A M-Sport ainda não tomou decisões sobre a sua formação de pilotos do WRC para 2027, mas o diretor da equipa, Richard Millener, admite que o novo enquadramento com a Ford Racing obriga a alterar a abordagem seguida até agora. A equipa britânica vai gerir o programa oficial da Ford no Campeonato do Mundo de Ralis a partir de 2028.
A confirmação do acordo garante o futuro da M-Sport no campeonato. A preparação para o regresso da marca norte-americana começa já no próximo ano, com um reforço do apoio da Ford à equipa. Decodificando: querem já um piloto de topo…
Os planos preveem que a Ford e a M-Sport utilizem em 2027 e 2028 um Ford Fiesta Rally2 kit car atualizado. Em 2029, será introduzido um carro totalmente novo, construído de acordo com o regulamento de 2027. Esta calendarização influencia a escolha dos pilotos, que deixa de se limitar às duas próximas épocas e passa a considerar também 2029, ano em que arranca o desenvolvimento do novo modelo.
Para 2027, a M-Sport conta inscrever três Ford Fiesta Rally2 kit WRC ao longo de um calendário de 15 provas. Esta semana, o carro revisto está a ser testado em asfalto, em Espanha.
Este ano, a M-Sport apresentou Josh McErlean e o estreante Jon Armstrong em tempo inteiro. Mārtiņš Sesks cumpriu um programa de seis provas.
Richard Millener esclareceu que o orçamento para participar no campeonato em 2027 está assegurado. “Temos orçamentos para estar cá no próximo ano, por isso não temos de nos preocupar com isso. O objetivo é começar a reconstruir a equipa”, afirmou.
O responsável garantiu que não existem decisões nem conversações sobre pilotos, mas como é lógico, os que interessam, podem ter recebido uma mensagem do estilo: “não te comprometas com ninguém antes de falar connosco primeiro”, ou algo do estilo. Avançar nomes, agora é especular, mas Adrien Fourmaux parece ser um nome em cima da mesma. Jari-Matti Latvala já disse, de Kalle Rovanpera “não o podemos deixar escapar”. Ott Tanak e outro nome forte para ser cogitado. Estes são os momentos em que os pilotos esfregam as mãos, e embora nunca se trate somente de dinheiro, mas sim do projeto global, o regresso previsto da Ford ao ralis tem que pesar muito, agora. Olhar para os atuais pilotos da equipa, Josh McErlean, Jon Armstrong e Mārtiņš Sesks é agora muito redutor.
Até agora, a escolha recaía em pilotos com talento suficiente para se desenvolverem e que levassem algum apoio financeiro. Segundo Millener, a equipa está agora numa posição diferente, mas isso não significa que vá “mudar tudo de um dia para o outro”.
O objetivo assumido é vencer em 2029 com o novo carro. “Queremos pessoas que se encaixem na estrutura que temos e no ambiente da equipa e que ajudem a construir a equipa à sua volta. Mas também que ajudem a concretizar o que a Ford pretende. Têm de ser embaixadores. Têm de ser compreensivos. Têm de estar comprometidos com a visão e o papel da Ford. E precisamos de pessoas que queiram trabalhar muito. É isso que vai acontecer”, disse.
Mudança de abordagem
Millener considera que o maior envolvimento da Ford exige uma adaptação na contratação. “Ainda precisamos de desenvolver alguns jovens talentos, mas também precisamos de ter uma visão muito forte e focada em vencer. Isso significa que talvez tenhamos de mudar um pouco a forma como fazemos as coisas”, afirmou.
O diretor de equipa sublinhou a necessidade de pensar a longo prazo, por se tratar de um programa plurianual. Se o projeto correr bem e o plano da Ford Europa for bem recebido, “há um potencial infinito”, defendeu. A M-Sport quer decidir com cuidado e sem pressa.
A preparação e o desenvolvimento começam de imediato, com a intenção de fazer rodar, pelo menos, alguns dos pilotos com quem a equipa pretende trabalhar na temporada completa. O calendário de 2027 inclui mais uma prova do que o atual, o que, segundo Millener, exige pilotos “preparados para se comprometerem com tudo o que lhes for pedido”.
O responsável rejeitou uma lógica de contratação baseada apenas na disponibilidade financeira. “Não vamos simplesmente dizer que temos dinheiro e que podemos comprar tudo. Continuamos a precisar de ser eficientes e sensíveis”, indicou. Defendeu ainda que o processo seguido até agora funciona e deve manter-se, mas que a equipa tem de trabalhar em conjunto com a Ford Racing e garantir o alinhamento com a marca: “É o programa deles, por isso temos de trabalhar em conjunto.”








