WEC: Alpine confirma saída no final da temporada
A Alpine confirmou o que já se suspeitava… o fim do programa no WEC no final da temporada 2026. Depois de várias semanas em que os rumores da potencial saída se multiplicaram, aliados ao coro de críticas das entidades locais em Viry-Châtillon, temendo pelos empregados da mítica sede francesa, a marca confirmou a saída do campeonato do mundo de resistência.
Em comunicado, a Alpine anunciou uma revisão do seu plano de desenvolvimento, em que refere a necessidade de assegurar um crescimento sustentável, num contexto marcado pelo abrandamento do mercado automóvel, em particular do segmento elétrico. A marca francesa decidiu, assim, terminar a sua participação no FIA World Endurance Championship após 2026, concentrando os seus recursos na FIA Formula One World Championship.
Desde 2024, a Alpine iniciou uma forte ofensiva e o que antes era uma marca de apenas um modelo, sofreu uma revolução, com o conceito “Dream Garage” a apontar ao futuro, com a chegada de propostas fortes em vários segmentos. Até agora, três modelos foram lançados, o que permitiu um crescimento de três dígitos. Ainda assim, os números não permitem à Alpine encarar o futuro com tranquilidade e os desafios estruturais da indústria levaram a marca a redefinir prioridades. E, como quase sempre acontece quando é preciso redimensionar projetos, a componente desportiva é sempre a primeira a ser afetada. Assim, o foco passa a ser o reforço do portefólio de produto e o investimento na notoriedade global.

No plano desportivo, a Fórmula 1 passa a ser aposta exclusiva, numa fase na qual a estrutura está mais leve, com o fim do programa de unidades motrizes Renault e a compra à Mercedes, tornando efetivamente a Alpine numa equipa privada, largado o rótulo de estrutura de fábrica. Esta “despromoção” permitiu poupar muito. A permanência na F1 entende-se por ser, atualmente, a grande montra do desporto automóvel.
O WEC, apesar de viver uma era de ouro, com um fulgor nunca visto, acabou por ser a escolha mais fácil. Um projeto criado com o esforço de muitos, inclusive de Philippe Sinault, chefe da Signatech, que serviu de base para o projeto. O ainda diretor de equipa foi uma das peças-chave para levar a Alpine para o WEC com um Hypercar que já no ano passado deu sinais positivos. Depois de um longo processo para convencer os responsáveis da marca que o WEC era uma aposta certa, com o recurso a um LMP1 desatualizado para mostrar a viabilidade, o projeto acaba. O desenvolvimento do A424 deu à Alpine um novo impulso e no segundo ano de existência, a máquina francesa (desenvolvida com a Oreca) já conta com uma vitória. 2026 viu a entrada de nomes sonantes, como António Félix da Costa e esta temporada parecia ser de afirmação. Afinal será de despedida, ainda antes de todos os envolvidos colherem os devidos frutos.
O centro de Viry-Châtillon, agora denominado Alpine Tech, prosseguirá a sua transformação, orientando-se para projetos de inovação ao serviço do Grupo Renault e da própria Alpine. A empresa garante que a prioridade continuará a ser a valorização e retenção de talento, estando previsto um plano de proteção do emprego com soluções internas e programas de requalificação.
Philippe Krief, CEO da Alpine, explicou em comunicado oficial:
“Tivemos de tomar decisões difíceis para proteger as ambições de longo prazo da Alpine. Por um lado, a indústria automóvel — e particularmente o mercado de veículos elétricos — está a crescer mais lentamente do que o esperado. Por outro, para termos sucesso a longo prazo, temos de continuar a investir no portefólio de produtos e na marca Alpine. O resultado é que precisamos de tomar medidas decisivas para criar uma marca com um futuro sustentável.
Enquanto equipa, todos na Alpine devemos concentrar os nossos esforços nestes desafios. No que diz respeito ao desporto motorizado, lamentamos não poder continuar no WEC após esta época, mas focar-nos na Fórmula 1 oferece-nos uma plataforma única para reforçar a notoriedade da marca, em linha com as nossas ambições de crescimento.
O espírito vencedor faz parte do ADN da Alpine, em todas as áreas do negócio. Estou confiante de que continuaremos a lutar até ao último segundo da última corrida em que estivermos envolvidos até 2026.”
Axel Plasse, vice-presidente da Alpine Tech, acrescentou:
“Temos trabalhado intensamente na definição da nova estrutura e organização da Alpine Tech. Dispomos de talentos extraordinários em Viry-Châtillon e assegurámos que a nova configuração permitirá concentrar-nos plenamente na experiência inovadora e de ponta da nossa equipa, oferecendo serviços para novos projetos e negócios. Já iniciámos um ano exigente com este novo foco, em paralelo com a nossa última época no WEC.”
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Cágado1
12 Fevereiro, 2026 at 16:36
O Félix da Costa não tem mesmo sorte com a sua carreira no WEC. Esperemos que tenha um bom único ano com a Alpine.