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CIRCUITOS PORTUGUESES

José Luis Abreu by José Luis Abreu
28 Janeiro, 2026
in Autosport Exclusivo, MAIS MOTORES
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CIRCUITOS PORTUGUESES

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A história do automobilismo português está cheia de bons exemplos de circuitos citadinos, onde se escreveram belas páginas do livro de ouro do desporto motorizado nacional. Desta feita, vamos relembrar-lhe um a um, mas também os iremos recordar com maior detalhe, posteriormente, em artigos separados…

Apesar de contar com uma longa e rica tradição automobilística, que remonta ao célebre Figueira da Foz-Lisboa disputado em 1902, a evolução do desporto automóvel em território nacional foi sempre marcada por numerosos altos e baixos, devido aos permanentes problemas políticos e económicos que marcaram o Século XX português. Deste modo, as primeiras provas eram essencialmente eventos de regularidade, gincanas e passeios, aparecendo em seguida as rampas e os quilómetros lançados. No entanto, o golpe militar de 5 de outubro que instaurou a I República inaugurou um período de agitação de dezasseis anos, marcado ainda pela I Guerra Mundial, que em nada contribuíram para a evolução do desporto no nosso país.

O automobilismo sempre foi uma modalidade cara, e nestes tempos pioneiros era marcadamente elitista e as principais provas concentravam-se nos países mais ricos, com avançados graus de industrialização e boas redes viárias; condições que Portugal visivelmente não tinha. Assim, não é de estranhar que esta progressão tenha sido muito lenta, e só com a estabilização política proporcionada pelo Estado Novo (formalmente aprovado com o plebiscito constitucional de
1933) os desenvolvimentos vão ser mais notórios. É nesta viragem para a década de 30 que surgem os primeiros circuitos fechados (ainda com longas distâncias) e que começam efetivamente a proliferar as rampas e os quilómetros de arranque ou lançados, ao mesmo tempo que as concentrações turísticas e de regularidade começam lentamente a metamorfosear-se nos primeiros ralis. E, à medida que a década de 30 avança, os circuitos urbanos concentram em si o grosso das atenções relativas à modalidade. Aparece Vila Real, a Boavista, e circuitos citadinos no Estoril e no Parque Eduardo VII em Lisboa, entre outros. Contudo, não haviam as mínimas condições para pensar na construção de um autódromo, como se começava a fazer na Europa – é neste período entre guerras que surgem circuitos emblemáticos como Monza, Linas-Montlhéry e Nürburgring, entre outros – e a II Guerra vai interromper durante uma década este tímido desenvolvimento.

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Os circuitos urbanos sempre fizeram parte da história da automobilismo nacional, mas algumas pistas ganharam fama internacional entre os anos 50 e 70, recebendo
grandes provas, incluindo as corridas de Fórmula 1 em Monsanto e na Boavista,
o GP de F3 em Cascais e as corridas de resistência em Vila Real

