F1: As duplas e os pilotos de reserva de 2026

Por a 4 Fevereiro 2026 13:48

Já foi dada luz verde à temporada 2026, apesar de ter sido num teste privado longe do olhar atento dos fãs e dos media. Numa altura em que vamos conhecendo, pouco a pouco, os novos carros, ainda há muita incerteza sobre o que poderá dar a nova temporada. Mas se do lado das máquinas as interrogações se vão acumulando, do lado dos artistas já temos certezas.

As duplas já definidas, (há algum tempo) apresentam uma combinação de campeões e talentos provados, com pilotos jovens à procura dos primeiros sucessos outras que equilibram experiência e frescura. Com quatro campeões do mundo na grelha de 2026, 17 pilotos já marcaram presença no pódio,12 já venceram e 12 já conquistaram pelo menos uma pole position. Uma grelha com talento, uma mistura de juventude e experiência em que a grande maioria já provou o champanhe no pódio.

Passamos agora a analisar mais ao pormenor cada uma das duplas:

McLaren: Lando Norris / Oscar Piastri

Depois de um percurso impressionante, a McLaren voltou ao topo. Desde 2018 que a equipa de Woking procurava regressar aos primeiros lugares e, com grande resiliência, aliada a um plano bem gizado, viu o seu esforço recompensado no final da era anterior, com dois títulos de construtores (2024 e 2025) e um título de pilotos (2025, Lando Norris). Para o sucesso da equipa contribuiu uma aposta consistente em bons talentos. Lando Norris foi praticamente uma aposta pessoal de Zak Brown desde início, que deu frutos no ano passado. Juntaram-se ao projeto Carlos Sainz, Daniel Ricciardo e agora Oscar Piastri a fazerem parte desta jornada. Nunca faltou talento ao volante da McLaren. Em 2026, a equipa mantém intacta a dupla que protagonizou uma das temporadas mais competitivas da equipa nos últimos anos, assegurando continuidade e alicerces sólidos para enfrentar as novas regras de 2026.

Lando Norris consolidou-se como um dos melhores pilotos da grelha ao longo dos últimos anos. Em 2024, conquistou a primeira vitória no GP de Miami e terminou a época como vice-campeão do mundo, antes de se sagrar campeão mundial em 2025 numa épica batalha a três com Max Verstappen e Piastri. O britânico soma já 11 vitórias e 44 pódios na carreira, além de 16 poles, e tornou-se o líder natural da equipa de Woking, combinando velocidade pura em qualificação com excelente ritmo de corrida. Em 2025 terá dado o passo que faltava para mostrar todo o seu potencial. Agora, com o sonho do título realizado, Norris pode encarar as corridas com menos pressão e, talvez, fazer crescer a sua performance em pista. É esse um dos pontos mais interessantes de 2026. Que Lando Norris vamos ter? Sabendo que muito do que vamos ver depende da valia dos novos monolugares, será interessante ver a nova postura do britânico, agora campeão.

Oscar Piastri, campeão de F3 e F2 em anos consecutivos (sempre na época de estreia), chegou à F1 em 2023 e confirmou rapidamente o talento: venceu o GP da Hungria em 2024 e somou nove vitórias até ao final de 2025, incluindo sete triunfos na última época, consolidando-se como terceiro classificado no campeonato de pilotos. Desde que se estreou na McLaren revelou grande potencial e uma frieza impressionante. Faltou-lhe entender melhor os pneus nas suas primeiras temporadas, mas está agora numa fase em que se tornou num piloto completo e capaz de lutar por títulos. Curiosamente, a frieza que demonstrou ao longo do seu curto percurso, não se fez sentir na segunda metade da temporada anterior. Piastri chegou a ter uma mão no título, mas viu as suas esperanças esfumarem-se. O valor do australiano nunca esteve em causa, mas espera-se uma resposta forte em 2026.

Piloto de reserva: McLaren divide o papel entre Leonardo Fornaroli, recém-coroado campeão de F2 em 2025 e integrado no programa de desenvolvimento da equipa, e Pato O’Ward, figura de destaque na IndyCar com experiência em testes de F1.

Valia da dupla face à concorrência: A McLaren apresenta uma das três duplas mais completas da grelha. Norris e Piastri são ambos rápidos em qualificação, fortes ao domingo e demonstram uma maturidade estratégica notável. A estabilidade da formação e a qualidade técnica da dupla colocam a equipa no topo do pelotão em termos de potencial combinado. Mas 2026 traz novos desafios. Como lidará Norris com o #1 no seu carro? Como vai Piastri responder ao desaire do ano passado? E qual será a dinâmica da dupla, sabendo que a equipa tentou dar tratamento igual a ambos, mas que, na prática, criaram-se algumas feridas, especialmente do lado de Piastri? Uma das dinâmicas mais interessantes de seguir em 2026.

