Campeões do Mundo de F1: o 18º foi Alan Jones…

Por a 16 Novembro 2024 12:04

Alan Stanley Jones nasceu em Melbourne, no estado australiana de Victoria, a 2 de novembro de 1946. Era filho de Stan Jones, (1923/1973), que foi um dos principais pilotos australianos do pós-Guerra e chegou mesmo a vencer o GP da Austrália, em 1959

FOTO WRI/Images (Arquivo Autosport)

Stan Jones sempre recusou propostas para correr na Europa com a BRM e a Ferrari, para ficar junto da família. Por isso, não é de estranhar que o seu filho Alan sempre tenha sido um homem que, acima de tudo, apreciava a vida familiar, o que chegou a condicionar a sua evolução na difícil vida de piloto de competição. Também não é de estranhar que, ligado umbilicalmente aos automóveis – o seu pai era proprietário de uma bem sucedida concessão – muito cedo tenha decidido que o que gostava de fazer quando fosse ‘grande’ era ser piloto, seguindo as pisadas do progenitor.

Campeão de karting com 15 anos, correu depois em Mini e com os Cooper de Fórmula Júnior da equipa do seu pai. Porém, as coisas ficaram más quando o pai entrou em falência, durante a recessão económica que atingiu a Austrália, a meio da década de 60. Em 1967, contra todas as expectativas, Alan conseguiu os fundos necessários para fazer a tradicional viagem juvenil pela Europa e, claro, por Inglaterra: no final, jurou a si mesmo que era ali que estava o seu futuro, como piloto.

Com 50 libras no bolso

Em 1970, Alan Jones não hesitou: com somente 50 libras nos bolsos, aterrou em Londres. Com esse dinheiro, comprou algumas carrinhas em segunda mão e montou um pequeno negócio de ajuda aos seus compatriotas em viagem. E, quando a sua ainda namorada Beverley se lhe juntou em Londres, mais tarde, alugaram uma casa na costa… e começaram a alugar quartos.

Mas o jovem Alan vivia insatisfeito: aquilo que ele queria mesmo, que o tinha levado a voar mais de 20 horas, era ser piloto de automóveis. Sempre com pouco dinheiro, o seu pai Stan, então divorciado, chegou a Inglaterra, disposto a dar-lhe algum apoio moral – e nada mais, pois também ele tinha pouco mais para lhe oferecer. Os resultados nunca surgiram, enquanto durou um velho Fórmula Ford e as coisas ficaram ainda piores quando bateu com um Lotus de F3 em Brands Hatch e partiu uma perna.

Foi então que a fibra que haveria de o caracterizar veio ao de cima: tenaz e sem desejos de desistir do seu sonho, Alan Jones conseguiu garantir um pequeno apoio, suficiente para decorar um GRD de F3, com o qual conquistou finalmente a sua primeira vitória, em Silverstone, em 1973. Mas o azar continuou, amargo, com a morte súbita de Stan, vítima de ataque cardíaco, aos 51 anos. Na viagem para a Austrália, o seu caixão levou dentro a faixa e a coroa de louros de vice-campeão de F3 conquistados pelo seu filho.

No ano seguinte, deu nas vistas na Fórmula Atlantic, apesar de star numa equipa privada e isso levou-o, finalmente, até à F1, em 1975.

De piloto errático a Campeão do Mundo

A sua estreia, com a Hesketh, foi no GP de Espanha, em Montjuich, uma prova de má memória, marcada pelo acidente de Rolf Stommelen, que provocou dois mortos entre os espetadores. Após quatro provas, a equipa abandonou a competição, deixando apeado Alan Jones – que acabou por ir para a nova equipa de Graham Hill, a Embassy/Hill, tomando o lugar deixado vago pelo ainda lesionado Stommelen. Um inesperado quinto lugar no GP da Alemanha, no Nürburgring, convenceu John Surtees do seu valor, contratando-o para a temporada de 1976. E, pela primeira vez, Alan Jones conseguiu um contrato a tempo inteiro como piloto de F1.

Ao volante do Surtees TS19 com as cores da… Durex, Jones acabou a temporada com um 4º lugar no GP do Japão, debaixo de condições atmosféricas tenebrosas, mas isso não chegou para continuar na equipa ou conseguir novo contrato – e, quando a temporada de 1977 começou, o australiano não constava no plantel. Infelizmente, nessa altura a F1 era uma competição perigosa e, quando Tom Pryce morreu no GP da África do Sul, abriu-se uma vaga na Shadow, que acabou ocupada por Jones. Foi o australiano que, com um carro feito para o malogrado Pryce, conseguiu conquistar aquela que ficou com a única vitória da equipa e a primeira da sua carreira, no GP da Áustria. Isso parece ter sido suficiente para cativar Frank Williams, que lhe propôs um contrato múltiplo na sua equipa, então em grande momento e bem alimentada pelos petrodólares árabes.

