F1: O que acontece se um construtor não tiver uma unidade motriz competitiva?

Por a 27 Janeiro 2026 16:46

Depois de largos meses de desenvolvimento, os construtores de unidades motrizes começam finalmente o trabalho “de campo”, ou seja, na pista. É a partir de agora que a fiabilidade é colocada à prova, que os sistemas são testados à exaustão, que tudo é avaliado. Mas ainda falta a parte da performance.

Não será certamente nesta semana que as equipas vão começar a puxar pelos novos monolugares. Há demasiado trabalho de base a ser feito antes de chegar a esse patamar. E teremos de ouvir a mesma história de sempre… será preciso esperar até a primeira corrida do ano para ter uma visão clara do horizonte competitivo de 2026.

E se uma unidade motriz não for competitiva? O que acontece? Já vimos isso acontecer em 2014, com a Mercedes a arrasar a concorrência. E a vantagem que a Mercedes encontrou nesse início de era teve ecos até 2021. Do outro lado, vimos a Renault a nunca encontrar a performance equivalente para voltar ao topo. A FIA sabe que uma nova regulamentação pode mudar o equilíbrio de forças e que, quem fizer um mau trabalho pode ficar irremediavelmente para trás. E para evitar isso, delineou-se um plano.

O que é o ADUO?

Face ao risco de existirem diferenças significativas de competitividade entre construtores, a FIA lançou no final do ano passado o programa ADUO (Additional Development and Upgrade Opportunities), destinado a ajudar os que fiquem para trás a aproximarem-se dos rivais. A situação será avaliada após blocos de seis corridas, ao longo de um calendário de 24 grandes prémios.

O sistema prevê benefícios graduais para quem apresentar défices de desempenho acima de 2, 4 e 6%, incluindo mais horas de utilização de bancos de teste, maior margem para homologações técnicas e um aumento progressivo do limite orçamental. Estão igualmente contemplados ajustamentos financeiros em casos de graves problemas de fiabilidade, evitando que custos elevados com motores comprometam a continuidade dos fabricantes no campeonato.

 Nikolas Tombazis, responsável pelos monolugares da FIA afirmou que se trata apenas de permitir que quem parte em desvantagem tenha condições para recuperar, num desporto onde a experiência acumulada, a infraestrutura e o conhecimento tornam extremamente difícil a rápida afirmação de novos intervenientes, como o caso da Audi e da Cadillac e até da Honda que começou um novo programa. Afastou a ideia de um BoP na F1 e acredita que o programa traçado permitirá recuperações relativamente rápidas, sem comprometer os alicerces que agora sustentam a F1.

Nikolas Tombazis, em declarações ao RacingNews365.com, explicou que a FIA avaliará o rendimento das unidades mortriz “de forma muito robusta”, através de três blocos de seis corridas, acrescentando: “O programa chama-se ADUO e, com base nisso, quem estiver mais de dois por cento abaixo em potência do motor de combustão — ou quatro ou seis por cento — recebe progressivamente mais benefícios.”

O responsável detalhou que essas vantagens passam por “mais horas de banco de testes, mais oportunidades de homologação e um aumento gradual do limite orçamental”, defendendo a necessidade destas medidas num contexto de limitação financeira: “Caso contrário, se se começa atrás, fica-se condenado.”

Referindo-se aos problemas de fiabilidade, alertou: “Se os motores começarem a avariar constantemente, em meia época esgota-se o orçamento e fica-se sem dinheiro, sem outra opção que não seja sair do desporto.” E concluiu: “Não queremos que os fabricantes sintam que têm de abandonar a Fórmula 1 por não terem qualquer esperança de serem competitivos.”

Sobre a acusação de artificialismo, Tombazis foi peremptório: “Defendo muito firmemente que isto não é ‘balance of performance’. Todos operam sob as mesmas regras; não há formas artificiais de dar mais rendimento a uns do que a outros, apenas oportunidades de recuperação para quem começa atrás.”

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