Avaliação da dupla – Nota 9

Piloto Corridas Vitórias Pódios Poles Classificação 2025
Lando Norris 152 11 44 16  (423 pts)
Oscar Piastri 70 9 26 6  (410 pts)

Mercedes: George Russell / Kimi Antonelli

A Mercedes mantém a aposta na dupla do ano passado para inaugurar a nova era técnica, com George Russell a manter o papel de líder e Antonelli, uma das maiores promessas da atualidade, a cumprir a sua segunda temporada. Com a nova era da F1 a começar, a Mercedes manteve tudo igual, apesar da tentação de querer contratar Verstappen. Essa estabilidade poderá dar frutos este ano, se os primeiros indicadores se confirmarem.

George Russell foi-se tornando numa peça-chave desde a chegada à Mercedes em 2022. Em 2025, conquistou duas vitórias (Canadá e Singapura) e liderou claramente a equipa após a saída de Lewis Hamilton para a Ferrari, terminando em quarto no campeonato com 319 pontos. Russell combina velocidade em qualificação (sete poles na carreira), consistência em corrida e capacidade analítica, sendo hoje um dos pilotos mais completos do paddock. Destaca-se pela capacidade de ler as corridas e pelo desejo de tentar algo diferente, sempre que a vitória parece mais longínqua. Não tem medo de arriscar e apresenta uma visão normalmente correta das corridas. Apesar da sua postura nem sempre lhe vale muitos fãs, Russell é um dos grandes valores da atualidade e tornou-se na pedra basilar da Mercedes. Em 2026, com o monolugar dos Flechas de Prata a ser considerado a referência, Russell pode estar mais perto do desejado título. Já mostrou que sabe ser líder da Mercedes. Resta ver se terá estofo para lutar pelo título em luta direta com outros adversários.

Kimi Antonelli chegou à F1 em 2025 aos 18 anos, tornando-se o terceiro piloto mais jovem de sempre a estrear-se na categoria. Parte do programa júnior da Mercedes desde 2019, Antonelli venceu títulos consecutivos em F4 (italiana e alemã) em 2022, conquistou ambos os campeonatos de Fórmula Regional (europeu e do Médio Oriente) em 2023, e em 2024 subiu à F2, onde venceu duas corridas, terminando em sexto. A época de rookie de 2025 foi marcada por altos e baixos: conseguiu o primeiro pódio no Canadá e terminou com 150 pontos na sétima posição, mas acumulou algumas prestações abaixo do desejável, compreensíveis para um jovem da sua idade (com problemas técnicos à mistura). Mostrou uma maturidade acima da média, e os receios de acidentes por exageros não se confirmaram. Antonelli provou que tem tudo para ser uma referência no futuro. Em 2026 apenas lhe é pedido que mantenha a trajetória ascendente.

Piloto de reserva: Frederik Vesti, antigo júnior da Mercedes na F2, ocupa o lugar de reserva após a saída de Bottas para a Cadillac.

Valia da dupla face à concorrência: A Mercedes tem uma formação promissora para o arranque do ciclo 2026–2030, mas ainda não provada ao nível de McLaren ou Ferrari. Russell é o líder, Antonelli tem muito potencial, mas precisa ainda de crescer. A dupla pode vir a ser uma das melhores, mas em 2026 ainda terá de evoluir, especialmente do lado de Antonelli. Mas se o carro for de facto o melhor, há qualidade suficiente para garantir o título. Russell parece pronto para lutar pelos primeiros lugares e se tiver essa oportunidade, ser interessante ver como lidará com a pressão.

Avaliação da dupla – Nota 8

Piloto Corridas Vitórias Pódios Poles Classificação 2025
George Russell 152 5 24 7  (319 pts)
Kimi Antonelli 24 0 3 0  (150 pts)

Red Bull Racing: Max Verstappen / Isack Hadjar

A Red Bull mantém o tetracampeão Max Verstappen como eixo central do projeto e promoveu o jovem francês Isack Hadjar, que protagonizou uma excelente temporada em 2025. Uma dupla interessante, mas ainda com a maldição do segundo lugar da equipa a preocupar. A Red Bull começa uma nova fase, com as unidades motrizes a serem feitas “em casa”. Com muitas mudanças nos bastidores (depois de uma época 2025 conturbada e com saídas de peso), a Red Bull ainda procura colocar o pé em chão firme e a manutenção de Verstappen foi a melhor notícia de 2025. Já Hadjar chega com uma missão difícil, mas demonstrou potencial para ter sucesso.

