F1: O namoro da Williams com Carlos Sainz começou ainda em 2023
A mudança de Carlos Sainz para a Williams foi uma das surpresas de 2024. Depois de ver a Ferrari entregar o seu lugar a Lewis Hamilton, Sainz foi obrigado a procurar outra equipa. Mas ainda antes de saber que estava fora dos planos da Scuderia, uma equipa já tinha abordado o espanhol… a Williams.
Numa entrevista ao Podcast High Performance, Sainz começou por falar dos dolorosos 18 meses que viveu antes da sua chegada à Williams. A notícia da entrada de Hamilton e a sua saída, a consequente incerteza quanto ao seu futuro, exigiram do piloto o melhor de si:

“Houve dias difíceis, momentos escuros”
“Nos últimos 18 meses, passei por momentos bastante desafiadores, turbulentos até. Houve dias difíceis, momentos escuros, mas hoje estou num lugar muito feliz. Encontrei na Williams uma equipa e uma família que partilham um objetivo ambicioso: tornar a Williams competitiva novamente. Acredito que estamos no caminho certo — os últimos cinco ou seis meses mostraram isso, surpreendendo muita gente. Isso dá-me tranquilidade e a certeza de que fiz a escolha certa sobre o meu futuro.
Há um ano, eu ainda não sabia onde estaria após a minha saída da Ferrari. Tive algumas opções sobre a mesa, e foi um momento complicado. Se alguém me tivesse dito como as coisas estariam agora, eu teria ficado muito satisfeito.
Acredito que os momentos mais desafiadores da vida moldam a nossa personalidade e nos forçam a crescer. No meu caso, fizeram-me amadurecer como pessoa e como piloto. Sempre tive dificuldade em tomar decisões — muitas vezes esperamos que a vida nos aponte o caminho. Mas no ano passado, tive que tomar uma decisão clara, e escolhi a Williams. Um ano depois, vejo que foi a escolha certa”.

“Foi, sem dúvida, a melhor versão de mim mesmo até hoje”
Carlos Sainz recordou o choque ser confrontado com a sua saída da Ferrari, numa altura em que não suspeitava que a equipa italiana estava a negociar com o heptacampeão, que ainda militava na Mercedes. Ao choque, seguiu-se uma das melhores versões de Sainz que vimos nas pistas:
“Lembro bem do momento em que descobri que estava fora da Ferrari. Estava a treinar para a temporada 2024, acreditando que teria um carro competitivo. As negociações de contrato com a Ferrari arrastavam-se desde outubro, mas nunca suspeitei de nada. Sempre me diziam que estava tudo certo, que assinaríamos em breve, que seria um contrato fácil de resolver.
Então, entre o fim de janeiro e o começo de fevereiro, recebi uma ligação — na verdade, fiquei a saber por um amigo — e fiquei em choque. Achei que continuaria na Ferrari por mais tempo, mas de repente recebo a notícia de que o Lewis vai substituir-me. Foi um baque, e levei cerca de uma semana para assimilar. Costumo ser uma pessoa equilibrada, mas aquilo deu-me um choque de realidade e acabou por despertar o melhor de mim como atleta e piloto. O que consegui ser competitivo em março, abril e maio foi, sem dúvida, a melhor versão de mim mesmo até hoje”.
FW47 on track 🤩💙 pic.twitter.com/ORLBJ8Bt4t
— Atlassian Williams Racing (@WilliamsRacing) August 5, 2025
O “efeito Carlos Sainz”
Ainda antes de saber da saída, já uma equipa se tinha aproximado de Sainz. A Williams. James Vowles abordou o piloto antes da notícia da sua saída ser anunciada, num começo de namoro que ser revelou importante para convencer o espanhol a mudar-se para Grove:
“Em dezembro, durante a corrida em Abu Dhabi, muito antes de qualquer decisão sobre o meu futuro, o James veio ter comigo e disse-me que eu era a pessoa ideal para liderar a Williams no caminho de volta à competitividade. Na altura, ainda estava sob contrato com a Ferrari, mas ele sabia que o meu contrato terminava no final de 2024. Disse-me que, mesmo assumindo que eu renovasse com a Ferrari, queria deixar claro que a Williams me queria.
Isso deixou-me logo com uma boa impressão. Senti que ele via em mim algo que talvez outros não estivessem a ver ou a valorizar. Ele é uma pessoa muito analítica e estatística, e embora não goste muito de falar sobre mim, reconheço que há algo a que chamam de “efeito Carlos Sainz” — todas as equipas por onde passei melhoraram significativamente. Não tinha noção desse dado, mas sinto-me orgulhoso.
Acredito que o James valorizou a minha ética de trabalho, a forma como dou feedback às equipas, o esforço que faço para melhorar tudo à minha volta, aliado à minha velocidade e talento. Para ele, eu era a combinação certa para ajudar a Williams a evoluir — e ele continua a dizer-me que é isso que mais o impressiona”.
O arranque de parceria tem-se revelado mais difícil que o esperado, mas Sainz mantém o otimismo e a determinação de levar a Williams para outros voos. Com o mercado pouco dado a mudanças para 2026, o espanhol trabalha arduamente com a sua equipa, à espera que tal “efeito Sainz” se volte a sentir.
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