F1: Os problemas (e as atenuantes) da Williams
O aviso deixado por Carlos Sainz sobre a necessidade de a Williams “acertar tudo com o chassis” ganhou nova força depois de a equipa ter confirmado que vai falhar o primeiro teste de pré-temporada da Fórmula 1 de 2026, em Barcelona. A ausência surge num momento delicado para a estrutura britânica, que vinha de uma das suas melhores épocas recentes e encarava o novo ciclo regulamentar com ambição.
A Williams anunciou que não participará no ensaio inicial na Catalunha devido a atrasos na preparação do FW48, num teste de cinco dias em que cada equipa só poderá rodar durante três. A decisão representa um revés importante, depois de, em 2025, a formação de Grove ter terminado o campeonato no quinto lugar do Mundial de Construtores — o melhor resultado desde 2017 —, impulsionada por Sainz, que somou dois terceiros lugares e um pódio numa corrida sprint.
A aposta estratégica da equipa passou por sacrificar cedo o desenvolvimento do carro de 2025 para se concentrar totalmente nas novas regras técnicas. A chegada dos motores Mercedes, considerados potencialmente dos mais competitivos deste novo ciclo, reforçou as expectativas, até porque o construtor alemão irá fornecer quatro equipas: Mercedes, Williams, McLaren e Alpine.
Contudo, problemas nos testes de impacto exigidos pela FIA obrigaram a equipa a abdicar da semana inicial de ensaios, colocando-a em desvantagem face aos rivais, que irão acumular dados cruciais para a evolução dos seus projetos. O cenário reacende memórias difíceis, como em 2019, quando a Williams chegou tarde aos testes e com um carro parcialmente ilegal — episódio que a então dirigente Claire Williams classificou como o ponto mais baixo da sua liderança.
O historial recente também pesa: sob a direção de James Vowles, a equipa enfrentou decisões polémicas e várias irregularidades técnicas, desde a retirada de Logan Sargeant numa corrida em 2024 por falta de chassis suplente até desclassificações por incumprimento regulamentar em 2024 e 2025.
Os problemas
Que não fiquem dúvidas que a Williams enfrenta um momento complicado. Não usar os primeiros dias de testes vai atrasar o programa da Williams. Serão menos três dias de tempo de pista disponíveis para acumular dados e quilómetros, algo fundamental para conhecer o novo carro, o seu potencial e as suas fraquezas.
Uma vez que se trata de problemas que impedem o carro de passar nos testes de colisão da FIA, a Williams enfrenta questões estruturais no seu monolugar, o que pode colocar em causa não só o conceito, como grande parte do trabalho realizado até agora. Soma-se a isto a questão do limite orçamental, com dinheiro a ser gasto em tornar um carro legal, em vez de ser investido na extração de performance. O cenário, claramente, é pouco animador para a Williams.
Os atrasos afetam também os pilotos. Com monolugares profundamente diferentes dos atuais — sobretudo na gestão de energia e dos sistemas híbridos —, Sainz e Alex Albon partem atrás na adaptação em pista, apesar do recurso a simuladores e testes virtuais. Este conjunto de fatores coloca a Williams sob forte pressão logo no arranque do novo regulamento, com margem mínima para erros nas próximas semanas.
As atenuantes
Apesar do golpe, a Williams ainda terá dois testes no Bahrein, bem como a apresentação oficial do FW48 no início de fevereiro. O calendário alargado de 2026 atenua parcialmente o impacto. Apesar de começar com atraso, a equipa poderá compensar parte do tempo perdido. Há também a questão do desenvolvimento: em duas semanas, sem pensar em colocar o carro em pista, a equipa poderá dar passos importantes na evolução do monolugar. Se os elementos estruturais que falharam no teste forem resolvidos, os engenheiros poderão focar-se no desenvolvimento puro e duro. É, porém, uma perspetiva algo otimista, pois todas as equipas quererão desenvolver ao máximo os monolugares até Melbourne (e depois). Ainda assim, este incidente poderá dar à equipa a oportunidade de repensar certos elementos e, quem sabe, ganhar algo com isso.
Consequências para o projeto de 2026
O que parece certo é que a Williams voltou a falhar, voltou a mostrar fragilidades do ponto de vista organizacional e de engenharia, e coloca-se numa posição difícil desde o início. Depois do excelente trabalho feito em 2025, mesmo com o foco em 2026 desde muito cedo na época, parece que esse tempo não foi completamente aproveitado. A Williams parecia estar mais perto de dar um passo significativo rumo ao topo, mas voltou a evidenciar debilidades comprometedoras. Num pelotão em que a fiabilidade operacional é tão decisiva como a performance pura, a Williams não se pode permitir muitos mais passos em falso.
Foto: MPSA
O Autosport já não existe em versão papel, apenas na versão online.
E por essa razão, não é mais possível o Autosport continuar a disponibilizar todos os seus artigos gratuitamente.
Para que os leitores possam contribuir para a existência e evolução da qualidade do seu site preferido, criámos o Clube Autosport com inúmeras vantagens e descontos que permitirá a cada membro aceder a todos os artigos do site Autosport e ainda recuperar (varias vezes) o custo de ser membro.
Os membros do Clube Autosport receberão um cartão de membro com validade de 1 ano, que apresentarão junto das empresas parceiras como identificação.
Lista de Vantagens:
-Acesso a todos os conteúdos no site Autosport sem ter que ver a publicidade
-Desconto nos combustíveis Repsol
-Acesso a seguros especialmente desenvolvidos pela Vitorinos seguros a preços imbatíveis
-Descontos em oficinas, lojas e serviços auto
-Acesso exclusivo a eventos especialmente organizados para membros
Saiba mais AQUI





