA, dividia cada grupo em classes por cilindrada, e quanto mais elevada a cilindrada, maior o peso mínimo e maiores dimensões de pneus, há acrescentar que para motores sobrealimentados e também para os Wankel, era aplicado um coeficiente de equivalência, que ia de 2.0 na F1, a 1.4 nos outros grupos de 1 a 6 e de N a C. Não me pergunte com exactidão a divisão de classes, porque estou a falar de memória (como de costume), e ela já vai ficando fraca, mas era qualquer coisa como por exemplo e apenas para os Grupos 2, 4 e B:
– Escort RS1800 e Fiat 131 Gr4, 3,5 litros 1350 Kg (500SLC Gr2 1250aKg).
– Talbot Lotus Gr2 2.2 litros 950 Kg mas por ser Gr2, tinha rodas de menor diâmetro que os Gr4 no asfalto, o que limitava o tamanho e arrefecimento dos travôes.
Por isso, a Audi quando fez o Sport Quattro, baixou a cilindrada para 2.1 turbo x 1.4 = – 3.0, o que permitiu baixar o peso ao carro, o que mesmo assim não facilitou muito, já que o carro usava um chassis de produção, muito desajeitado comparado com os protótipos da concorrência com chassis tubolar e motor central com 1,75 litros para ficarem abaixo dos 2,5 litros (coeficiente 1.4) que os colocava um pouco abaixo do Audi S1 que era 3 litros.
Estes dados que lhe estou a dar de memória são exemplos, e não estão longe da exactidão, mas não vou agora “desenterrar” dados correctos, já que o meu caro é que está na completa ignorância, e deve procurar informção. No entanto, deixe que lhe diga que um Audi Quattro, para além de grande e desajeitado, sempre foi mais “pesadão” que a concorrência na ordem dos 100 a 150Kg (pelo menos), desvantagem que era compensada pela maior potência (4WD enquanto os outros não a tiveram, depois a coisa complicou-se porque passou a ter só um pouco mais de potência) e muita habilidade de pilotos fantásticos como Hannu Mikkola, Stig Blomqvist, Walter Röhrl e claro a (fantástica para senhora) Michéle Mouton (entre outros nos campeonatos nacionais), sem dúvida um merecido ícone dos ralis por ter sido a única mulher a bater homens muito competentes, numa altura em que havia muitos, muito diferente dos dias de hoje. Já agora, sabia que ela chegou a vencer Le Mans à classe em meados dos anos 70?
Informe-se caro alexis, informe-se! Presumo que seja demasiado jovem, ou demasiado velho para se lembrar como eram as coisas nos anos 70 e 80.
Não precisa de agradecer o meu esclarecimento que apesar de tudo carece de confirmação em termos de números, porque como já disse, estou a escrever de memória, e o meu caro não me paga explicações, de outra forma, iria confirmar os valores que lhe dei, procurando uns velhos anuários da FIA (um livro pequeno mas grosso, parecido com uma bíblia, que se obtinha no ACP gratuitamente, sendo licenciado é claro) que devo ter nalgum caixote num canto da garagem, mas acho que com paciência se consegue pesquisar na net. Já tem com que se entreter hoje à noite, e no fim de semana a confirmar a informação que lhe prestei de forma completamente gratuita.
Já agora, acrescento que a homologação dos carros para os Gr 1,2,3 era condicionada pelo número de lugares do carro de série que servia de base, bem como as unidades produzidas no ano de homologação, sei os números, mas não digo… ok, ia de 5000 no Gr1 a 400 no Gr4, e qualquer carro produzido nessas quantidades podia ser homologado os Gr4 e 5 (este último não tinha mínimo de unidades) tinha que derivar dos 3 anteriores.
Se leu esta “seca” até ao fim, dou-lhe os meus parabéns, é sinal que tem vontade de aprender com quem ainda tem uma vaga ideia das coisas, que sempre é melhor que falar sem ter ideia nenhuma. Divirta-se.
Os meus cumprimentos sinceros, é um prazer conversar consigo.
João Pereira
8 Março, 2018 at 19:06
Permita-me só acrescentar que não gosto da Fe, mas não concordo que esteja em fim de vida, e considerando o número de fans de que se pode orgulhar (???), acho que tem o seu lugar, principalmente porque não vamos ter que gramar isso como corrida de suporte a corridas de carros barulhentos e a cheirar a gasolina queimada, pelo menos por enquanto.
Fernando Cruz
6 Março, 2018 at 12:36
Mesmo em termos físicos a FE não é nenhuma pêra doce, até porque as corridas são em pistas citadinas improvisadas, muitas delas estreitas e com piso irregular. A Simona de Silvestro, considerada a melhor piloto feminina nos monolugares, não conseguiu nada na FE. Não sabemos o que conseguiria na F1 se a oportunidade que a Sauber anunciou há uns anos tivesse sido concretizada, mas pelos menos teria mais tempo de pista, quer em testes, quer nos fim de semana de GP. E foi ao volante de um F1 que Désirée Wilson conseguiu vencer uma corrida em Brands Hatch em 1980, na chamada Formula Aurora do campeonato britânico de F1…