Com o título de construtores assegurado no Grande Prémio de Singapura, a McLaren enfrenta agora o seu verdadeiro teste de gestão: um ‘filme’ que a equipa “já viu” no passado, entre Ayrton Senna e Alain Prost, provavelmente num patamar a que Oscar Piastri e Lando Norris não vão chegar.
Contudo, é absolutamente necessário que os líderes da McLaren decidam bem, a equilibrar dois pilotos de talento excepcional, que estão envolvidos numa luta intensa pelo título mundial de pilotos.
Oscar Piastri lidera com 336 pontos, seguido de perto por Lando Norris com 314 pontos — uma diferença de apenas 22 pontos com seis corridas por disputar.
Tensões em crescendo
O incidente na primeira volta em Singapura expôs as crescentes tensões dentro da equipa de Woking. Quando Norris tentou ultrapassar Piastri na curva 3, o contacto resultante levou o australiano a questionar pela rádio: “Estamos bem com o Lando a empurrar-me para fora do caminho, ou… qual é a situação?”. A frustração de Piastri tornou-se ainda mais evidente quando declarou: “Isso não é justo. Desculpa, isso não é justo”.
Andrea Stella, chefe de equipa da McLaren, admitiu que a gestão desta situação representa um dos maiores desafios da temporada: “Cada vez que iniciamos as nossas conversas com os pilotos, lembramo-nos sempre, como premissa, que isto é difícil. Porque esta é a única matéria em que, quando correm juntos como equipa, não podem ter exatamente o mesmo interesse para os dois pilotos”.
O Dilema das ‘Regras Papaya’
As chamadas ‘Regras Papaya’ da McLaren, que prometem tratamento equitativo em troca de evitar contactos em pista, foram postas à prova várias vezes esta temporada.
Para além do incidente em Singapura, houve situações controversas na Hungria, onde Norris acabou por ceder a liderança a Piastri após pressão da equipa, e em Monza, onde Piastri foi instruído a devolver a segunda posição a Norris após uma paragem lenta nas boxes.
Stella reconheceu que estas situações criam “dificuldades” na abordagem de “deixá-los correr”: “Sabemos que assim que adoptamos este conceito, vamos enfrentar dificuldades. Mas é dentro desta consciência e autoconsciência que desenvolvemos as nossas conversas”.
A gestão do futuro
Com 174 pontos ainda em disputa (incluindo três corridas sprint), a McLaren terá de navegar cuidadosamente entre manter a harmonia da equipa e permitir que os seus pilotos lutem pelo título.
O facto de terem assegurado o campeonato de construtores deveria, teoricamente, dar-lhes mais liberdade para gerir a situação, mas também aumenta a pressão sobre as decisões futuras.
Zak Brown, CEO da McLaren, mantém a posição de “deixá-los correr”, mas a equipa sabe que cada decisão será escrutinada intensamente. Como Stella observou: “Vamos trabalhar arduamente para garantir que isto seja verdade para o resto da temporada e para os anos vindouros em que continuaremos a correr com o Lando e o Oscar”.
O teste definitivo
As próximas seis corridas — começando em Austin — serão o teste definitivo para a capacidade de gestão da McLaren. Com Norris a precisar de recuperar uma média de 3,7 pontos por corrida para alcançar Piastri, e com Max Verstappen ainda a 63 pontos de Piastri, cada ponto será crucial.
A forma como a equipa gere as expectativas, as estratégias e, crucialmente, as emoções dos seus pilotos determinará não apenas quem será campeão em 2025, mas também se a McLaren conseguirá manter a cultura vencedora que construiu nos últimos anos.
A McLaren construiu algo especial com os seus pilotos, mas agora enfrenta o maior desafio: provar que pode gerir o sucesso sem que este destrua a harmonia que o tornou possível.










