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Carlos Reutemann: O piloto que não quis ser Campeão do Mundo


Sedutor e com uma imagem de latina boa disposição, Carlos Reutemann, ‘El Lole’ para as milhares de fãs, afinal tinha um coração de manteiga. Em 1981, tinha tudo para ser Campeão do Mundo, mas simplesmente não quis. Pelo menos, foi o que pareceu!

Carlos Reutemann nasceu na província de Santa Fé, de uma velha família de emigrantes suíços e alemães. Curiosamente, o seu pai era argentino e a sua mãe italiana. Estreou-se em corridas de carros de Turismo, com um FIAT em 1965 e, até chegar à F1, percorreu uma carreira que teve o cúmulo na F2 – primeiro, no seu país e, a partir de 1970, na Europa. Neste ano, deixou todos estupefatos ao lutar de igual para igual com Jochen Rindt, que já então era uma referência na F1 (seria campeão do Mudo a título póstumo nesse ano) e era o melhor piloto de sempre na F2, na sua corrida de estreia, em Hockenheim. No ano a seguir, foi vice de Ronnie Peterson, que conquistou o título europeu.
Depois, entrou para a F1, em 1972, pelas mãos de Bernie Ecclestone, que andava à procura de um substituto para o veterano Graham Hill, então com mais de 40 anos de idade e acabaria por sair da equipa no final dessa temporada, para criar a sua própria escuderia. Agradeceu vencendo o GP de Interlagos, que não contava para o Mundial.
Enigmático e reservado, por vezes algo melancólico, Carlos Reutemann era daqueles pilotos emotivos, que brilhavam intensamente quando tudo estava bem, mas que se eclipsavam quando entravam em crise.
Uma vez, quando fui a Zolder, que durante dez anos foi palco do GP da Bélgica – que Reutemann aliás venceu, em 1981, naquela que foi a sua última vitória na F1 – almocei no restaurante do circuito que era, ao mesmo tempo, o hotel mais perto da pista. Na verdade, podia-se comer e estar a ver os carros em ação, fosse no terraço, fosse no restaurante. A dona contou-me então uma história mirabolante, que metia mulheres, pilotos de F1, álcool e sexo. E falou de um sujeito muito bem parecido, que até a ela impressionou, calado e discreto, envergonhado quase, como se nada tivesse a ver com tudo aquilo, saindo de fininho pela porta envidraçada. Veio depois a saber que era Carlos Reutemann e que, afinal, tinha sido ele quem tinha levado mais garotas para o quarto! Verdade, ou mentira, isso não sei: Reutemann era assim mesmo, segundo quem o conheceu – um enigma. Foi assim também na F1, onde pilotou e venceu corridas para a Brabham, a Ferrari e a Williams. Só nunca o fez para a Lotus, no único ano em que pilotou para Colin Chapman. Último registo: esteve dez temporadas completas na F1 e pontuou em todas. A última, 1982, foi a única que não cumpriu na totalidade: decidiu retirar-se de repente, após o GP do Brasil, o segundo do calendário, onde desistiu por acidente. No momento do abandono, disse simplesmente: “Vou-me embora. O meu coração já não está aqui.” Igual a si mesmo, sempre!