Alfa Romeo na Fórmula 1: Imagem mas não só…

Por a 1 Fevereiro 2018 15:08

Já há algum tempo que Sérgio Marchionne mostrava interesse em levar a Alfa Romeo para a Fórmula 1, algo que concretizará na temporada deste ano, mas a Maserati poderá seguir a marca de Arese num futuro próximo, situação admitida pelo presidente da Ferrari e CEO da FCA.

O construtor da Biscione tem sido alvo de uma profunda reestruturação, tendo nos últimos anos lançado o Giulia, uma berlina que se assumiu como uma das referências do seu segmento, e o Stelvio, um SUV que se coloca ao nível do Porsche Macan, o que levou a que o italo-canadiano desejasse ver o logotipo da Alfa Romeo na categoria máxima do desporto automóvel.

Desde 2015 que a marca transalpina era uma referência mais ou menos visível nos flancos, primeiro, e no capot-motor, depois, dos monolugares de Fórmula 1 da Ferrari, mas Marchionne pretendia mais e, em 2018, o construtor de Arese será o patrocinador-título da Sauber, passando a formação de Hinwil a ser, na prática, a equipa-B da “Scuderia”.

A parceria entre a Alfa Romeo e a Sauber inclui uma cooperação estratégica, comercial e tecnológica, permitindo, segundo ambas as partes, troca de “know-how” técnico e de engenharia, desconhecendo-se, para já, de que forma este fluxo de conhecimentos poderá fluir entre os dois lados, uma vez que as unidades de potência dos carros suíços serão fornecidas pela Ferrari, que mantém o “Cavallino” nas tampas das válvulas.

A face mais visível do acordo entre a Sauber e a Alfa Romeo acaba por ser o proeminente logótipo do construtor de Arese colocado no capo-motor dos carros helvéticos, ao passo que os pilotos terão influências da Ferrari – Charles Leclerc, o titular, e António Giovinazzi, de testes – e da Longbow Finance, o fundo que tomou o controlo da equipa de Hinwil – Marcus Ericsson.

Até onde pode ir a Alfa Romeo

A dada altura, Marchionne chegou mesmo a equacionar a compra da Sauber, tendo mesmo visitado Hinwil, na companhia de Maurizio Arrivabene, mas a opção escolhida acabou por ser a de assumir o papel de patrocinador-título, uma vez exigir um investimento bastante menor para uma exposição mediática forte.

A formação helvética, face às dificuldades financeiras que tem vindo a atravessar, acabou por ser uma oportunidade, mas o presidente do Construtor de Maranello e CEO da FCA aponta que a escolha da equipa fundada por Peter Sauber deveu-se aos seus laços com a “Scuderia”, mostrando-se expectante com a evolução da colaboração. ”A Alfa regressa com a Sauber, uma equipa que reconhece o empenho da Ferrari no fornecimento de unidades de potência e que mantém uma relação com o ´Cavallino’. Será importante verificar como a equipa se desenvolverá e qual será o seu potencial”, afirmou Marchionne.

Em 2018 o envolvimento da marca de Arese centrar-se-à numa pareceria comercial, mas o italo-canadiano sugere que num futuro próximo o envolvimento do construtor italiano será mais profundo. “A Sauber é a base de um empenho verdadeiro e próprio da Alfa na Fórmula 1, tanto ao nível mecânico como técnico. É evidente que no primeiro ano era impossível concretizá-lo. É normal, portanto, foi necessário recorrer à Ferrari”, revelou Marchionne.

A profundidade do envolvimento da Alfa Romeo na Sauber e na Fórmula 1 estará seguramente dependente de todas as negociações que estão agora em cima da mesa tendo em vista o futuro da categoria.

Como diz Marchionne, foi necessário recorrer a Maranello para reintroduzir a marca de Arese no mundo dos Grandes Prémios, mas o uso continuado da solução que se verificará este ano não dará grande credibilidade ao construtor do “Biscione”, o que obrigará a um novo passo.

A Sauber não fica situada longe de Itália, de Maranello a Hinwil distam quinhentos quilómetros, e, muito embora a Suíça, com as suas leis de trabalho, não seja o local perfeito para uma equipa de Fórmula 1, que exige muita flexibilidade da parte dos seus funcionários, a compra da formação helvética por parte da Alfa Romeo poderá ser uma opção num futuro próximo, passando a ser uma operação totalmente nas mãos da marca italiana, até por que a Longbow Finance entrou no capital da equipa para assegurar o futuro de Ericsson e, dada a sua filosofia, não estará na categoria máxima do desporto automóvel a longo prazo.

