1994, uma época de tragédias, em que Karl Wendlinger também foi vítima

Por a 2 Janeiro 2025 10:38

A temporada de 1994 da Fórmula 1, só por si, ocupa vários capítulos do livro da história da disciplina, não só pelo que todos rapidamente se lembram, mas também por acusações de batota, polémicas, acidentes fatais e muito mais que ficou por contar em maior detalhe do que sucedeu naquele ano. Algumas histórias continuam inéditas, como Adelaide, palco do famoso confronto entre Damon Hill e Michael Schumacher, cuja história nunca foi bem contada. As trágicas mortes de Ayrton Senna e Roland Ratzenberger foram o ponto mais trágico desse ano, mas infelizmente houve bem mais que sempre foi muito menos falado.

No Grande Prémio do Mónaco de 1994, apenas duas semanas após o fim de semana mais sombrio da Fórmula 1, em Imola, que teve duas mortes em dois dias e quase uma terceira. Os eventos já foram analisados até à exaustão, com debates sobre as causas dos acidentes e até teorias da conspiração. Mas Imola foi só o começo de uma temporada marcada por tragédias.

Antes mesmo do campeonato começar, JJ Lehto lesionou o pescoço num acidente durante testes, o que obrigou a Benetton a substituí-lo nas primeiras corridas. Já na abertura, no Brasil, Eddie Irvine, Jos Verstappen, Eric Bernard e Martin Brundle envolveram-se numa colisão enorme, com o carro de Verstappen atingindo a cabeça de Brundle. Entre o Brasil e Aida, Jean Alesi sofreu uma lesão nas costas durante testes.

Depois veio Imola, em que Roland Ratzenberger e Ayrton Senna perderam a vida, mergulhando a Fórmula 1 no luto profundo. A partir daí, mudanças começaram a ser feitas: a FIA introduziu limites de velocidade nas boxes, e as regras das paragens nas boxes tornaram-se um tema central. A Associação de Pilotos de Grandes Prêmios (GPDA) foi reativada, liderada por Niki Lauda, Michael Schumacher e Gerhard Berger, exigindo reformas de segurança.

Chegando ao Mónaco, a FIA já tinha decretado alterações, mas os desafios do circuito permaneciam. Um exemplo era a chicane após o túnel, com corretores altos e perigosos que ainda não tinham sido padronizados. Esses corretores seriam protagonistas de um acidente assustador nos treinos: o de Karl Wendlinger.

Wendlinger, piloto da Sauber em 1994, vinha de uma temporada sólida em 1993 e já tinha marcado pontos naquele ano. Durante os treinos perdeu o controlo do carro na chicane, provavelmente por conta das irregularidades da pista o seu Sauber bateu lateralmente no muro de proteção, num acidente assustadoramente semelhante aos de Sergio Pérez e Jenson Button em anos posteriores.

Em 2011, Sergio Perez escapou apenas com uma concussão a um terrível acidente na qualificação do GP do Mónaco, à saída do túnel, a mais de 260 Km/h, no exato mesmo sítio de Karl Wendlinger. O mexicano perdeu o controlo do seu Sauber à saída do túnel, o carro bateu nos rails à direita e saiu desgovernado até se imobilizar violentamente nas barreiras que delimitam a pista à saída da chichane. Os médicos demoraram quase 20 minutos para o tirar do carro o piloto que ficou inanimado, levando- o depois para Hospital. Sérgio Perez não sofreu lesões graves, simplesmente uma concussão e um hematoma numa coxa.

Curiosamente, o piloto austríaco da Sauber, Karl Wendlinger, também esteve em coma várias semanas na sequência de um acidente que teve lugar no primeiro Grande Prémio depois das trágicas mortes de Roland Ratzenberger e Ayrton Senna no Grande Prémio italiano de Imola.

Na época, a chicane era protegida apenas por barreiras de plástico, que deveriam estar cheias de água, mas não estavam. O carro de Wendlinger atingiu as barreiras a cerca de 145 km/h. Apesar da velocidade, o impacto não parecia tão violento, mas a vida do piloto ficou em risco. Sem dispositivos modernos de segurança, como o HANS ou laterais altas no cockpit, a cabeça de Wendlinger bateu nos rails.

O piloto foi levado para o hospital e ficou várias semanas em coma. A sua recuperação foi lenta, marcada por perda de memória e desafios físicos. Apesar da sua determinação, nunca mais foi o mesmo piloto. Tentou regressar à Fórmula 1 ainda naquele ano, mas enfrentou dificuldades de concentração e dores físicas. Em 1995, a Sauber decidiu substituí-lo.

Embora a sua carreira na Fórmula 1 tenha terminado, Wendlinger encontrou sucesso em outras categorias, como o Campeonato FIA GT e as 24 Horas de Le Mans.

O acidente de Wendlinger impulsionou reformas imediatas na segurança. A Sauber introduziu cockpits com laterais mais altas, e a FIA implementou mudanças no design dos carros para proteger melhor os pilotos. O legado do acidente de Wendlinger e da temporada de 1994 como um todo, é um forte lembrete de como a tragédia frequentemente impulsiona o progresso no automobilismo.

Os eventos do fim de semana do Grande Prémio do Mónaco de 1994 não se limitaram ao acidente de Wendlinger, mas esse incidente resume bem o turbilhão de uma temporada marcada por perdas e transformações.

FOTO Facebook Karl Wendlinger

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