A ASO deverá aproveitar a presença das principais equipas do W2RC no Rali de Marrocos, prova que se realiza entre 28 de setembro e 3 de outubro, para auscultar as estruturas sobre as condições necessárias à participação no Dakar 2027. A realização formal dessa ronda de consultas ainda não foi confirmada publicamente pela organização, mas os contactos nos bastidores surgem numa altura em que várias equipas procuram garantias relativas à segurança, aos seguros, às deslocações e à disponibilidade dos seus trabalhadores.
Oficialmente, o plano mantém-se inalterado. O Dakar está agendado para decorrer integralmente na Arábia Saudita, entre 1 e 15 de janeiro de 2027, com partida e chegada em King Abdullah Economic City e 5320 quilómetros cronometrados — a maior distância competitiva desde a mudança para território saudita.
A ASO classificou como infundados os rumores de cancelamento e garantiu que continua a trabalhar normalmente com os parceiros sauditas, embora reconheça estar a acompanhar a evolução da situação regional. Até ao momento, não foi anunciada qualquer mudança de país, adiamento ou cancelamento.
Principais preocupações
As reservas manifestadas pelas equipas não se limitam ao risco direto durante a prova. Existem quatro questões que poderão determinar a viabilidade do evento:
Segurança: necessidade de garantias para concorrentes, trabalhadores, organização, produção televisiva e público.
Seguros: avisos oficiais contra viagens podem limitar ou anular determinadas coberturas.
Políticas empresariais: alguns construtores e fornecedores proíbem os seus funcionários de viajar para regiões consideradas de risco.
Logística: possíveis restrições no espaço aéreo, transportes marítimos e acessos ao território saudita podem afetar centenas de veículos e milhares de pessoas.
Alternativas possíveis
Marrocos surge como a alternativa mais lógica devido ao conhecimento do terreno, à infraestrutura já utilizada pelo W2RC e à presença imediata das equipas no país. A possibilidade de um percurso entre Portugal, Espanha e Marrocos também circula nos bastidores, embora nenhuma dessas soluções tenha sido oficialmente admitida pela ASO.
Uma transferência completa representaria, contudo, um desafio enorme. Seria necessário desenhar e reconhecer um novo percurso, obter autorizações, organizar bivouacs, garantir meios médicos e de segurança, renegociar contratos e redefinir toda a cadeia logística em pouco mais de três meses.
Certo é que a decisão terá de surgir rapidamente. As inscrições encerram a 20 de outubro e as verificações europeias estão previstas para 27 e 28 de novembro, em Barcelona, antes do embarque dos veículos para a Arábia Saudita. Uma alteração de destino depois dessa fase tornaria a operação extremamente difícil e dispendiosa.
Assim, o Rali de Marrocos poderá representar um momento decisivo: não necessariamente para anunciar de imediato uma mudança, mas para perceber quantas equipas estão efetivamente dispostas a viajar para a Arábia Saudita e que garantias exigem para manter os seus programas. Neste momento, o Dakar 2027 continua oficialmente marcado para a Arábia Saudita; Marrocos e uma eventual solução ibérico-marroquina permanecem cenários de contingência.












