F1, GP da Austrália: A história e o contexto em 2026
A época de 2026 está prestes a começar. Faltam poucos dias para o arranque da temporada, que continua a criar grande expetativa. O palco é Melbourne, tantas vezes a primeira prova do calendário da F1. O contexto está repleto de pontos de interesse.
Melbourne – a história
O GP da Austrália entrou oficialmente no Mundial de Fórmula 1 em 1985, em Adelaide, normalmente como última corrida da temporada. O traçado citadino sul‑australiano rapidamente ganhou reputação por finais dramáticos, sendo o mais famoso o de 1986, quando o título foi decidido entre Alain Prost, Nigel Mansell e Nelson Piquet, com o rebentamento de um pneu de Mansell a ficar para a história.
Durante a era Adelaide (1985‑1995), a Fórmula 1 consolidou a presença no mercado australiano e a ronda final no calendário tornou‑se um ritual, criando a base política e comercial para a mudança para Melbourne, a partir de 1996.

O nascimento de Albert Park na F1
No início da década de 90, Melbourne avançou com uma candidatura ambiciosa para receber o GP da Austrália, propondo um traçado semi‑permanente em Albert Park, utilizando estradas públicas em redor do lago. O acordo foi confirmado em 1993 e, a partir de 1996, Melbourne substituiu Adelaide no calendário, passando o GP da Austrália para o início da temporada, algo que ajudou a transformar o evento num barómetro imediato da forma de equipas e pilotos.
O circuito de Albert Park, com pouco mais de 5 km na configuração original, combinava zonas rápidas e curvas de média velocidade, oferecendo um compromisso entre características de circuito permanente e o ambiente urbano de um “street circuit”.

1996: uma estreia marcante
A primeira corrida de Fórmula 1 em Albert Park, em 1996, foi um cartão de visita perfeito para o novo anfitrião. A Williams dominou a qualificação, com Jacques Villeneuve a conquistar a pole na estreia e Damon Hill ao seu lado, perante um público entusiasmado com o novo palco.
Logo na primeira volta, um acidente espetacular na curva 3, com o capotamento de Martin Brundle, levou a uma interrupção e a um relançamento da prova, sublinhando o carácter exigente do traçado.
Villeneuve parecia encaminhado para vencer logo no primeiro Grande Prémio, mas um problema de fuga de óleo obrigou‑o a abrandar, permitindo que Hill garantisse o triunfo com larga vantagem e desse a Melbourne a sua primeira grande história.
Albert Park: traçado, características e evolução
Albert Park é um circuito semi‑permanente, aberto ao trânsito durante grande parte do ano, o que significa que o asfalto começa tradicionalmente muito “verde” (com pouca aderência) no arranque do fim de semana.
Ao longo dos anos, o traçado sofreu vários ajustes: melhorias nas escapatórias, alteração do perfil de algumas curvas e, mais recentemente, alargamento de certas zonas e eliminação da chicane das antigas curvas 9 e 10, para aumentar a velocidade média e criar mais oportunidades de ultrapassagem.
Estas mudanças tornaram o circuito mais fluido e rápido, sem perder a combinação de travagens fortes e zonas em que a precisão na colocação do carro é essencial, em especial na aproximação à curva 3 e no segundo setor.
Melbourne é atualmente uma pista com 5278 metros de comprimento, percorrida no sentido dos ponteiros do relógio.

Estatísticas de Melbourne
Já recebeu 28 Grandes Prémios, com uma percentagem de entradas de Safety Car próxima de 60%. Michael Schumacher é o piloto com mais vitórias (4), seguido de Jenson Button (3). A Ferrari é a equipa com mais triunfos (10), seguida da McLaren (7) e da Mercedes (4). Lewis Hamilton é o rei das poles em Melbourne, com oito, à frente de Mika Häkkinen, Schumacher e Sebastian Vettel (3).
A Mercedes, a Ferrari e a McLaren somam, cada uma, seis poles nesta pista. Trinta pilotos subiram ao pódio, com Lewis Hamilton a deter o maior número de presenças (10). Por 12 vezes o homem da pole venceu (42,86%), sendo que o lugar mais baixo na grelha que “rendeu” uma vitória foi o 11.º lugar.
O contexto
As novidades do regulamento
Melbourne recebe a primeira corrida da nova era da F1. Com novas unidades motrizes, mais simplificadas, a componente da gestão elétrica ganha um peso muito superior: perto de 50% da energia útil passa a vir da bateria, reforçando o papel da componente elétrica nesta nova geração.
A gestão dessa energia elétrica tem‑se revelado difícil, com pilotos a ficarem sem bateria em algumas retas e a entrarem em “super clipping” (quando a unidade motriz começa a recuperar energia mesmo com o piloto a acelerar), afetando a velocidade de ponta dos carros.