Max Verstappen é o piloto dominante da era mais recente da F1. Tetracampeão mundial (2021–2024), soma 71 vitórias, 127 pódios e 48 poles até ao início de 2026, com um volume impressionante de recordes. Verstappen tem sido o melhor piloto nas últimas temporadas e o seu valor é por demais evidente. Em 2025 foi a tábua de salvação da Red Bull e sozinho, conseguiu fazer frente à dupla da McLaren. É o melhor e não se espera algo muito diferente em 2026. Enquanto a Red Bull tiver Verstappen, estará mais perto do sucesso. Mas se não lhe derem um bom carro este ano, o neerlandês pode procurar outras paragens. Assim, a pressão está mais do lado da equipa do que do piloto.

Isack Hadjar chega à Red Bull depois de um percurso sólido: foi vice-campeão de F2 em 2024, com quatro vitórias em corridas principais, e estreou-se na F1 em 2025 pela Racing Bulls, onde completou a época de forma consistente e com um pódio! Hadjar era um dos nomes menos sonantes dos estreantes de 2025, e começou a época com um incidente que o levou às lágrimas. Mas transformou-se numa máquina de regularidade, rápido, ainda com alguma impaciência típica da idade, mas com um potencial tremendo. A promoção precoce do francês reflete a confiança da Red Bull no seu talento, mas Hadjar terá como missão crescer rapidamente ao lado de Verstappen, evitando a pressão que afundou outros pilotos no passado. Hadjar tem agora uma das missões mais difíceis da F1: tentar aproximar-se de Verstappen. Será que o francês acaba com a maldição do segundo piloto da Red Bull?

Piloto de reserva: Yuki Tsunoda, rebaixado do lugar de titular na Red Bull em 2025 depois de uma época irregular, assume agora o papel de terceiro piloto para ambas as equipas do grupo (Red Bull e Racing Bulls).

Valia da dupla face à concorrência: A presença de Verstappen coloca esta dupla automaticamente entre as mais fortes do grid. Contudo, Hadjar na Red Bull é ainda uma incógnita: ainda está em processo de maturação e ter ao lado o melhor da atualidade poder trazer pressão acrescida. Em termos de campeonato de construtores, a Red Bull pode sofrer se o lado do francês não pontuar consistentemente. A dupla tem potencial enorme, mas também risco elevado. Hadjar parece ter o que é preciso para cimentar o seu lugar. Se confirmar o que já mostrou, pode fazer uma boa dupla. Do lado de Verstappen espera-se o habitual… o melhor!

Avaliação da dupla – Nota 8

Piloto Corridas Vitórias Pódios Poles Classificação 2025
Max Verstappen 233 71 127 48  (421 pts)
Isack Hadjar 23 0 1 0 12º (51 pts)

Ferrari: Charles Leclerc / Lewis Hamilton

Em 2025, a Ferrari ficou longe dos melhores lugares e a valia da sua dupla apenas exacerbou esse facto. Com uma das duplas mais fortes da grelha, a Ferrari tem agora em 2026 a obrigação de recuperar e de se aproximar do topo. A Scuderia enfrenta um ano fundamental para a continuação do projeto liderado com Fred Vasseur. A busca pelo título continua, quase 20 anos após o último. A pressão na equipa italiana é sempre grande, tal como a expetativa, o que se torna difícil de gerir, quando se tem uma das melhores equipas do mundo e uma das melhores duplas da F1. A Ferrari precisa de se reaproximar do topo, e tem os artistas indicados para tal.

Charles Leclerc está na Ferrari desde 2019 e já soma oito vitórias, 50 pódios e o estatuto de referência absoluta da casa de Maranello. Especialista em qualificação (já conquistou 27 poles na carreira), Leclerc foi vice-campeão mundial em 2022 e manteve-se competitivo, incluindo vitórias emblemáticas no Mónaco e em Monza. Encerrou 2025 com 242 pontos, claramente superior ao companheiro Hamilton. Leclerc está a ser subaproveitado na Ferrari e o monegasco começa a dar sinais de impaciência. O seu sonho é triunfar pela Scuderia, mas se este ano voltar a ter uma época à imagem de 2025, poderá ponderar uma mudança de ares. Seria um golpe para a Ferrari ver o seu “menino” não triunfar de vermelho. Leclerc tem tudo para ser candidato. Tem-lhe faltado o mais importante… o carro.

