A temporada de 2025 marcou um ponto de viragem na carreira de Gonçalo Henriques. Depois de se sagrar campeão das duas rodas motrizes em 2023 e 2024 e de vencer a Taça de Portugal RC4 no ano passado, o jovem piloto de Vila Nova de Poiares deu um passo decisivo na sua evolução desportiva: a estreia na categoria Rally2, ao volante de um Hyundai i20 N Rally2, integrado no recém-criado Hyundai Júnior Team FPAK.
Ao lado da navegadora Inês Veiga, a aposta inicial passava por disputar três provas do Campeonato de Portugal de Ralis, com enfoque na aprendizagem e no ganho de experiência, mas a época rapidamente ganhou nova dimensão.

O grande momento de viragem deu-se logo na primeira prova, o Rali Casinos do Algarve. Em estreia absoluta com um carro da categoria máxima do CPR, Henriques surpreendeu tudo e todos. Demonstrando frieza competitiva e adaptação imediata às exigências de um Rally2, foi o melhor português em prova, garantindo um lugar no pódio final apenas atrás dos experientes Kris Meeke e Dani Sordo.
A prestação sólida, sem erros de monta e sempre com tempos competitivos, não passou despercebida. O próprio Sordo, que esteve presente para apoiar a equipa, destacou a rapidez de Gonçalo e a maturidade do seu andamento. Este resultado acabou por alterar os planos iniciais: a Hyundai Portugal e a FPAK decidiram prolongar o programa para incluir também o Vodafone Rally de Portugal.
Antes do desafio mundialista, a dupla marcou presença no Rali Terras d’Aboboreira. Aqui, a sorte não esteve do seu lado. Um toque aparentemente inofensivo numa barreira escondeu uma pedra que provocou danos irreparáveis na suspensão, levando ao abandono precoce. Apesar da frustração, o episódio serviu de lição sobre os detalhes e armadilhas do escalão máximo da modalidade.
O Vodafone Rally de Portugal foi, para Gonçalo Henriques, uma experiência marcante. Correr perante milhares de adeptos ao longo dos troços, muitos deles com bandeiras e faixas de apoio, foi motivador, mas também exigente.
O objetivo foi claro desde o início: manter um andamento competitivo, sem arriscar acima do necessário, e chegar ao fim com o máximo de quilómetros possíveis no i20 N Rally2. A estratégia resultou, e a dupla terminou como quarta melhor equipa do CPR, reforçando a consistência e maturidade que já tinham demonstrado no Algarve.
O percurso de Henriques nos últimos dois anos é, por si só, impressionante. Em apenas 30 meses, passou de competir num modesto Kia Picanto para enfrentar nomes consagrados dos ralis nacionais e internacionais, mostrando sempre uma curva de evolução acentuada. O projeto da Hyundai Portugal e da FPAK, ao apostar num jovem talento nacional, começa a dar frutos visíveis e a criar expectativas legítimas para o futuro.
Com a temporada ainda em curso, Gonçalo Henriques já provou que tem velocidade, capacidade de adaptação e determinação para se manter entre os protagonistas do Campeonato de Portugal de Ralis. O que começou como um programa de aprendizagem transformou-se numa afirmação clara de que o piloto de Vila Nova de Poiares pode, num futuro muito próximo, lutar de igual para igual com os melhores.