Há também a aerodinâmica ativa, que vai ser usada pela primeira vez em corrida: asas dianteiras e traseiras vão ter dois modos, um para curvas e outro para retas, a fim de aumentar a eficiência dos carros. Este sistema não pretende substituir o DRS, pois esse papel cabe ao “Boost”, que permite aos pilotos utilizar a potência máxima do motor híbrido – agora com maior componente elétrica – para ultrapassagens ou defesas em qualquer ponto da pista, à custa de maior consumo de bateria.
Outro elemento que vai complicar a gestão da energia é o “Overtake Mode”, que pode ser usado se um piloto estiver a menos de um segundo do carro da frente num ponto de deteção e que permite ativar 0,5 MJ adicionais de energia para obter velocidade extra em linha reta.
Este ano marca o regresso dos fundos planos, ao contrário da geração anterior, que dependia dos túneis de Venturi para criar apoio aerodinâmico. A era do efeito de solo terminou e este ano vamos voltar a ver o “rake” a ser mencionado. É também o fim do “porpoising”.
Os carros são mais leves (redução de 30 kg), mais pequenos (a distância entre eixos foi reduzida de 3600 mm para 3400 mm, e a largura foi reduzida de 2000 mm para 1900 mm) e têm pneus mais pequenos.

Grelha com novidades
Comparado com 2025, as mudanças para este ano foram reduzidas. Arvid Lindblad é o único estreante, ocupando o lugar de Isack Hadjar, promovido à Red Bull e ao “maldito” segundo carro da equipa.
Há também os regressos de Sergio Pérez e Valtteri Bottas, com a Cadillac a fazer a sua estreia na F1, aumentando a grelha para 11 equipas, o que implica mudanças de pormenor na qualificação, mantendo‑se o formato base.
Lando Norris começa o ano com o número 1 no seu carro, depois do título de 2025, numa grelha que conta com mais três campeões: Fernando Alonso, Lewis Hamilton e Max Verstappen.

Nova ordem a ser descoberta
Em 2026, a F1 baralhou e voltou a dar. Novas regras normalmente implicam uma mudança no horizonte competitivo e esperam‑se alterações na hierarquia das equipas. Mercedes e Ferrari surgem como favoritas à primeira vitória, com Red Bull e McLaren por perto.
Ninguém assume o favoritismo e todos apontam o “vizinho” como o mais rápido, mas os testes mostraram Mercedes e Ferrari em forma, com McLaren e Red Bull perto. No meio da tabela, o destaque deverá ir para Haas e Alpine, com o fundo do pelotão provavelmente a pertencer à Cadillac e à Aston Martin, que começou o ano da pior forma, com problemas no chassis, na caixa de velocidades e na unidade motriz Honda, que parece ser a maior fonte de preocupação. As vibrações do motor afetam a bateria que, por sua vez, não entrega toda a potência. Esperam‑se corridas difíceis para a Aston no arranque da temporada.
FOR THE FIRST TIME IN 2026, IT'S RACE WEEK!! 🤩
This weekend, 22 drivers will take to the track in Australia for the first round of the season 🙌#F1 #AusGP pic.twitter.com/ai83EtH7Ko
— Formula 1 (@F1) March 2, 2026
Tensão no Médio Oriente
É um elemento novo, mas a F1 olha com atenção para a tensão crescente no Médio Oriente. A escalada de violência já se faz sentir, com muitos voos a terem de usar rotas alternativas para chegar à Austrália.
O arrastar do conflito poderá provocar mudanças no calendário, pois falta cerca de um mês para a chegada das rondas da Arábia Saudita e do Bahrein.
A época de 2026 vai finalmente começar. Há muitas novidades, muitos pontos de interesse e muita expetativa. Melbourne, com as suas curvas rápidas e longas retas, será um desafio tremendo na gestão da energia, talvez um dos maiores do ano. Como responderão as equipas? Quem se vai destacar? As respostas às perguntas começarão a ser dadas no próximo fim de semana.
Fotos: F1, Philippe Nanchino /MPSA, Equipas de F1
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