Se não disse tudo, Lewis Hamilton, disse muito, quando referiu “a incerteza relativa ao futuro de (Esteban) Ocon só mostra que a estrutura das corridas está provavelmente errada”. Na verdade é quase irreal pensar que depois de tudo o que tem feito na Fórmula 1 nos últimos dois anos, Esteban Ocon pode, de repente, ficar sem lugar, porque houve movimentações e a sua equipa foi apanhada da calças na mão…
Quando há dois anos, Lance Stroll ganhava mais uma vez o Europeu de F3, já há muito andava a testar com um monolugar mais antigo da Williams, a preparar a sua entrada nos Grandes Prémios, mas o que o seu milionário pai não imaginava é que entrada do seu filho na equipa seria, por coincidência, também o momento em que a equipa entrava em queda livre.
Não foi há muito tempo que a Williams foi dois anos seguidos, terceira classificada no Mundial de Construtores, um ano à frente da Red Bull, outro, da Ferrari. Em 2014 e 2015. Passaram dois anos e meio, e a Williams está em último do Mundial e Construtores, caindo de quinto, onde ficou em 2016 e 2017, atrás da Force India, para 10º. Muito azar para o jovem Stroll, que depois de ter feito uma boa época de estreia, que terminou em 12º, pontuando sete vezes e indo uma vez ao pódio, chega a 2018 com a equipa a colocar-lhe à frente um carro que nem a um inimigo se dava…
O pai Stroll, Lawrence, depressa pensou onde poderia colocar o filho, pois já percebeu que a Williams vai demorar – se é que o vai conseguir – a recuperar. Na Sauber não faz sentido, na Toro Rosso, não dava, a McLaren está como está, na Haas, dificilmente, Renault, nem pensar, por isso a Force India era um alvo lógico, pois há muito se sabia dos problemas financeiros. Mas dar esse passo seria sempre caro, mesmo para Lawrence Stroll. Mas dá-lo quando a equipa entrou em administração judicial é bem diferente, pois a fatura é forçosamente menor…
E assim foi, já explicámos (ler em separado) todo o processo, e Lance Stroll estará, mas cedo ou mais tarde, na nova Force India. Resta saber quando. E o elo contratual mais fraco é Esteban Ocon. Portanto, a breve trecho pode dar-se o caso de Robert Kubica regressar à F1, para o lugar de Stroll, este passa para a Force India, e o seu grande amigo Ocon (curiosamente são mesmo bons amigos), fica sem lugar. Bom, isto poderá acontecer cedo, mas sinceramente não acreditamos que fique sem lugar muito tempo. A não ser que Hamilton tenha mesmo toda a razão do mundo no que disse.
Ver Esteban Ocon ficar sem lugar na F1 quando lá estão Marcus Ericsson, Brendon Hartley, Sergey Sirotkin, Lance Stroll, todos eles com alguns méritos, e um Stoffel Vandoorne que está a mostrar menos que devia, e o mesmo se pode dizer de Romain Grosjean, é obra…