Lewis Hamilton chega ao segundo ano na Ferrari depois de uma estreia difícil em 2025, em que ficou sem pódios pela primeira vez na carreira e terminou em sexto no campeonato, sendo claramente superado por Leclerc. Contudo, o britânico com sete títulos mundiais mantém a ambição de conquistar o oitavo, agora pela Ferrari. Aos 41 anos, Hamilton aposta na nova geração técnica para voltar à luta por títulos. Mas a pressão de ser piloto Ferrari exigiu muito dele no ano passado. 2026 pode ser o ano em que se aproxima do título… ou começa a ponderar uma saída, caso os triunfos estejam ainda longe. Hamilton tem, à sua maneira, tentado melhorar a equipa. Mas a Ferrari não é conhecida por se moldar tão facilmente a vontades de forasteiros. No entanto, o peso dos sete títulos poderá criar um compromisso que permita uma evolução. 2026 será a prova dos nove e dará indicações se esta ligação ficará na história pelos bons ou maus motivos.

Piloto de reserva: Antonio Giovinazzi, ex-piloto de F1 e parte integrante do programa de endurance da Ferrari, vencedor das 24 Horas de Le Mans em 2023, mantém-se como terceiro piloto.

Valia da dupla face à concorrência: Em termos de palmarés bruto e talento, esta é a formação mais impressionante da grelha: sete títulos mundiais de um lado, velocidade e juventude do outro. A experiência combinada é única. Contudo, as dificuldades de Hamilton em 2025 levantam questões sobre a sua capacidade de voltar ao nível de outrora. Do lado de Leclerc há a questão da motivação que em 2025 pareceu claramente faltar em certas fases. Se Hamilton e Leclerc encontrarem um carro minimamente competitivo e que lhes permita lutar por vitórias, esta dupla é claramente das mais fortes. Caso contrário, a pressão mediática irá levar pilotos e liderança da equipa para o fundo.

Avaliação da dupla: 9/10 

Piloto Corridas Vitórias Pódios Poles Classificação 2025
Charles Leclerc 171 8 50 27  (242 pts)
Lewis Hamilton 380 105 202 104  (156 pts)

Williams: Carlos Sainz / Alex Albon

A Williams apresenta uma das duplas mais subvalorizadas da grelha: dois pilotos completos, com experiência em equipas de topo e com uma boa relação que permite a qualquer estrutura evoluir. A chave do sucesso da equipa britânica está nos seus pilotos. Num 2026 que pode definir as próximas temporadas, a Williams não começou da melhor maneira, mas tem na sua dupla de pilotos talvez o seu maior trunfo para manter a trajetória ascendente.

Carlos Sainz chegou à Williams após quatro épocas sólidas na Ferrari, onde conquistou quatro vitórias e 25 pódios. Terminou 2024 em quinto no campeonato com 290 pontos, a melhor marca da carreira, antes de se transferir para Grove, depois da surpreendente chegada de Hamilton, um rude golpe para o espanhol. Após um começo difícil com as core da equipa britânica, Sainz conseguiu excelentes resultados (dois pódios) e exibições pela Williams. Trouxe maturidade, capacidade de desenvolvimento, dando primazia à equipa, sem perder tempo em lutas internas. O “efeito Sainz” fez-se sentir e a equipa melhorou. Foi a aposta certa para uma equipa que precisava de alguém como o espanhol. Para este ano espera-se mais do mesmo por parte do #55, que quer colocar a equipa no rumo das vitórias, o que já se viu que não será fácil.

Alex Albon renasceu na Williams após a passagem conturbada pela Red Bull (2019–2020). Desde 2022 em Grove, tornou-se peça central no desenvolvimento do carro e responsável por vários resultados acima das expectativas. Terminou 2025 como melhor piloto das equipas do meio da tabela, em oitavo, provando consistência e leitura de corrida. Albon é discreto fora de pista, não é o piloto mais mediático e as suas proezas facilmente passam despercebidas. Mas foi o “abono de família” da Williams desde a sua entrada. Curiosamente, 2025 começou muito bem, mas acabou por cometer alguns erros incaraterísticos na segunda metade. Do tailandês pede-se que suba um pouco mais o nível e que mantenha a boa relação com Sainz.

Piloto de reserva: Luke Browning, integrado no programa de jovens da Williams, ocupa o lugar de reserva com foco em trabalho de simulador.

