Alexandre Favaios: “Queremos que as corridas de Vila Real continuem por muitas gerações”
Circuito Internacional de Vila Real 2025: Presidente da Câmara destaca impacto, continuidade e ambição
O Circuito Internacional de Vila Real 2025 voltou a transformar as ruas da cidade numa verdadeira catedral do desporto motorizado. Mas por trás da emoção da competição está uma máquina complexa que permite organizar um dos maiores eventos desportivos do ano. O presidente da Câmara Municipal de Vila Real, Alexandre Favaios, falou ao AutoSport sobre os bastidores do evento, o impacto económico local e os planos para o futuro do circuito urbano mais emblemático de Portugal.
2000 pessoas mobilizadas ao longo do fim de semana
Questionado sobre o peso de liderar o evento na posição de presidente da autarquia, cargo que ocupou recentemente, com o antigo presidente, Rui Santos, a assumir o papel de deputado na Assembleia da República, Favaios foi claro:
“Hoje, enquanto presidente, tenho uma perceção ainda melhor da dimensão que isto tudo tem. A quantidade de questões a resolver, de articulações a fazer entre instituições, é enorme. Fala-se muitas vezes do brilho do evento, da festa, da competição, mas por trás disso há uma máquina que mobiliza mais de duas mil pessoas ao longo de um fim de semana. E só quando se está neste lugar é que se percebe verdadeiramente o que é montar tudo isto.”
O autarca destacou também o valor da equipa envolvida na organização:
“A preparação começa literalmente na segunda-feira seguinte à última corrida. É um processo contínuo. A equipa está cada vez mais oleada, mais capaz. E isso enche-nos de orgulho, porque estamos a falar de uma cidade do interior, de um país periférico, que consegue organizar provas com esta exigência e prestígio.”
“Imaginar que daqui a 20, 30, 40 anos alguém estará a falar destes anos como as páginas de ouro do circuito, acho que isso só deve deixar satisfeitos aqueles que, embora com muito esforço, muita dedicação, muitas horas de trabalho, conseguem realmente alavancar e estruturar todo este fim de semana”.

“Alguns pilotos preparam-se apenas para correr em Vila Real”
Alexandre Favaios sublinhou ainda o prestígio internacional do evento e o reconhecimento que tem por parte dos próprios pilotos.
“São os próprios pilotos que o dizem. Alguns preparam-se apenas para correr em Vila Real. Isso diz muito. Temos uma imagem de marca única e isso deve-se ao esforço e dedicação de muitas pessoas.”
O regresso do CPV a Vila Real: “Quando há vontade, não há obstáculos”
Um dos momentos mais celebrados da edição de 2025 do circuito foi o regresso do Campeonato de Portugal de Velocidade (CPV) a Vila Real. Favaios vê neste reencontro um sinal de maturidade e compromisso:
“Quando há vontade, não há obstáculos. Tivemos de sentar-nos à mesa, perceber as realidades e as limitações de todos os lados. Mas encontrámos uma solução que dignifica o CPV e que permite manter a exigência de receber uma prova internacional. Nunca quisemos que o CPV fosse afastado. Pelo contrário, Vila Real precisa dele — e acredito que o CPV também precisa de Vila Real.”

