Bruxelas quer que Londres alinhe a política comercial com a União Europeia (UE), aumentando as taxas de importação sobre os automóveis elétricos chineses. Em contrapartida, o Reino Unido poderá beneficiar de tratamento favorável no âmbito das futuras regras “Made in Europe”, que são consideradas fundamentais para a competitividade da indústria automóvel britânica.
A UE tem como objetivo impedir que o Reino Unido seja utilizado como “porta de entrada” usada pelos chineses para contornar as medidas comerciais europeias. Segundo notícia do “Financial Times”, que cita fontes por dentro da negociação, Bruxelas transmitiu ao primeiro-ministro britânico, Andy Burnham, que a melhor forma de ganhar um tratamento equivalente ao dos estados-membros é a adesão britânica à união aduaneira europeia.
“A união aduaneira resolveria a maioria dos problemas relacionados com o ‘Made in Europe’, bem como a questão das diferenças tarifárias, que alimenta os receios de os chineses contornarem as tarifas através do Reino Unido”, afirmou ao jornal um responsável europeu.
Atualmente, os automóveis elétricos produzidos na China e importados pela UE estão sujeitos a direitos aduaneiros adicionais entre 7,8% e 35,3%, consoante o fabricante, aos quais acresce a tarifa normal de 10%. No Reino Unido, a taxa de importação aplicada aos automóveis chineses mantém-se nos 10%.
A diferença está a contribuir para aumentar a presença das marcas chinesas no mercado britânico, onde representam cerca de 15% dos registos de automóveis novos este ano, contra aproximadamente 10% no conjunto da UE, Reino Unido e países da Associação Europeia de Comércio Livre (EFTA).

Nissan alerta para risco de exclusão
A Nissan, marca nipónica que detém a maior fábrica automóvel do Reino Unido (Sunderland, Inglaterra) está entre os construtores que defendem a inclusão do Reino Unido nas futuras regras “Made in Europe”.
Massimiliano Messina, responsável pela Nissan na Europa, pensa que Londres poderá ter de aumentar as tarifas sobre os automóveis chineses para obter um tratamento equivalente ao dos fabricantes instalados na UE. “Não pode existir uma espécie de cavalo de Troia no Reino Unido, através do qual os fabricantes chineses inundam o mercado europeu», afirmou. E a preocupação é partilhada por outros fabricantes com unidades industriais britânicas muito dependentes das cadeias de abastecimento integradas com o continente europeu.