Valia da dupla face à concorrência: Sainz e Albon formam uma das duplas mais equilibradas e experientes do grid. Não têm o brilho mediático de outras duplas, mas em termos de consistência, leitura de corrida e capacidade de maximizar o material disponível, estão claramente na metade superior da tabela. Se a Williams entregar um bom carro, esta dupla pode surpreender. Resta saber o que material a Williams vai entregar, dadas as dificuldades do arranque da temporada.

Avaliação da dupla: 8/10 

Piloto Corridas Vitórias Pódios Poles Classificação 2025
Carlos Sainz 229 4 29 6  (73 pts)
Alex Albon 128 0 2 0  (64 pts)

Racing Bulls: Liam Lawson / Arvid Lindblad

A Racing Bulls (ex-AlphaTauri) mantém o papel declarado de equipa de desenvolvimento da Red Bull, a incubadora de jovens com potencial para a Red Bull. Em 2026 há um novo estreante que aponta ao topo e um piloto com uma breve passagem pela Red Bull, mas que quer voltar a provar o seu valor. Numa equipa que tem sido a porta de entrada ideal para jovens talentos e “clinica de recuperação” para pilotos com passagens menos conseguidas na Red Bull, não se esperam feitos impressionantes. Mas a dupla deste ano merece destaque pelos vários pontos de interesse.

Liam Lawson ganhou notoriedade ao substituir Daniel Ricciardo em 2023, somando pontos e mostrando maturidade e velocidade em condições difíceis. Foi promovido à Red Bull para 2025, mas bastaram duas corridas menos conseguidas para a despromoção de volta à Racing Bulls, onde se tem recuperado gradualmente. Aos 23 anos, Lawson tem talento, mas precisa de reconstruir a confiança, um trabalho que começou em no ano passado. Este ano poderá ser a sua primeira temporada a tempo inteiro feita sem sobressaltos. Assim, poderá mostrar mais do que tem feito até agora. Se não o fizer, terá vida curta na equipa.

Arvid Lindblad chega como único rookie do grid de 2026, após um percurso meteórico: com um excelente percurso na F4, vitória em Macau 2023, quatro vitórias em F3 em 2024 (o melhor registo do ano, terminando em quarto), título de Fórmula Regional Oceania e promoção à F2 em 2025, onde se tornou no mais jovem vencedor de sempre (Jidá, aos 17 anos). Lindblad destacou-se e convenceu os responsáveis da Red Bull a dar-lhe uma oportunidade na F1. É um jovem talento que precisa de tempo para maturar e está na estrutura certa para isso. A nova geração começa a instalar-se na grelha com muito potencial. Lindblad pode dar que falar no futuro, mas terá de enfrentar a sempre desafiante primeiro temporada.

Piloto de reserva: Yuki Tsunoda mantém ligação ao grupo Red Bull como reserva de ambas as equipas. Ayumu Iwasa também está na estrutura com o mesmo papel. ​

Valia da dupla face à concorrência: É um alinhamento de elevado potencial, mas também o mais “verde” da grelha. Lawson ainda está em recuperação após o trauma da Red Bull, Lindblad é totalmente inexperiente. A consistência será a grande incógnita. Pode ser brilhante ou desastrosa, dependendo da curva de aprendizagem de ambos.

Nota final: 6/10 

Piloto Corridas Vitórias Pódios Poles Classificação 2025
Liam Lawson 35 0 0 0 14º (38 pts)
Arvid Lindblad 0 0 0 0 Rookie 2026

Aston Martin: Fernando Alonso / Lance Stroll

A Aston Martin mantém a dupla que protagonizou o início promissor de 2023, apostando na experiência de Fernando Alonso e na continuidade de Stroll, filho do dono da equipa. Numa estrutura que busca transformar-se numa das referências, com investimento a condizer com a vontade, a aposta em pilotos experientes tem dado algum resultado, com a falta de experiência e de estofo da estrutura ainda a não permitir outros voos. Mas este ano, com a chegada de Adrian Newey, o entusiasmo e a esperança são maiores do que nunca.

