Eduardo Freitas explica o processo de homologação dos circuitos
Eduardo Freitas é um dos nomes mais reputados da FIA. Diretor de corrida do WEC, das 24h de Le Mans, com uma experiência quase inigualável, desde comissário de pista a diretor de corrida da F1, Freitas conhece o mundo do motorosport e a exigência regulamentar da FIA de trás para a frente.
Num vídeo publicado pela FIA, o português, assim como Benoit Dupont, explicam o laborioso processo de homologação de uma pista. A homologação FIA de uma pista é o processo formal através do qual a Federação Internacional do Automóvel inspeciona e certifica um circuito, confirmando que o traçado, as barreiras, áreas de escape, infraestrutura de segurança e apoio (comissários, acessos médicos, resgate, etc.) cumprem todos os requisitos técnicos e de segurança definidos para um determinado “grau” de licença, permitindo que ali se disputem determinadas categorias (por exemplo, só pistas com grau 1 podem receber F1).
O início do processo
A homologação de um circuito pela FIA é um processo longo, técnico e bastante rigoroso, que começa muito antes de a primeira pedra ser colocada e só termina quando o traçado recebe uma licença assinada pelo presidente da federação.
Tudo começa no país onde se quer construir a pista: o promotor ou construtor não fala diretamente com a FIA, tem de o fazer através da autoridade desportiva nacional (ASN), que é o único interlocutor reconhecido. É essa ASN que abre o processo junto da FIA, enviando o projeto do circuito em formato digital.
A partir daí, em Paris, uma equipa especializada passa o traçado “ao milímetro”: com base no ficheiro digital, são calculadas as zonas de escapatória necessárias para a velocidade e categoria de carros previstas, as velocidades de impacto prováveis, os ângulos de colisão, as limitações de relevos para evitar que os carros decolem, o desenho e a altura das barreiras e rails, o tipo de barreiras de absorção de energia a utilizar, a geometria e altura dos corretores, a visibilidade dos pilotos nas aproximações a curvas cegas e até pormenores como a drenagem da pista, rede elétrica, fibra ótica e acessos para equipas médicas e de resgate.
A avaliação no terreno e as categorizações
Este trabalho de gabinete é sempre complementado por inspeções presenciais: um inspetor da FIA visita o circuito durante a construção e depois com a obra terminada, para comprovar que o que foi executado corresponde exatamente aos planos aprovados e que todos os requisitos de segurança e infraestrutura estão assegurados.
Os circuitos são então enquadrados numa escala de graus (grades), que resulta da relação entre desempenho e massa dos carros que ali vão competir: quanto mais rápido se consegue deslocar determinada massa, maior o grau de exigência da pista. Assim, apenas circuitos com Grau 1 podem receber Fórmula 1, sendo que existe uma categorização específica para a Fórmula E. Um mesmo complexo pode ter vários traçados com graus diferentes.
Citadinos e semi-permanentes
No caso dos circuitos citadinos, há desafios adicionais: a pista “não existe” durante grande parte do ano e é construída em poucas semanas, o que obriga a uma monitorização permanente da montagem das barreiras, redes, pneus, rails e rails com rede, garantindo que todos os elementos são montados sempre da mesma forma e com a mesma qualidade ano após ano.
Em traçados completamente temporários, como Monaco, o inspetor acompanha o processo praticamente curva a curva; em circuitos semi-permanentes, partes da infraestrutura são fixas e outras são montadas todos os anos, o que exige também verificações anuais.
Validade da homologação
A licença de homologação tem um período de validade limitado (tipicamente três anos) e qualquer alteração relevante – desde uma mudança de corretores a um novo asfalto ou um novo layout – implica nova análise e até nova inspeção.
Só depois de todo este ciclo de projeto, verificação digital, inspeções no terreno e eventual correção de não conformidades é que a FIA emite a licença de circuito, formalizando que aquele traçado cumpre o nível de segurança adequado ao grau atribuído.
Em suma, a homologação não é um carimbo burocrático, mas o culminar de um processo meticuloso pensado para garantir que a velocidade extrema dos carros é compatível com margens de segurança tão amplas quanto tecnicamente possível para pilotos, comissários e público.
Em Portugal, temos duas pistas com Grau 1: Portimão e Estoril. O Circuito de Vila Real entra na categoria dos citadinos e tem Grau 3, tal como a versão do Estoril com o Tanque Nos circuitos com Grau 6 temos os de Lousada, Foz Côa e Montalegre.
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