A Fórmula 1 vai regressar ao continente africano no início da década de 2030, após o Ruanda ter celebrado um acordo com duração de 10 anos para acolher o Grande Prémio de África.
O anúncio foi feito pelo presidente e diretor executivo da competição, Stefano Domenicali, que classificou a decisão como um dos momentos mais importantes da história da modalidade.A África não recebe uma etapa do campeonato do mundo de Fórmula 1 desde 1993, ano em que se realizou a derradeira prova no circuito de Kyalami, na África do Sul. Anteriormente, o continente apenas tinha acolhido o Grande Prémio de Marrocos, em 1958, no traçado rodoviário de Ain-Daib.
O projeto insere-se numa estratégia mais ampla do Ruanda para se afirmar como um destino turístico, desportivo e de entretenimento, funcionando também como polo aglutinador para o resto do continente. O presidente ruandês, Paul Kagame, destacou a importância económica e social da iniciativa durante a apresentação do acordo.
“Para décadas, os atletas africanos têm sido um pilar da economia global do desporto, acrescentando valor comercial significativo às principais ligas, com o continente a receber quase nada em troca”, afirmou Paul Kagame, acrescentando que parcerias como esta ajudam a quebrar esse ciclo. O chefe de Estado reconheceu a escala do país, mas sublinhou a ambição de envolver outros Estados africanos na organização e participação no evento.
Por seu lado, Jean-Guy Afrika, diretor executivo da Comissão de Desenvolvimento do Ruanda, justificou a designação atribuída à prova. “Queremos torná-lo maior do que apenas o Ruanda”, explicou, apontando o objetivo de fazer deste momento o regresso definitivo da modalidade ao continente e facilitando a aproximação a parceiros alargados, sem limitar o acontecimento a uma escala estritamente nacional.
Características do novo circuito em Bugesera
Para receber o campeonato no início da década de 2030, o país vai construir um circuito de raiz na região de Bugesera, nas proximidades do local onde deverá abrir no início de 2028 o novo aeroporto internacional de Kigali. O projeto está a cargo da empresa Tilke Engineering, representada por Carsten Tilke, e do antigo piloto de Fórmula 1 Alex Wurz, da Wurz Designs.
A localização na zona do Vale do Rift permitiu aproveitar a topografia natural, caracterizada por colinas e lagos. Alex Wurz destacou que a paisagem dispensa intervenções profundas na configuração do terreno. “Quando vimos o desenvolvimento em Bugesera, e vimos realmente as encostas e os lagos, eu disse: ‘rapazes, só há uma localização para este circuito, porque não precisa de nós para o desenhar, a natureza já desenhou a topografia perfeita'”, declarou o antigo piloto.
O traçado terá um comprimento de seis quilómetros, sentido anti-horário, 17 curvas e contemplará 197 metros de desnível por volta, incluindo curvas com inclinação e perfil variável. Carsten Tilke sublinhou que a prioridade passou por garantir pontos de ultrapassagem, estratégias diversificadas e a proximidade do público em relação à pista.
Impacto da altitude e infraestruturas complementares
A cidade de Kigali situa-se a cerca de 1.500 metros acima do nível do mar, o que fará deste um dos circuitos mais altos do calendário, ficando abaixo apenas da Cidade do México, situada a 2.200 metros. Esta altitude reduz a pressão atmosférica e a aderência aerodinâmica, fatores que foram integrados nas simulações efetuadas por Alex Wurz.
“Isso significa que temos menos pressão no ar, o que significa também menos aderência da aerodinâmica. Por isso, podemos compensar isso com algumas das inclinações”, explicou Wurz, referindo que a gestão da temperatura dos pneus e o desgaste foram considerados na conceção das curvas para potenciar a competitividade e as manobras defensivas nas retas.
Além do circuito principal, o complexo polivalente incluirá edifícios de paddock com arquitetura tradicional ruandesa, uma pista de karting para apoio à formação de base, um centro de experiências de condução e percursos de todo-o-terreno, ficando as instalações preparadas para acolher concertos e outros eventos de grande dimensão.