Fernando Alonso, bicampeão mundial (2005, 2006), continua a ampliar o recorde de mais Grandes Prémios disputados na história da F1 e trouxe à Aston Martin um salto de visibilidade e desempenho em 2023, com seis pódios nos primeiros oito GPs. Contudo, 2024 e 2025 foram mais difíceis, com a equipa a perder terreno para os rivais. Aos 44 anos, Alonso mantém-se competitivo e motivado, declarando que continuará enquanto tiver um carro competitivo e se sentir rápido. A motivação em 2026 é ainda maior com Adrian Newey do seu lado. Pode ser o ano do tudo ou nada. Alonso quer sair com o terceiro campeonato, tem talento e capacidade para isso, mas precisa de um carro que lhe permita lutar por esse objetivo. Será que é em 2026 que isso acontece? Uma coisa é certa, a idade de Alonso não lhe retira a fome de vencer e podemos contar com ele para nos dar grandes momentos, dentro e fora de pista.

Lance Stroll prossegue a longa associação à estrutura da família, somando já perto de 200 GPs e três pódios na carreira. Embora seja um piloto experiente, Stroll tem sido irregular, com bons momentos em condições de baixa aderência, mas dificuldades em manter consistência ao longo de épocas completas. Em 2024, somou apenas 17 pontos contra 41 de Alonso. Stroll continua sem convencer nem entusiasmar. Talvez com um carro mais capaz mostre mais, mas até agora tem feito pouco para convencer os mais críticos.

Piloto de reserva: Jak Crawford, integrado no programa da Aston Martin após experiência nas fórmulas de acesso, ocupa o lugar de terceiro piloto. Stoffel Vandoorne foi também anunciado para trabalhar de perto com a equipa​.

Valia da dupla face à concorrência: A força desta dupla tem dependido quase exclusivamente de Alonso. Quando o espanhol está em forma (o que acontece quase sempre), a Aston Martin consegue resultados sólidos. Contudo, a irregularidade de Stroll pode pesar no campeonato de construtores. Face às melhores equipas, falta equilíbrio. Se a Aston Martin tiver um carro competitivo, todas as atenções se voltarão para Alonso. Stroll tem de mostrar mais para se destacar.​

Avaliação da dupla: 7/10 

Piloto Corridas Vitórias Pódios Poles Classificação 2025
Fernando Alonso 425 32 106 22 10º (51 pts)
Lance Stroll 189 0 3 1 14º (30 pts)

Haas: Esteban Ocon / Oliver Bearman

Depois de uma renovação completa em 2025, a Haas manteve a dupla para 2026, numa mistura de experiência e juventude que deu bons resultados no ano passado. Numa Haas que ganhou mais força com a chegada de Ayao Komatsu à liderança, com a Toyota agora cada vez mais próxima, a equipa mantém a filosofia inicial: fazer muito com pouco. E dentro dessa filosofia, a escolha de pilotos revelou-se adequada em 2025, mantendo-se para este ano.

Esteban Ocon, vencedor do GP da Hungria 2021, soma quatro pódios em 180 GPs disputados. Passou por Manor, Force India e Alpine antes de se transferir para a Haas, trazendo conhecimento de equipas de meio da tabela e capacidade sólida em corrida, especialmente em defesa de posição (sempre muito agressivo). Começou a época passada de forma positiva, mas acabou por ser ator secundário, atrás do jovem colega. Esperava-se um pouco mais do francês que tem agora em 2026 a missão de mostrar mais, correndo o risco de poder ver o seu lugar em causa. Ocon pode dar mais, mas tem de fazer por isso.

Oliver Bearman entrou nas manchetes ao substituir Carlos Sainz na Ferrari no GP da Arábia Saudita de 2024, pontuando logo na estreia com um impressionante sétimo lugar. O britânico, de 19 anos, fez ainda duas aparições pela Haas em 2024 (Azerbaijão e São Paulo), pontuando em Baku, juntando a isso uma boa carreira nas fórmulas de iniciação. É piloto da academia Ferrari, que lhe abriu a porta da Haas. Em boa hora, pois o jovem, apesar de exageros típicos da sua juventude, acabou por superar Ocon e fez uma segunda metade da temporada notável. Uma aposta acertada da Haas, que espera do britânico a mesma taxa de evolução. Bearman tem potencial para ter sucesso na F1, mas terá de confirmar todas as boas indicações de 2025, nesta temporada.

