CPV/ IS, César Machado: Bicampeão feliz com temporada 2025, mas sem garantias para 2026
Depois de uma temporada intensa e decidida ao sprint final no Autódromo do Estoril, César Machado fechou 2025 com um currículo impressionante: títulos de GT do Campeonato de Portugal de Velocidade e de GT4 Pro em ambos os campeonatos, nacional e ibérico, numa campanha em que só o título absoluto ibérico escapou. Em conversa no final da temporada, o piloto faz o balanço do ano, explica por que motivo considera o campeonato cada vez mais exigente e deixa um alerta claro sobre as dificuldades em garantir o futuro, apesar dos resultados.
Uma história de talento e incertezas
Nas conversas sobre as corridas em Portugal, havia (e há) sempre uma lista de pilotos que são uma certeza e outra de pilotos que “podiam ter chegado longe”. César Machado, durante muito tempo pertenceu à lista dos que podiam ter chegado longe, mas agora ganhou um lugar no lote de certezas do nosso campeonato. Natural de Vila Nova de Famalicão, estreou-se cedo nas competições de velocidade em Portugal, tendo consolidado o seu valor nos campeonatos nacionais de circuitos.
Construiu a sua carreira a pulso, passando pela Fórmula Ford Portugal, Troféu FEUP, até chegar ao topo a velocidade em Portugal que na altura tinha o nome de CNVT (Campeonato Nacional de Velocidade Turismos). O jovem César que na altura representava a também jovem Speedy Motorsport mostrava muito potencial ao lado de Rafael Lobato, uma dupla muito jovem, mas com muito valor. A velocidade estava lá, mas faltava confiança e a segurança de um orçamento sólido para mostrar o que podia fazer.
A incerteza passou a acompanhá-lo a cada época. Sempre com um orçamento difícil de gerir, como acontece a muito outros talentos nacionais, tentou fazer sempre o melhor possível com os poucos recursos disponíveis. Ainda teve uma breve passagem pelo TCR Italy, onde se destacou, assim como na GT4 South European Series, quando os GT4 começavam a conquistar a Península Ibérica.
As aparições pontuais foram-se diluindo até que chegou uma travessia do deserto de cinco anos sem competição. Regressou em 2024, diferente, mais maduro, mais determinado, sem as inseguranças e incertezas de outros tempos. Sem essas amarras mostrou o “tal” César que todos diziam que podia ser.
Em 2024 e 2025, Machado conquistou os principais títulos nacionais e ibéricos GT, afirmando-se como uma das referências entre os pilotos nacionais.
O balanço de fim de ano
AS– Fechar o ano com vários títulos, depois de uma época tão disputada, “sabe” de forma diferente?
César Machado – Sabe muito bem, como é lógico. Tínhamos como objetivo ganhar os quatro campeonatos a que nos propusemos. Acabámos por ganhar três em quatro, o que é muito bom. Não estou 100% realizado, mas não posso de forma alguma ficar descontente. Foi mais um excelente ano”
AS– Disseste que foi um ano difícil. Onde sentiste maior dificuldade?
César Machado – Foi um ano difícil porque o próprio campeonato ficou mais forte. Temos duplas muito fortes nesta grelha. Do meu lado, tive uma troca de colega de equipa a meio da época, o que é sempre um fator a ter em conta. Ganhar o ano passado já era muito difícil, este ano foi ainda mais. Tenho conseguido bons resultados desde o meu regresso e isso deve-se a vários fatores: o carro é bom, a estrutura é boa, e as coisas têm encaixado. Eu sinto-me confiante. Estive muito tempo parado, com muita vontade de voltar, e quando voltei, tive de agarrar a oportunidade. Fiz o melhor que sabia e isso deu frutos. Estou muito feliz e agradeço a quem me acompanha: os patrocinadores, a família, os amigos, a equipa. Todos eles foram fundamentais nesta caminhada.

A incerteza habitual
AS– Depois de um bicampeonato e de duas épocas tão fortes, o que é que já podes dizer sobre 2026?
César Machado – Apesar do bicampeonato, isso não adianta de nada em termos de garantir o futuro. A minha presença no próximo ano não depende de mim, mas dos apoios que conseguir encontrar. É sempre uma tarefa muito difícil. O campeonato tem cada vez mais retorno mediático, mas, mesmo assim, é complicado para mim arranjar os parceiros necessários para fazer campeonatos completos. Neste momento não tenho nada alinhado para o próximo ano. Vamos trabalhar nisso.
AS– É frustrante olhar para os resultados e, ainda assim, não ter garantias de continuidade?
César Machado – É ingrato, sem dúvida. Mas é o que é. É um desporto muito caro. Há quem tenha meios próprios para se conseguir manter. Eu não tenho. Estou sempre dependente dos parceiros que consiga encontrar. Às vezes dá, outras vezes não dá. Quando dá, estou lá e tento estar da melhor forma possível. Nestes dois últimos anos consegui apoio suficiente para fazer o nacional e o ibérico e agarrar as oportunidades. Agora, este mês e os próximos vão ser decisivos. Não depende de mim, com muita pena minha.
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