Dakar, Etapa 10: Serradori vence, Al-Attiyah recupera o comando do Dakar

Por a 14 Janeiro 2026 11:43

Todos sabiam que a etapa 10 poderia ser a etapa decisiva deste Dakar 2026. Faltam agora três etapas para o fim da prova e a segunda metade da etapa maratona, com três centenas de quilómetros pelas dunas do deserto saudita, podia definir o final desta epopeia. E Nasser Al-Attiyah / Fabian Lurquin (Dacia Sandrider/The Dacia Sandriders) jogaram hoje uma cartada que pode ser fulcral. Os homens da Dacia recuperaram a liderança do Dakar e têm agora 12 minutos de vantagem sobre Henk Lategan / Brett Cummings (Toyota Hilux Gr/Gazoo Racing W2RC), os pontas de lança da Toyota nesta fase. Nani Roma / Alex Haro Ford Raptor/Ford Racing) perderam o primeiro lugar, mas ainda tem hipoteses de recuperar numa prova que está muito renhida.

Para as contas da etapa, Mathieu Serradori / Loïc Minaudier (Century Cr7/Century Racing Factory Team) foram o grande destaque, com um triunfo inquestionável, tendo liderado mais de metade da etapa, num triundo histórico para Century . Al-Attiyah foi segundo e Sébastien Loeb / Edouard Boulanger (Dacia Sandrider/The Dacia Sandriders) resolveram os problemas da etapa de ontem e foram os terceiros.

O filme da etapa.

Saídos do isolamento espartano do “bivouac-refuge”, onde passaram a noite com apenas tendas, colchões, sacos-cama e rações militares, os pilotos do Dakar 2026 encararam a 10.ª etapa com a certeza de que tudo ainda estava por decidir. A ligação até Bisha, traçada em 470 km (420 cronometrados) para os carros e esculpida em grande parte através de dunas e areia branca macia — um pesadelo para a navegação e um teste extremo ao controlo dos volantes —, prometia clarificar hierarquias, como David Castera, diretor do rali, havia antecipado na véspera.

E assim foi: Mathieu Serradori protagonizou uma das mais impressionantes exibições individuais do Dakar 2026, carimbando a primeira vitória de sempre de um Century CR7 numa especial da prova, enquanto Nasser Al-Attiyah aproveitou os problemas dos rivais para recuperar a liderança da classificação geral de forma categórica, num dia em que os protagonistas se fizeram e desfizeram ao ritmo implacável das dunas sauditas.

À partida de Bisha, a geral dos Ultimate exibia uma compressão rara a esta altura do rali: Nani Roma liderava pela primeira vez desde a sua vitória no Chile, em 2014, com apenas 57 segundos de vantagem sobre o colega de equipa Carlos Sainz e 1m10s sobre Al-Attiyah, terceiro. Henk Lategan espreitava em quarto, a 6m13s, com Mattias Ekström a completar um top-5 separado por menos de 12 minutos a quatro etapas do fim. A ordem de partida colocava os dois Ford na frente — Sainz e Roma a arrancar perto das 7h53 e 7h56 —, seguidos de Lategan e Al-Attiyah cerca de 15 minutos depois, enquanto caçadores como Loeb, Ekström e Mitch Guthrie partiriam ainda mais atrás, com quase 50 minutos de pista marcada à sua disposição para explorarem ao máximo as linhas deixadas pelos que abriam. A navegação difícil e a areia macia prometiam baralhar as contas, e foi exatamente isso que aconteceu.

Logo ao primeiro ponto intermédio, aos 46 km, ficou claro que este seria um dia de Al-Attiyah. Partindo da 14.ª posição na estrada, o piloto da Dacia assinou o melhor tempo provisório com Joao Ferreira / Filipe Palmeiro (Toyota Hilux Imt Evo) em quarto. Era um arranque devastador, fruto da combinação entre a experiência de Al-Attiyah em dunas e a vantagem de poder atacar com pista já trabalhada, mas também sinal de que o qatari estava disposto a forçar o ritmo ao máximo para recuperar o terreno perdido nos dias anteriores. Atrás dele, Mattias Ekström surgia em terceiro provisório, a 28 segundos, enquanto mais atrás emergia uma figura inesperada: Mathieu Serradori, que arrancara apenas na 31.ª posição, aparecia em segundo aos 46 km, a escassos 18 segundos de Al-Attiyah, num indício de que a etapa poderia reservar uma surpresa maiúscula.

À medida que a especial se desenrolava, confirmava-se a sensação de que Serradori não estava ali por acaso. Aos 91 km, Ekström ainda registara o melhor tempo provisório, mas o sueco viria a parar poucos quilómetros depois, aos 97 km, vítima de um problema mecânico que o retirou da discussão pela etapa e comprometeu seriamente a sua posição na geral. Essa paragem abriu caminho livre para que Serradori continuasse a sua marcha implacável: aos 121 km, o francês assumiu o comando da especial, com 46 segundos de vantagem sobre João Ferreira, que também protagonizava um excelente arranque de etapa. Logo atrás, a batalha pela liderança da geral tornava-se feroz: Al-Attiyah surgia a exatamente um minuto de Serradori, com Nani Roma colado apenas três segundos mais atrás, numa luta de cronómetro em que cada décima contava.

