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A importância das provas tradicionais | AutoSport

A importância das provas tradicionais

Por a 5 Agosto 2022 09:30

Foi em França que tudo começou, com a Grand Épreuve Automobile Club de France de 1906, mas existe agora um movimento para afastar a Fórmula 1 do seu berço na busca desenfreada do lucro imediato, o que poderá não ser avisado a longo prazo.

Foi na Europa que nasceram os Grandes Prémios e, posteriormente, a Fórmula 1, tendo sido o Velho Continente a base para que a categoria máxima do desporto automóvel e se transformasse naquilo que conhecemos hoje – uma competição desportiva global que rivaliza com os Jogos Olímpicos e o Campeonato do Mundo de Futebol.

Foi na Europa que o Campeonato do Mundo de Fórmula 1 criou grande parte da sua história, dos seus ídolos, dos seus mitos, sendo ainda onde se encontra a sua maior base de adeptos.

Para a edificação daquilo que hoje é o mundo dos Grandes Prémios foi determinante os circuitos que visitou ao longo de mais de setenta anos.

Entre estes, alguns são verdadeiros portais do tempo, como é o caso de Silverstone, Monte Carlo, Monza, Spa-Francorchamps e Suzuka, isto para falar apenas em pistas que ainda hoje estão no calendário, podendo ainda falar-se dos antigos Nurburgring ou Hockenheimring.

Qualquer um destes nomes tem significados fortes para os adeptos do automobilismo, chegando mesmo às pessoas que não seguem o fenómeno do automobilismo – serão muitas as pessoas que não veem corridas, mas que sabem que existem provas de automobilismo no Mónaco – o que tem como mais-valia a associação imediata do nome às provas.

Os eventos de Monza e Silverstone estão garantidos por alguns bons anos, ao passo que Monte Carlo esta em vias de assinar um novo contracto com a FOM que, no entanto, poderá incluir rotatividade com outra prova, mas Spa-Francorchamps tem o seu futuro em risco, podendo perder o seu lugar no calendário, com a entrada de Las Vegas e, possivelmente, ainda que pareça ser uma possibilidade distante neste momento, África do Sul.

Os Estados Unidos são um mercado de extrema importância para a Fórmula 1 e com o actual crescimento de popularidade da categoria em “terras do Tio Sam”, a FOM pretende capitalizar e fazer crescer a base adeptos com mais provas neste país.

Quanto à possibilidade de Kylami voltar ao calendário, faz também todo sentido, uma vez que um Campeonato do Mundo que não visite todos os continentes do planeta acaba por ser coxo.

Tudo muito bem, mas será que é avisado e proveitoso a longo prazo serem as provas tradicionais a sacrificarem-se para que a FOM possa alcançar os seus desígnios comerciais?

A perda de Spa-Francorchamps, para entrar um evento que pague mais, poderá resultar num aumento imediato do dinheiro que entra nos cofres da organização que gere a Fórmula 1 mas, por outro lado está a alhear os adeptos mais tradicionais da categoria que são aqueles que sempre a acompanharam e, para além, disso funcionam como faróis de conhecimento para as pessoas a seu redor, informando-as do que se passa e gerando interesse nelas.

Se estes adeptos perderem o entusiasmo pela Fórmula 1, levam consigo algumas pessoas, o que tudo somado pode ser um valor significativo.

Perde-se também a história, um portal para o passado, a partilha de um espaço em que nomes como Jim Clark, Graham Hill, Ayrton Senna, Michael Schumacher ou Alain Prost marcaram indelevelmente as páginas da categoria máxima do desporto automóvel.

Evapora-se o desfilar de nomes como o Radillon, Pouhon ou Blanchimont, a expectativa de perceber como o clima especial das Ardenas poderá influenciar o fim-de-semana.

Neste momento a Fórmula 1 vive um momento de crescimento e faz todo o sentido que a FOM deseje capitalizar, sendo a rotatividade de provas uma solução aceitável – o que até poderá trazer a categoria de novo ao nosso país – mas tocar no seu Grand Slam – Monte Carlo, Silverstone, Spa-Francorchamps, Monza e Suzuka – a favor de provas que, são actualmente muito populares, mas que não têm ainda carácter dos eventos mencionados e que podem desaparecer do calendário de um dia para o outro, poderá ser ir longe de mais e contraproducente para a categoria…

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Ayrton J.
Ayrton J.
2 meses atrás

Totalmente de acordo. Acho bem que a F1 procure novos adeptos, mas não se pode esquecer dos de sempre e da sua história. Tal como não aprecio muito o formato Sprint que estão a tentar introduzir progressivamente, também não concordo em abandonar as 5 pistas do “Grand Slam”. No resto podem mexer, sendo a rotatividade uma boa solução.

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