Pilotos de reserva: Jack Doohan e Ryo Hirakawa partilham o papel de reserva, trazendo experiência de F2 e endurance, respetivamente. Para Doohan é uma forma de se manter na F1, após o fracasso na Alpine.​

Valia da dupla face à concorrência: A Haas apresenta uma formação equilibrada para o meio da tabela, com Ocon a ter a experiência necessária para a garantir pontos consistentes e Bearman a trazer velocidade pura e irreverência. O trabalho da equipa tem sido muito positivo e a evolução da Haas com Komatsu é clara e a dupla atual permite manter essa trajetória. ​

Avaliação da dupla: 7/10 

Piloto Corridas Vitórias Pódios Poles Classificação 2025
Esteban Ocon 180 1 4 0 15º (38 pts)
Oliver Bearman 27 0 0 0 13º (41 pts)

Audi: Nico Hülkenberg / Gabriel Bortoleto

A Audi estreia-se oficialmente em 2026 (após uma época de transição em 2025 ainda como Sauber), apostando na combinação de experiência e juventude para construir as bases do projeto germânico. A entrada do construtor germânico é um marco importante na F1. A Audi está habituada a ganhar e espera-se que traga esse ímpeto. No entanto, a F1 é um mundo bem mais exigente e complexo. É preciso fazer crescer a estrutura e evoluir. A dupla de piloto reflete essa necessidade e desejo.

Nico Hülkenberg, veterano com 15 temporadas na F1 e 250 corridas, fez um excelente regresso à competição depois de três temporadas afastado (com aparições pontuais) e consolidou-se como referência na Haas em 2023 e 2024, antes de se transferir para a Sauber/Audi em 2025, voltando a ser piloto de fábrica (já o tinha sido na Renault). Conhecido pela solidez em corrida e pela capacidade de pontuar consistentemente, Hülkenberg não tem a estatística do seu lado. Apenas um pódio na sua vasta carreira, conquistado no ano passado. Mas o respeito de todos os pilotos na grelha comprovam o seu valor. Foi uma aposta inteligente da Audi que dificilmente poderia ter um piloto mais experiente e em boa forma. Tem evidenciado um nível muito interessante, melhor até do que antes da sua “pausa”. Veremos como lida com os novos monolugares, mas este “Hulk” é uma peça importante para a equipa.

Gabriel Bortoleto, foi uma das grandes estrelas das F3 e F2, antes de se juntar à Sauber no ano passado. O brasileiro, conquistou a F3 e a F2 no seu ano de estreia, igualando os feitos de Charles Leclerc, George Russell e Oscar Piastri. A aposta da Audi (na altura Sauber) foi muito inteligente: assegurar um jovem prodígio e dar-lhe tempo para evoluir com a equipa, também a crescer. Bortoleto não fez uma época espantosa em 2025, mas mostrou muitos pormenores que certamente agradaram à equipa. Há muito potencial a explorar. Mais ainda, criou uma excelente relação com Hulkenberg, com quem pode aprender. Bortoleto está no caminho certo para voltar a dar alegrias ao Brasil. Ainda falta algum tempo para isso, mas o projeto e a envolvência parecem as indicadas. O talento, esse, terá de ser mostrado este ano.

Piloto de reserva: Até ao momento, a Audi não confirmou oficialmente o terceiro piloto.

Valia da dupla face à concorrência: Para um novo construtor, esta é uma formação lógica e bem pensada: Hülkenberg traz uma base de desenvolvimento sólida, Bortoleto representa o futuro. Não rivalizam ainda com as super-estrelas em palmarés, mas têm o perfil ideal para construir alicerces fortes na nova era. A boa relação entre a dupla faz com que o ambiente de trabalho seja bom e isso ajuda a equipa. A incógnita é saber se o carro estará à altura.

Avaliação da dupla: 7/10 

Audi

Piloto Corridas Vitórias Pódios Poles Classificação 2025
Nico Hülkenberg 250 0 1 1 11º (51 pts)
Gabriel Bortoleto 24 0 0 0 18º (19 pts)

Alpine: Pierre Gasly / Franco Colapinto

A Alpine manteve Pierre Gasly como líder do projeto francês e manteve também o argentino Franco Colapinto, mesmo após uma temporada difícil, numa dupla que levanta mais interrogações que certezas. A equipa francesa atravessa uma fase de grandes indefinições quanto ao seu futuro. A identidade já mudou a entrada da Mercedes como fornecedora de Unidades Motrizes mostra bem a mudança de filosofia operada. É talvez essa indefinição que carateriza a dupla da equipa.

Pierre Gasly, vencedor do GP de Itália 2020 e com cinco pódios na carreira, transferiu-se para a Alpine em 2023, onde se transformou no farol da equipa. É um dos pilotos mais fiáveis da atualidade, aliando determinação, talento e velocidade. Com a saída de Esteban Ocon em 2025, passou a ser o líder, mas teve pouco para liderar, com uma Alpine completamente perdida e longe do topo. Garantiu a totalidade dos 22 pontos conquistados pela equipa no ano passado. Este ano, com uma nova era e um novo fornecedor de unidades motrizes, Gasly espera subir na tabela. A equipa depende quase em exclusivo do francês para evoluir e crescer.