Serradori, porém, não dava tréguas. Aos 155 km, mantinha a liderança, agora com 54 segundos sobre Al-Attiyah e 1m13s sobre Roma, enquanto João Ferreira, que ameaçara seriamente no ponto anterior, recuava ligeiramente para quarto, a 1m21s. A navegação começava a fazer vítimas: aos 196 km, Nani Roma deixou de liderar o Dakar, perdendo 10m39s em relação ao ponto anterior e caindo para fora do pódio virtual. O colapso do espanhol abriu espaço para que Al-Attiyah recuperasse a liderança da geral, com Lategan — que rodava agora ao lado do qatari — a subir para segundo, a 7m05s. Era uma reviravolta completa na classificação absoluta, construída tanto no ritmo implacável de Al-Attiyah como nos problemas súbitos de um dos seus principais adversários.

Na frente da etapa, Serradori continuava a escrever a sua história. Aos 239 km, o francês aumentara a vantagem para 3m23s sobre Al-Attiyah, com Lucas Moraes / Dennis Zenz   (Dacia Sandrider) instalados no pódio provisório, a 4m06s, enquanto João Ferreira, que brilhara na primeira metade, já perdera algum terreno. A partir dali, a vitória da etapa tornou-se uma questão de gestão: Serradori manteve o andamento forte, esticou a vantagem para mais de 4 minutos aos 323 km e chegou aos 356 km com impressionantes 5m48s sobre o qatari. Aos 386 km, no último ponto intermédio antes da chegada, a margem dilatava ainda mais, selando aquilo que seria a primeira vitória de sempre de um Century CR7 no Dakar, um feito monumental para um construtor sul-africano que enfrenta gigantes como Toyota, Ford e Dacia com orçamentos incomparavelmente menores.

No final, Mathieu Serradori cruzou a linha de chegada em Bisha com uma vantagem impressionante, confirmando a segunda vitória de etapa da sua carreira — seis anos depois do triunfo de 2020 — e oferecendo ao navegador Loïc Minaudier, antigo piloto de motos reconvertido em copiloto, o seu primeiro triunfo no Dakar. Foi uma exibição quase perfeita, construída sobre navegação impecável, gestão inteligente do andamento e aproveitamento máximo das condições de partida, numa etapa em que a areia branca e as dunas castigaram sem piedade quem hesitou ou errou.

Para Nasser Al-Attiyah, porém, o dia foi igualmente decisivo, ainda que por outras razões. Apesar de ter terminado em segundo, o piloto da Dacia deu um salto na classificação geral: colocou sete minutos em Henk Lategan e 14 em Nani Roma, recuperando o comando da prova com 12 minutos de vantagem sobre o sul-africano e 12m50s sobre o espanhol, agora relegado ao terceiro posto.

Sébastien Loeb, que lutara durante toda a etapa por um lugar no pódio provisório — chegando a ultrapassar Lategan por escassos quatro segundos em determinada altura —, aproveitou igualmente a jornada para subir ao quarto lugar da geral, a 23m04s do colega de equipa Al-Attiyah, consolidando a presença de três Dacia nos quatro primeiros lugares e confirmando a recuperação impressionante da marca francesa depois de uma primeira semana difícil. Se não fosse o problema da direção assistida de ontem, Loeb poderia hoje assumir uma candidatura mais forte à vitória. Está a 23 min da liderança

Ainda nas contas da etapa, Moraes foi quarto, à frente de Guy Botterill / Oriol Mena (Toyota Hilux Imt Evo/Toyota Gazoo Racing SA) que completou o top 5. Denis Krotov / Konstantin Zhiltsov (Ford Raptor) foram sextos, à frente de Lategan, Mitch Guthrie / Kellon Walch (Ford Raptor/Ford Racing), Biaobiao Zhang / Wenke Ma   (Jj-Sport Jj3) e Martin Prokop / Viktor Chyτκα (Ford Raptor).

Depois de um excelente arranque, Ferreira caiu para 16º na etapa, numa segunda maratona que foi deveras exigente para o piloto luso.

Tempos AQUI

Fotos: Dakar

Caro leitor, esta é uma mensagem importante.
O Autosport já não existe em versão papel, apenas na versão online.
E por essa razão, não é mais possível o Autosport continuar a disponibilizar todos os seus artigos gratuitamente.
Para que os leitores possam contribuir para a existência e evolução da qualidade do seu site preferido, criámos o Clube Autosport com inúmeras vantagens e descontos que permitirá a cada membro aceder a todos os artigos do site Autosport e ainda recuperar (varias vezes) o custo de ser membro.
Os membros do Clube Autosport receberão um cartão de membro com validade de 1 ano, que apresentarão junto das empresas parceiras como identificação.
Lista de Vantagens:
-Acesso a todos os conteúdos no site Autosport sem ter que ver a publicidade
-Desconto nos combustíveis Repsol
-Acesso a seguros especialmente desenvolvidos pela Vitorinos seguros a preços imbatíveis
-Descontos em oficinas, lojas e serviços auto
-Acesso exclusivo a eventos especialmente organizados para membros
Saiba mais AQUI

Deixe aqui o seu comentário

últimas Destaque Homepage
últimas Autosport
destaque-homepage
últimas Automais
destaque-homepage