CPV: O novo capítulo da carreira de José Carlos Pires
Dos troféus nacionais a nome forte do GT4 ibérico em apenas três épocas, o trajeto de José Carlos Pires tem sido de evolução constante, mas é precisamente nessa capacidade de se reinventar que reside a força do piloto portuense.
Pires encara as corridas como uma das suas principais atividades, ainda que não sejam a sua única dimensão profissional. Defensor convicto da evolução constante e da progressão contínua, olha para o mundo das corridas com a vontade de chegar sempre mais longe. Depois de se afirmar no Super Seven by Toyo Tires, onde somou títulos e vitórias à geral, deu em 2023 o salto para os GT4 e assinou uma estreia de sonho com Francisco Abreu, conquistando de imediato os campeonatos nacional e ibérico ao serviço da Speedy Motorsport, estrutura que também esteve na base do seu sucesso nos Caterham. Seguiram-se dois anos de mudanças de estrutura e de contextos competitivos, com o regresso à Speedy em 2025.
Em 2026, essa busca por “mais e melhor” ganha um novo capítulo: José Carlos Pires junta-se à Toyota Gazoo Racing Caetano Portugal para guiar o Toyota GR Supra GT4 EVO2, novamente em dupla com Francisco Abreu, num pacote que combina o estatuto de piloto de fábrica com uma filosofia de trabalho, a da melhoria contínua, que o acompanha também fora das pistas. É este aliciante projeto que serviu de base à conversa que o piloto teve com o AutoSport.

Como é que surgiu esta oportunidade de representares a Toyota Gazoo Racing Caetano Portugal?
“Surge, sobretudo, da conjugação de três fatores: a estrutura da equipa, o piloto com quem ia fazer dupla e a componente técnica do projeto. Senti que na Toyota Gazoo Racing Caetano Portugal esses três elementos eram fortes, e isso deu-me confiança para abraçar o desafio. Já tinha uma boa proximidade com o Francisco Abreu, dou-me bem com o Zé Pedro Fontes, sabia que o GR Supra GT4 EVO2 é um bom carro e que a equipa tem credenciais. Não foi algo pensado a meio da época passada; foi amadurecendo no final da temporada, quando ficou claro que havia aqui um projeto sólido para 2026.”
Foste tu que procuraste o projeto Toyota, ou foi a equipa que te abordou?
“Foi um processo natural. Eu estava à procura de um programa bem estruturado e focado no alto nível competitivo. Do lado da Toyota, existia a vontade de reforçar o programa de GT4 e de criar uma dupla forte na Pro‑Bronze. No fundo, juntou-se a vontade de ambas as partes. Quando percebemos que podíamos construir algo competitivo, fez sentido avançar.”

É uma mudança de uma equipa vencedora para um projeto já bem-sucedido, mas ainda em busca de afirmação, ou seja, títulos, na velocidade. Isso não te trouxe receio?
“Não. Se pensarmos apenas em resultados recentes, a Toyota não foi campeã, mas foi a equipa com mais vitórias, mais poles e mais velocidade pura nos GT4, e isso é inegável. Olhando para as prestações ao longo da última época, a Toyota foi a referência ao nível de ritmo em pista. Mas, além disso, olho para a Toyota Gazoo Racing Caetano Portugal e vejo uma estrutura com enorme capacidade para chegar ao topo: há meios, há know-how, há um carro competitivo e há uma dupla forte dentro de pista. Claro que todas as equipas têm falhas, incidentes e azares, mas acredito muito no potencial deste projeto, por isso não tive receio em dar este passo.”
Desde que entraste no GT4, em 2023, tens procurado sempre projetos de topo. Esta escolha segue essa lógica de “querer sempre mais e melhor”?
“Sim. Nem sempre é possível ter ‘mais e melhor’, mas o objetivo é esse. Em 2023 dou o salto para o GT4 e as coisas correm muito bem logo na estreia com o Francisco Abreu, com títulos nacionais e ibéricos. Em 2024 e 2025 houve mudanças, para outras equipas e outros contextos, nem sempre com o resultado que idealizava, mas sempre na luta pela competitividade. Mas o mundo das corridas é mesmo assim e nem sempre é possível chegar ao topo; é esse desafio constante que me alicia. Olhando para os últimos três anos, a parceria que correu melhor em termos de resultados foi, precisamente, com o Chico Abreu, e isso também pesou. Agora, este passo para a Toyota é a continuação natural de procurar estar inserido em projetos fortes, com ambição e estrutura para ganhar.”

Vais alinhar na categoria Pro‑Bronze. O teu objetivo principal é o título da divisão, ou olhas para o absoluto como a meta mais aliciante?
“O foco não está apenas nos Pro-Bronze. Aliás, a forma como o BoP e os handicaps de tempo funcionam torna o título absoluto mais difícil. Não há impossíveis: acredito que eu e o Chico fazemos uma dupla forte, temos um carro capaz de discutir vitórias e podemos ganhar corridas à geral. Agora, não vamos colocar o título absoluto como exigência máxima desde o primeiro dia. O objetivo óbvio é sermos muito fortes na Pro‑Bronze, lutar pelo título e, sempre que houver oportunidade, discutir vitórias à geral.”
Em 2025 já fizeste uma prova do Europeu de GT4. O GT4 European Series é um objetivo assumido para ti, ou apenas um campeonato que vais aproveitando quando surgem oportunidades?
“Gosto muito de automóveis e de estar ligado às corridas, mas tenho uma profissão bastante exigente fora das pistas, e isso condiciona a disponibilidade para um programa europeu completo. O GT4 European Series obriga a estar, por exemplo, numa terça-feira em Spa‑Francorchamps, o que é difícil para quem não vive do automobilismo. Vejo o Europeu mais como algo que, um dia, gostava de perseguir numa época inteira, quando tiver mais tempo para isso. Para já, faz mais sentido aproveitar boas oportunidades pontuais, como esta corrida que pretendemos fazer em Portimão, com condições para sermos competitivos.”
O que esperas do nível competitivo do CPV, Iberian Supercars e Supercars España em 2026?
“Acho que 2025 já foi um campeonato muito competitivo. As equipas e os pilotos tiveram de se adaptar a novas realidades – desde os formatos de corrida às janelas de paragem, por exemplo – e aprenderam muito com isso. Vê-se hoje mais gestão estratégica: parar mais cedo para evitar confusões nos pit-stops, minimizar riscos, perceber melhor o tráfego. Em 2026 espero um nível tão forte ou ainda mais forte, com novas duplas, mais carros e alguns regressos. Talvez não haja um salto tão grande como de 2022 para 2023, mas acredito num acréscimo de competitividade bastante significativo.”

Há dois anos imaginavas ver-te como piloto oficial Toyota no GT4?
“Há aqui uma ligação curiosa. A empresa para a qual trabalho está muito ligada ao conceito de ‘Kaizen’, melhoria contínua, e essa filosofia nasceu precisamente na Toyota. A marca é uma referência mundial em termos de inovação, excelência operacional, fabrico e supply chain, e nós visitamos inclusive fábricas Toyota por razões profissionais. Identifico-me bastante com essa forma de pensar a organização. Hoje, ter a oportunidade de representar a Toyota em pista é, no fundo, juntar o útil ao agradável: competir num projeto forte e, ao mesmo tempo, estar ligado a uma marca cuja cultura já faz parte do meu dia a dia profissional.”
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