“O circuito está acima de qualquer cor política”
Apesar de 2025 ser ano de eleições autárquicas, o autarca garantiu que a continuidade do evento não deve estar sujeita a ciclos políticos.
“Havendo um ato eleitoral a aproximar-se, não podemos dar nada como adquirido. Estamos a tentar estabelecer pré-acordos [ndr: há já um pré-acordo assinado com o TCR World Tour para os próximos três anos], precisamente para garantir que, independentemente de quem assuma os destinos da Câmara a partir de outubro, o circuito continue. Isto não é — e não deve ser — uma questão política. É algo que une a cidade, o concelho e até a região.”
“Não estamos a falar só de carros a correr. Estamos a falar de hotelaria, restauração, comércio local, projeção nacional e internacional da cidade. Isto é identidade, é posicionamento estratégico, que nenhuma força política pode desbaratar. Só quem não gosta de Vila Real é que pode dizer que não devemos ter corridas. São difíceis, implicam um esforço muito grande, trazem um conjunto de condicionamentos. Não podemos evidentemente esconder também esse aspeto. No entanto, continuamos todos convencidos e, entendo, a grande maioria, a esmagadora maioria dos vilarealenses, entende que, de facto, este é o evento que nos posiciona estrategicamente.”
“Organizar este evento não é leiloável”
Face a possíveis promessas de outros candidatos sobre o futuro das corridas, Favaios rejeita qualquer tentativa de “leilão político” em torno do circuito.
“Fazer as corridas é uma decisão política, sim, porque implica investimento. Mas não acredito em leilões de ideias. Só quem não entende o que é organizar este evento, o número de voluntários envolvidos, a dedicação que isto exige é que o pode fazer. É até uma falta de respeito relativamente àqueles que, de facto, têm aqui durante este tempo feito o seu melhor para ter sempre o melhor cartaz possível, a melhor oferta possível.”
“Temos de ter os pés bem assentes na terra e perceber que este é o nosso ADN. Podemos crescer, podemos melhorar, mas o circuito de Vila Real — esta malha urbana, os carros perto das pessoas, toda a dinâmica pública e privada — isso é o que nos distingue. Existindo sempre espaço para crescer, para melhorar, evidentemente, pois todos somos ambiciosos. Vejo sempre a ambição como uma coisa que é positiva. Queremos sempre mais, mas temos que ter os pés muito bem assentes”.

Eventos ao longo do ano e mais investimento: “Cada coisa ao seu tempo”
O presidente confirmou que existem planos para estender o espírito do circuito ao longo do ano, mas com realismo:
“Trabalhamos para isso. Podem surgir ideias com menor impacto, mas que mantenham viva esta chama. Também há projetos de requalificação e de melhoria de infraestruturas. É necessário continuar a investir no nosso circuito, neste circuito, como temos feito todos os anos. Só depois, então, sim, podemos ser mais ambiciosos. Mas tudo a seu tempo. Não é agora, em ano de eleições, que se fazem promessas vazias. É necessário continuar a investir no nosso circuito, no reforço da segurança, nas condições estruturais para que possamos continuar a receber provas com dignidade. Esse deve ser o nosso foco.”

“Faremos tudo para garantir a continuidade”
Por fim, Alexandre Favaios reiterou o compromisso com o futuro das corridas em Vila Real:
“Temos 94 anos de história, mas apenas 54 edições. Sabemos o que é perder o circuito. Por isso mesmo, e salvo qualquer situação extraordinária, faremos tudo — tudo mesmo — para que nunca mais haja um novo interregno.”
“Imaginar que, daqui a 30 ou 40 anos, alguém vai olhar para estes anos como as páginas douradas do circuito… é isso que nos move. É isso que justifica cada noite mal dormida, cada hora de trabalho. Vila Real faz bem, faz com alma — e é isso que queremos deixar às próximas gerações.”
O Autosport já não existe em versão papel, apenas na versão online.
E por essa razão, não é mais possível o Autosport continuar a disponibilizar todos os seus artigos gratuitamente.
Para que os leitores possam contribuir para a existência e evolução da qualidade do seu site preferido, criámos o Clube Autosport com inúmeras vantagens e descontos que permitirá a cada membro aceder a todos os artigos do site Autosport e ainda recuperar (varias vezes) o custo de ser membro.
Os membros do Clube Autosport receberão um cartão de membro com validade de 1 ano, que apresentarão junto das empresas parceiras como identificação.
Lista de Vantagens:
-Acesso a todos os conteúdos no site Autosport sem ter que ver a publicidade
-Desconto nos combustíveis Repsol
-Acesso a seguros especialmente desenvolvidos pela Vitorinos seguros a preços imbatíveis
-Descontos em oficinas, lojas e serviços auto
-Acesso exclusivo a eventos especialmente organizados para membros
Saiba mais AQUI