Vai ser a partir de 1950 que vamos assistir a um salto qualitativo no panorama nacional em todos os níveis, e é no período do pós-guerra que nos vamos focar nesta série de artigos sobre os circuitos urbanos portugueses. Vila Real é talvez a pista mais mítica de todo o território nacional. A origem deste circuito remonta a 1931 e foi o primeiro a internacionalizar-se ainda antes da Guerra, sendo retomado nos anos 50. No entanto este regresso foi bastante irregular até
1966 e será entre este ano e 1973 que a pista transmontana conhecerá os seus anos de glória, recebendo numerosas provas internacionais. As velocidades médias crescentes e as precárias condições de segurança levaram a uma interrupção na sua utilização entre 1974 e 1978, regressando depois apenas no âmbito nacional até 1989. Após muitos esforços por parte do CAVR e da Câmara Municipal, aclamado por quase todos os entusiastas do desporto automóvel português, o circuito de Vila Real foi reeditado em 2007 numa versão reduzida e atualmente recebe o WTCC. Já o Circuito da Boavista surgiu também em 1931, embora numa versão radicalmente diferente da dos anos 50.
Nesta primeira encarnação da pista portuense apenas se disputaram três edições, mas quando a velocidade regressou à Invicta em 1950 a Boavista tornou-se no circuito mais importante do panorama nacional, recebendo regularmente alguns dos melhores pilotos do mundo em provas de Sport. Teve ainda a honra de receber o primeiro G.P de Portugal em F1 no ano de 1958, algo que foi repetido em 1960. No entanto, a manutenção desta pista era demasiado onerosa e as condições de segurança nunca foram as ideais, por isso tentou-se uma solução de compromisso com um pequeno circuito em Lordelo do Ouro em 1962. Pequeno e muito sinuoso, o traçado, quase totalmente desconhecido dos entusiastas nacionais, só voltaria a ser utilizado em 1966, mas a logística mais uma vez impediu a continuação do desporto automóvel no Porto. O Circuito da Boavista regressaria em 2005 para uma prova de históricos, mas iria receber o WTCC nos anos seguintes até ser interrompido em 2013, estando de momento a ser discutido o seu regresso a curto prazo.
Para alternar o G.P. de Portugal entre o Porto e Lisboa, o ACP traçou um circuito no Parque Florestal de Monsanto que incluía um troço da auto-estrada. Esta pista era também rápida e ficou famosa pelas magníficas fotografias que abarcavam a pista e o estuário do Tejo, e em 1959 recebeu o II G.P. de Portugal em F1. Mas, pelo mesmo motivo da Boavista, esta seria a última vez que Monsanto foi utilizado. Pelo menos foi possível aproveitar parte do circuito para provas nacionais, o denominado circuito de Montes Claros, que foi utilizado entre 1962 e 1972. Também na região lisboeta se realizaram mais dois circuitos de renome: entre 1967 e 1969 disputaram-se provas numa pista delimitada na Base Aérea da Granja do Marquês; e entre 1963 e 1966 realizou-se um circuito citadino em Cascais, que se celebrizou pelas suas provas de F3. No entanto, em 1967 já havia planos firmados para a construção do Autódromo do Estoril, o primeiro edificado em Portugal, levando ao fim do Circuito de Cascais – a construção do Estoril iria prolongar-se até 1974.
Já o Norte teve outra pista mítica que, embora nunca tivesse atingido o patamar da internacionalização, conquistou desde cedo o seu lugar no coração dos fãs – o circuito de Vila do Conde. Inaugurado em 1950, o circuito da Princesa do Ave teve edições regulares até 2003 – chegaram a fazer-se duas provas por ano – sendo o último sobrevivente desta primeira geração dos circuitos citadinos.
Mas, mais uma vez, a segurança e o desenvolvimento urbano acabaram por condená-lo ao desaparecimento. Como já foi dito, Portugal teve finalmente o seu primeiro circuito permanente com a inauguração do Estoril em 1972, e foi nesta fantástica pista que a Fórmula 1 regressou ao nosso país entre 1984 e 1996. Mas problemas económicos e a necessidade de obras iria encerrar temporariamente o circuito, pelo que se criou uma última pista temporária no aeródromo da OTA, entre 1997 e 1999.
Nos dias de hoje, Portugal conta com três autódromos: o modernizado Estoril, o nacional Circuito Vasco Sameiro em Braga, e o Autódromo Internacional do Algarve, em Portimão. Mas são os circuitos temporários que marcaram o automobilismo português desde os anos 50 que convidamos o estimado leitor a descobrir, nesta mesma secção, nos próximos tempos. Fique atento!

José Luis Abreu

José Luis Abreu

Entre curvas e muito pó, descobri que o olhar treinado pela fotografia e a paixão pelos ralis só podiam levar a um destino: o jornalismo desportivo. E já lá vão mais de 30 anos…

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