Por outro lado, e dependendo do ambiente que se viver após 2020 no que diz respeito ao regulamento de motores, a Alfa Romeo poderá surgir com a sua própria unidade de potência, uma vez que só assim poderá garantir que o seu carácter, uma das suas grandes mais-valias mesmo ao longo dos anos mais difíceis da sua existência.

O lado obscuro

É evidente que existem motivos de “branding” e de exposição mediática para levar a Alfa Romeo para a Fórmula 1 – numa fase de lançamento de novos modelos que pretendem renovar a marca, a categoria máxima do desporto automóvel oferece ao construtor de Arese o palco para cultivar a sua imagem desportiva, passar uma postura excitante e chegar a uma audiência global – mas a decisão de Marchionne não se baseia apenas nestes aspectos.

Num período em que muito do futuro do mundo dos Grandes Prémios está em cima da mesa para discussão – desde regulamentos de motores à distribuição de dinheiro dos direitos comerciais – o presidente da Ferrari e o CEO da FCA garantiu um aliado na sua cruzada e anulou um adversário, ainda que de pouco peso, uma vez que a Sauber estava do lado das equipas que consideravam existir uma distribuição desequilibrada dos prémios monetários – o que levou até que fosse apresentada uma queixa na Comunidade Europeia.

Sabendo que a Haas poderá não estar do seu lado nas negociações que se avizinham, a equipa norte-americana já deu algumas mostras dessa possibilidade, Marchionne avançou e daqui para a frente seguramente que veremos a Sauber – ou a Alfa Romeo Sauber F1 – a votar ao lado da Ferrari em todas as questões prementes que serão alvo de atenção nos próximos dois anos.

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6 comentários

  1. so23101706

    1 Fevereiro, 2018 at 15:21

    Exactamente. Tinha de haver um motivo obscuro e sinistro por detrás disto tudo, porque enfim, na Ferrari são italianos, logo mafiosos, não é? Anular a ameaça da Sauber estava, de facto, em primeiro lugar na agenda do Marchionne. Ele nem dormia a pensar em como eliminar o perigo que provinha da Sauber. A seguir vai comprar a Toro Rosso, rebaptizá-la como IVECO e livrar-se de mais uma ameaça.
    Eu acho que o Sr. Redação, que assina este artigo (nós sabemos bem quem é…), devia consultar um psiquiatra. Ver tantas conspirações em todo o lado não é normal. Se calhar é só parvoíce, mas à cautela devia procurar ajuda de um profissional.

    • Pity

      1 Fevereiro, 2018 at 16:19

      Você pode ter razão, mas olhe que a sugestão sobre o lado obscuro, não é descabida. Sendo necessário, não será a primeira nem a última vez, que uma equipa recorre a aliados, para obter o que quer.

    • Frenando_Afondo™

      1 Fevereiro, 2018 at 17:28

      E se a Ferrari comprou a Sauber para fazer de tampão à Mercedes quando este os estiver a dobrar? A-ha! *música de teoria da conspiração*

      • so23101706

        2 Fevereiro, 2018 at 0:11

        Teve a sua piada! Ou então põem o Leclerc a bater no muro de propósito para favorecer… oh, wait.

  2. F1_4ever

    1 Fevereiro, 2018 at 16:27

    Este artigo foi publicado no jornal Autosport há umas semanas atrás ( assim como o outro artigo sobre a possibilidade da Maserati na F1) daí ser assinado pela Redacção.
    Visto que de há uns tempos para cá aqui no site surge com frequência aquele pop-up irritante a pedir a ajuda dos leitores para financiar o Autosport através de uma assinatura do jornal digital, eu que compro TODAS AS SEMANAS o jornal Autosport desde o primeiro ano da sua publicação sugiro que deixem de publicar estes artigos no site e assim só quem compra o jornal ou tem uma assinatura digital os lê e assim obtinham a ajuda financeira que pretendem e além disso evitavam os comentários a denegrir quem escreve os artigos sejam os mesmos bons ou maus.

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