F1: Aston Martin tem quatro meses de atraso face às restantes equipas

Por a 3 Fevereiro 2026 12:03

O desenvolvimento de um carro de Fórmula 1 raramente é um processo linear, mas, para a Aston Martin, a preparação para a nova era regulamentar revelou-se particularmente intensa. Com infraestruturas ainda a amadurecer, novas regras técnicas e a integração recente de um dos mais reputados engenheiros da história da modalidade, a equipa britânica entrou num ciclo de trabalho acelerado e exigente.

Adrian Newey começou no ano passado um novo ciclo. Uma das contratações mais sonantes da Aston Martin desde que Lawrence Stroll iniciou este projeto, a chegada de Newey foi encarada com grande entusiasmo e esperança. O homem que já desenhou 12 carros campeões do mundo é visto como o farol que guiará a equipa ao sucesso.

Quatro meses de atraso

Newey não escondeu que o projeto nasceu sob enorme pressão de calendário. Com a Aston Martin ainda a melhorar as suas infraestruturas, os engenheiros e todo o staff da equipa enfrentou um calendário muito apertado para deixar o AMR26 pronto. E um dos motivos que condensou sobremaneira o calendário da equipa foi a conclusão do túnel de vento, que atrasou o projeto em quatro meses, como explicou Newey, em declarações ao site da equipa:

“2026 é provavelmente a primeira vez na história da Fórmula 1 em que os regulamentos da unidade motriz e do chassis mudam ao mesmo tempo. É um conjunto completamente novo de regras, o que é um grande desafio para todas as equipas, mas talvez ainda mais para nós.

O AMR Technology Campus ainda está a evoluir, o túnel de vento CoreWeave só ficou plenamente operacional em abril, e eu só me juntei à equipa em março do ano passado, por isso, na verdade, começámos atrás. Foram dez meses muito intensos e com um calendário extremamente comprimido.

Só colocámos um modelo do carro de 2026 no túnel de vento a meio de abril, enquanto a maioria — se não todos — dos nossos rivais já o teria feito desde o momento em que a proibição de testes aerodinâmicos terminou, no início de janeiro. Isso deixou-nos cerca de quatro meses atrás, o que significou um ciclo de investigação e conceção muito, muito apertado. O carro só ficou pronto no último momento, razão pela qual estivemos a lutar para chegar ao shakedown de Barcelona.”

A arma poderosa que fará a diferença

Quatro meses de atraso em túnel de vento podem ser uma eternidade na Fórmula 1 — e Newey admite que isso obrigou a uma verdadeira corrida contra o relógio. Mas o atraso foi por bons motivos. O túnel de vento é uma ferramenta essencial e o da Aston Martin é agora a referência na F1:

“O túnel de vento CoreWeave é absolutamente de última geração. Diria que é provavelmente o melhor túnel de vento do mundo para aplicação em Fórmula 1. É muito sofisticado, construído inteiramente segundo as nossas especificações, com a experiência da CoreWeave integrada. Está destinado a ser um fator decisivo para nós.

A aerodinâmica é o maior diferenciador de performance na Fórmula 1. A nossa principal ferramenta de investigação para isso é o túnel de vento. É absolutamente inestimável, e agora estamos a começar a colher os frutos.”

Um carro em constante evolução

Certamente que quatro meses de atraso no projeto farão com que a Aston Martin apresente uma curva de evolução muito íngreme. E há soluções que apenas verão a luz do dia a meio da época:

O AMR26 que vai correr em Melbourne será muito diferente daquele que as pessoas viram no shakedown de Barcelona, e o AMR26 com que terminarmos a época em Abu Dhabi será muito diferente daquele com que começamos a temporada. É muito importante manter a mente aberta.”

“Tentámos construir algo que esperamos que tenha bastante potencial de desenvolvimento. Aquilo que se quer evitar é um carro que sai muito otimizado dentro da sua janela de funcionamento, mas que não tem grande margem de evolução. Tentámos fazer o oposto, e é por isso que nos concentrámos tanto nos fundamentos, colocando aí o nosso esforço, sabendo que alguns dos apêndices — asas, carroçaria, coisas que podem…”

Foco nos pilotos

Outro foco fundamental é a condução. Depois de anos em que os carros de efeito-solo se tornaram difíceis de guiar, Newey quer inverter essa tendência:

“A geração anterior de carros de efeito-solo, de 2022 a 2025, tornou-se bastante difícil de conduzir. O Aston Martin foi, infelizmente, um exemplo particularmente claro disso. Com esta nova fórmula, estamos a tentar criar um carro do qual o Lance [Stroll] e o Fernando [Alonso] consigam extrair consistentemente um bom nível de performance.”

De Adrian Newey espera-se sempre muito. O design agressivo do AMR26 mostra o pensamento que o engenheiro britânico colocou no carro, apesar de não considerar o seu desenho agressivo:

“Nunca olho para nenhum dos meus projetos como sendo agressivo. Limito-me a trabalhar e a seguir aquilo que sentimos ser a direção correta. A direção que tomámos pode, certamente, ser interpretada como agressiva. Tem bastantes características que não tinham sido feitas antes. Isso faz dela agressiva? Talvez. Talvez não.”

Agressivo ou não, a nova criação de Newey já dá muito que falar, e o otimismo do lado da Aston Martin, apesar de todos os atrasos, mostra que há muito potencial a extrair. Será desta que o projeto da equipa de Silverstone dá o passo certo rumo ao sucesso. Newey não é garantia de sucesso, mas é certamente uma via muito mais rápida de lá chegar.

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