Franco Colapinto, subiu à F1 em 2024 pela Williams, substituindo Logan Sargeant a meio da época após vencer o título de F4 espanhola, destacar-se na F3 com poles e vitórias, e ascender à F2. Colapinto impressionou na estreia, mostrando ritmo, mas foi acumulando erros comprometedores na Williams. Apesar disso, Flavio Briatore gostou do que viu e aproveitou a primeira oportunidade para despachar Jack Doohan e dar o lugar a Colapinto. No entanto, 2025 foi uma época desastrosa para o argentino, o único que não pontuou (Doohan também não, mas fez apenas seis corridas). Apesar de várias exibições abaixo do desejável, a Alpine manteve a confiança no piloto que, este ano, tem a oportunidade de fazer uma época completa. Colapinto tem potencial, mas precisa de o desbloquear rapidamente.

Piloto de reserva: Paul Aron, vindo das fórmulas de promoção, integra o programa de desenvolvimento da Alpine como terceiro piloto.

Valia da dupla face à concorrência: Gasly traz experiência e solidez, Colapinto é promissor, mas ainda tem tudo por provar ao mais alto nível. Esta é uma formação interessante, mas mais frágil (um pouco à imagem da equipa, comparativamente a outras, dependendo em demasia de Gasly. O sucesso dependerá da rapidez de adaptação definitiva de Colapinto e da consistência de francês.

Avaliação da dupla: 6/10 

Piloto Corridas Vitórias Pódios Poles Classificação 2025
Pierre Gasly 177 1 5 0 18º (22 pts)
Franco Colapinto 26 0 0 0 20º (0 pts)

Cadillac: Sergio Pérez / Valtteri Bottas

A Cadillac entra em 2026 como 11.ª equipa, apostando numa dupla extremamente experiente para acelerar o processo de maturação do projeto americano. A segunda equipa dos “States” chega com ambição. Um projeto com bases fortes, ciente do percurso que tem de fazer, com necessidade de injetar experiência, o que a dupla de pilotos faz na perfeição.

Sergio Pérez, vencedor de seis Grandes Prémios, ficou afastado da F1 em 2025 após a saída da Red Bull no final de 2024, onde terminou em oitavo no campeonato, apesar de ter renovado contrato a meio do ano. A época de 2024 foi desastrosa: apenas 152 pontos contra 437 de Verstappen, custando à Red Bull o título de construtores. Pérez admitiu sentir “desmotivação” nos últimos meses na Red Bull, mas o ano sabático permitiu-lhe recuperar a paixão pela F1 e chegar à Cadillac renovado. A aposta da equipa é sensata e Pérez tem muita experiência, algo valioso nesta fase do projeto. É um dos pilotos mais experientes da grelha e conhece bem a exigência do meio da tabela.

Valtteri Bottas, com 10 vitória no seu CV e ex-piloto da Mercedes (2017–2021), onde foi duas vezes vice-campeão de construtores ao lado de Hamilton, passou por três épocas difíceis na Sauber (2022–2024), incluindo uma época de 2024 sem pontos. Ficou de fora do grid em 2025, regressando à Mercedes como reserva, antes de assegurar o lugar na Cadillac para 2026, que usou a mesma filosofia na escolha do finlandês, que ainda pode ser muito útil à equipa. Faz com Pérez a dupla mais experiente dio “grid”, um sonho para quem começa a na F1. É raro conseguir tanta experiência e qualidade numa dupla para começar um projeto deste calibre.

Piloto de reserva: Zhou Guanyu, ex-companheiro de Bottas na Sauber, mantém ligação à F1 como terceiro piloto da Cadillac.

Valia da dupla face à concorrência: Para uma nova construtora, é uma formação com altíssimo nível de experiência, ideal para acelerar processos de correção e extrair o máximo de um pacote ainda “verde”. A fiabilidade e o conhecimento técnico da dupla são trunfos importantes para um ano de estreia. Uma excelente dupla o arranque de um projeto que se antevê forte, mas com uma curva de aprendizagem ainda íngreme.

Avaliação da dupla : 7/10 

Piloto Corridas Vitórias Pódios Poles Classificação 2025
Sergio Pérez 281 6 39 3 Fora em 2025
Valtteri Bottas 246 10 67 20 Fora em 2025
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