Bathurst 1000: Uma epopeia sob chuva, drama e história em Mount Panorama

Por a 13 Outubro 2025 09:35

Uma corrida lendária que ficará para a história

A edição de 2025 da Repco Bathurst 1000 será lembrada como uma das mais dramáticas e espetaculares da história do icónico evento australiano. Disputada entre 9 e 12 de outubro, no mítico circuito de Mount Panorama, em Bathurst, a corrida transformou-se numa verdadeira odisseia que prendeu a atenção do mundo do desporto motorizado.

O que é a Bathusts 1000? É a corrida de resistência de carros de turismo mais famosa da Austrália, realizada anualmente no Circuito Mount Panorama, em Bathurst, Nova Gales do Sul. É conhecida como “A Grande Corrida” e cobre uma distância de aproximadamente 1.000 quilómetros (cerca de 621 milhas) em 161 voltas.

Integrado no Supercars Championship, a principal categoria de automóveis de turismo da Austrália e considerado o evento máximo para os fãs de automobilismo e fabricantes de automóveis australianos, exibindo tanto a resistência ao volante como a engenharia de veículos.

A Bathurst 1000 está profundamente associada à rivalidade entre a Ford e a Holden, um elemento definidor da história do desporto automóvel australiano. Participam uma mistura de pilotos profissionais e, ocasionalmente, inscritos “wildcard”, com o nome do vencedor a inscrever uma lenda do automobilismo australiano. É uma prova espetacular, com carros que permitem lutas intensas e é um dos bastiões para os que apreciam o motorsport no seu estado mais puro.

A vitória improvável de Matt Payne e Garth Tander

Matt Payne e Garth Tander, da equipa Grove Racing (Penrite Racing), protagonizaram uma das maiores reviravoltas da história da Bathurst 1000. Depois de arrancarem da 18.ª posição da grelha, conseguiram uma recuperação impressionante de 16 lugares para conquistar a vitória.

Para Payne, jovem neozelandês de 23 anos, foi o primeiro triunfo na “Great Race”. Já Garth Tander, com 48 anos, somou a sua sexta vitória, igualando Mark Skaife na lista de pilotos com mais conquistas em Bathurst.

O resultado marcou ainda um momento histórico para a Ford — que não vencia em Bathurst desde 2019 — e para a Penrite Racing, que conquistou assim o seu primeiro triunfo absoluto na mítica prova australiana.

Condições meteorológicas extremas e um desafio monumental

As condições meteorológicas desempenharam um papel decisivo. Após um fim de semana de tempo instável, o domingo confirmou as previsões: 95% de probabilidade de chuva. A chuva apareceu mesmo e durante as últimas quatro horas da corrida, Mount Panorama transformou-se numa pista traiçoeira, repleta de armadilhas que colocou à prova pilotos e equipas.

A chuva intensa provocou múltiplos incidentes e alterou completamente a dinâmica da prova. Entre os pilotos afetados esteve Broc Feeney, líder do campeonato, que embateu nas barreiras em Forrest’s Elbow a 38 voltas do fim, perdendo uma volta para os líderes.

Sete Safety Cars e emoção constante

Com sete intervenções do Safety Car, a edição de 2025 tornou-se uma das mais interrompidas e caóticas da história recente da Bathurst 1000. A primeira bandeira amarela surgiu na volta 54, após Tony D’Alberto embater violentamente em Forrest’s Elbow. Pouco depois, o motor de Chaz Mostert cedeu na volta 59, num dos episódios mais memoráveis do fim de semana.

O momento viral de Chaz Mostert

Quando o motor do seu Ford Mustang avariou em plena Conrod Straight, Mostert recusou o transporte de regresso às boxes e caminhou até à propriedade de Shane “Robbo” Robinson, junto à pista. Lá, foi recebido por adeptos com uma cerveja gelada — uma cena que se tornou viral nas redes sociais e que simbolizou o espírito único da Bathurst 1000.

Mais tarde, o próprio piloto partilhou no X (antigo Twitter): “Devastado, mas já não tenho sede.”

O desfecho dramático: colisão decide o vencedor

A corrida terminou de forma polémica. A cinco voltas do fim, Cooper Murray (Erebus Motorsport) liderava quando James Golding (PremiAir Racing) tentou uma ultrapassagem arriscada em Griffins Bend. O contacto entre os dois carros atirou Murray para fora da trajetória, permitindo que Matt Payne assumisse a liderança.

Golding chegou a cruzar a meta em primeiro, mas uma penalização de cinco segundos pelo incidente entregou a vitória a Payne. O australiano David Reynolds, em dupla com Lee Holdsworth (Team 18), terminou em segundo, enquanto Golding caiu para o terceiro lugar.

O relatório dos comissários concluiu que Golding não tinha sobreposição suficiente no ponto de entrada para a curva 2 (Griffins Bend), o que resultou num contacto que forçou Murray a sair largo e levou Golding a obter vantagem indevida.

Segundo Baird, as imagens do helicóptero foram determinantes para a decisão: “As diferentes câmaras mostravam perspetivas distintas, mas a vista aérea não mentiu. Ficou claro de onde ele vinha e que nunca houve sobreposição suficiente.”

O próprio Golding argumentou via rádio que Murray teria virado demasiado cedo, ponto que Baird admitiu ser possível, embora sem relevância para a decisão final. “Pode ter virado um pouco antes, mas isso é corrida. No ponto de viragem, nunca houve sobreposição suficiente”, explicou.

Baird sublinhou ainda que, apesar de as regras dos Supercars estarem agora a ser aplicadas com maior flexibilidade, o incidente configurou contacto evitável que resultou numa vantagem duradoura. “Caso contrário, bastaria empurrar todos para fora sempre que se chegasse a uma curva”, concluiu.

Recordes de público e audiências

A edição de 2025 não foi apenas notável em pista. O evento atraiu 198.203 espectadores ao Mount Panorama, tornando-se a oitava maior assistência da história da prova.

Nas transmissões, os números foram igualmente impressionantes. A corrida bateu recordes históricos de streaming dos Supercars, com mais de 205 milhões de minutos visualizados na plataforma 7plus. A Kayo Sports registou um aumento de 19% face a 2024, com 189 milhões de minutos transmitidos. No total, foi a maior audiência desde 2017.

Uma maratona sob chuva e emoção

A prova durou quase sete horas, marcada por condições extremas e constantes reviravoltas. Scott McLaughlin, vencedor de Bathurst em 2019 e atual piloto da IndyCar, descreveu-a como “a melhor Bathurst 1000 que já vi.”

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