Em 1979, o Williams FW06 foi substituído, após quatro provas, pelo FW07 e este de imediato demonstrou ser um dos chassis mais competitivos dessa altura. Após quatro abandonos e um quarto lugar, Jones venceu quatro corridas em cinco e terminou o ano no terceiro lugar, atrás da dupla da Ferrari, Gilles Villeneuve e Jody Scheckter.

O ano seguinte foi o da consagração. Jones e o FW07 formaram uma combinação imbatível e, com cinco vitórias, duas delas nas duas últimas corridas, o australiano chegou enfim ao título, o primeiro conquistado por Frank Williams. Porém, a lua-de-mel com o fleumático britânico durou pouco: Jones tinha sido uma criança difícil, com um forte temperamento, sanguíneo, que fervia em pouca água. Em adulto, essas características tornaram-no muitas vezes desagradável e politicamente incorreto. Não tinha amigos no paddock e, quando o Williams FW07C se revelou pouco fiável e propenso a quebras mecânicas, permitindo-lhe ganhar somente por duas vezes, Jones ficou sozinho com os seus protestos. No final da temporada, que terminou em terceiro lugar outra vez, bateu com a porta e regressou ao que ele chamava de “mais bonito país do mundo”, para se tornar fazendeiro.

Engordou e descurou a forma física, ao longo do ano seguinte; mas conduzir tratores não era a mesma coisa que andar de F1 e, no início de 1983, aceitou o convite para pilotar um Arrows no GP de Long Bach. Jones teve então uma amarga experiência: demasiado corpulento para a escassa largura do cockpit, mal conseguiu espremer-se lá para dentro e acabou por não aguentar a dureza da prova. O seu orgulho ficou profundamente ferido, mas Jones justificou o desaire com… “muitas mulheres e ainda mais canecas de Fosters”, a cerveja mais famosa da Austrália. De cabeça baixa, voltou à sua fazenda, dela saindo apenas no final de 1985, quando aceitou uma oferta milionária da nova equipa de F1, a Lola-Beatrice. A experiência revelou-se um desastre e, no final da época, a equipa fechou, sem dinheiro. O melhor que Jones conseguiu nesse ano de 1986 foi um quarto lugar na Áustria e um sexto em Itália – desaparecendo de vez na sua querida Austrália.

Aqui, dedicou-se ao campeonato local de Turismos, tendo sido vicecampeão em 1993. Durante algum tempo teve a sua própria equipa, a AJ Racing e ajudou o seu filho adotivo Christian a fazer carreira na Fórmula Ford e na F3. Ocasionalmente, fez de comentador para cadeias de televisão, em especial durante o GP de F1 do seu país, e hoje vive retirado, na sua quinta, vivendo como um (agora) simpático e rechonchudo avozinho.

Hélio Rodrigues, In Memoriam

ALAN JONES

Nome: Alan Stanley Jones

Data de nascimento: 2 de novembro de 1946 (65 anos)

Local de nascimento: Melbourne

Nacionalidade: Australiana

Casado uma primeira vez com Beverley, com quem teve uma filha, Emma, e adotou um rapaz, Christian, separou-se desta no final da década de 80. Desde 1996 que mantém uma relação com Amanda Butler Davis, de quem tem dois gémeos, Zara e Jack, nascidos em 2001. Alan Jones tem uma outra filha, Camilla, nascida em 1990. Jones é avô desde 2001, ano em que Emma deu à luz a primeira das suas duas filhas; a segunda nasceu em 2004.

PALMARÉS

Início na competição: Karting (1962)

Primeiro GP F1: GP Espanha 1975

Último GP F1: GP Austrália 1986

GP F1 disputados: 117 (116 largadas)

Títulos: 1 (1980)

Vitórias: 12

Primeira vitória: GP Áustria 1977

Última vitória: GP Las Vegas 1981

Pole positions: 6

Melhores voltas: 13

Pódios: 24

Pontos: 199 (206)

Marcas: Hesketh (1975); Embassy/Hill (1975); Surtees (1976); Shadow (1977); Williams (1978/1979/1980/1981); Arrows (1983); Lola-Haas (1985/1986)

Outros resultados: 1º Can-AmChallenge Cup (1978); 1º GP Austrália (extra-campeonato) (1980); Campeão da Austrália de GT (1982); Vice-Campeão da Austrália de Turismo (1993)

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