Rúben Vaquinhas, empresário e piloto: “As corridas mudaram a minha vida”
Os Gentleman Drivers são uma classe muito importante nas corridas. São homens que realizam o sonho de serem pilotos, juntando a esse sonho a sua atividade profissional, muitas vezes bem longe das corridas. As portas do motorsport não são fáceis de abrir e se uns conseguem desde cedo entrar neste competitivo mundo, outros apenas o fazem depois de construir uma vida profissional de sucesso. Alguns até descobrem a paixão pelas corridas tarde, mas ainda a tempo de a viver intensamente. Hoje, falamos de um desses casos.
De segunda a sexta, gere um grupo de clínicas de estética na Suíça, prestes a dar o salto para outros países da Europa. Aos fins de semana, veste o fato de piloto, aperta o capacete e mergulha no mundo da velocidade. Rúben Vaquinhas é o exemplo de como é possível viver duas vidas intensas e complementares. Um empresário bem-sucedido e um Gentleman driver, que encontrou nas corridas um desafio pessoal com efeitos transformadores.

“Sempre gostei de carros desportivos” começou por dizer Ruben Vaquinhas ao AutoSport. “O bicho pelas corridas começou no karting: primeiro com os 125, depois DD2 e KZ. Foi aí que percebi que havia qualquer coisa especial em estar ao volante. Aquela adrenalina… vicia.”
Nascido e criado na Suíça, em Lausanne, Rúben construiu o seu percurso longe das pistas. “A minha base é empresarial. Tenho um grupo de clínicas estéticas na Suíça, a CLINIK, que começou em 2012 e hoje tem 10 unidades. Nada no meu dia a dia apontava para que um dia acabasse num circuito.” Mas acabou. E com força.
Dos negócios para as pistas
“Em Portugal, percebi que o Campeonato Nacional de Velocidade era o mais competitivo e estruturado. Foi aí que me atirei aos GT4.”
Começou a aventura com um McLaren e depressa entendeu o desafio de estar em pista. “O primeiro ano foi um susto constante. Pensamos que um carro de competição é parecido a um carro normal, mas não tem nada a ver. É outro mundo. Apanhei muitos sustos, não sabia gerir o aquecimento dos pneus, os pontos de travagem, o comportamento do carro. Foi um ano duro, mas de grande aprendizagem.”
Rapidamente percebeu que o sucesso nas pistas exige a mesma dedicação que colocou nos negócios.
“No segundo ano deixei de apanhar sustos. Comecei a antecipar melhor, a perceber as curvas, a travagem… É que aplicar 120 bares de pressão com a perna esquerda na travagem não é para todos. Foi um dos meus maiores desafios.”

Um processo de evolução
Não só de força vive o momento de travagem. Há toda uma técnica a aprender e aplicar, num mundo onde cada décimo de segundo nos deixa mais longe do objetivo:
“Travas com força, mas depois ficas lento. Tive de aprender a soltar o travão na altura certa para manter a trajetória e velocidade. É preciso treino, muito treino. O segundo ano ainda foi duro, mas os tempos começaram a melhorar.”
Agora, no seu terceiro ano, Rúben admite: “É outra coisa. Pego no carro com muito mais confiança, vou mais aos limites, arrisco mais. Antecipar o comportamento do chassis é natural agora. Quando o carro foge, já sei o que fazer. No início, a reação era travar ou tirar o pé. Agora sei que, muitas vezes, tirar o pé é o pior que podes fazer. Dizem que são precisos dois anos para acompanhar o pelotão e acho que é verdade”.
E os resultados falam por si. “É um prazer diferente. Já percebes o respeito que tens de ter, já conheces as regras do jogo de cor. 80% do conhecimento é já automático e agora apenas me foco nas trajetórias e em melhorar os tempos.”
O empresário admite que a luta mais intensa que acontece em pista é consigo mesmo, ainda antes do que com os adversários:
“Procurava um passatempo que me estimulasse e as corridas enquadraram-se na perfeição. O giro disto, é esta competição contigo mesmo, ainda mais do que contra os outros. Estás num desafio constante contigo. Quando se leva o carro aos limites é preciso ter coragem e confiança e tudo isso se ganha com o tempo”.

Um escape real
A exigência do mundo das corridas muda qualquer um. Rúben Vaquinhas não foge à regra e também ele mudou com a experiência que foi ganhando em pista:
“Isto mudou-me. Qualquer pessoa precisa de algo que a desligue da rotina, dos problemas. Para mim, as corridas são isso. Quando agarro no volante, esqueço tudo. Não há espaço para pensar noutra coisa. Se pensares, já foste. E eu aprendi isso da pior forma. Assim que entramos na semana da corrida, o nosso foco passa a ser apenas esse e começámos a preparação”.
Chega a fazer mais de 40 horas de simulador antes de cada corrida. Mas admite: “Uma coisa é no simulador, outra é na pista real. Lá, se erras, fazes reset. Aqui, o erro paga-se mais caro. Apesar dos simuladores estarem cada vez melhores, não conseguem simular a sensação de perigo. Mas é essa sensação que te muda. A tua mente passa a reagir de forma diferente ao teu dia a dia.”
O empresário que se tornou piloto
Apesar do sucesso nas pistas, Rúben não largou os negócios. “Divido o tempo entre Portugal e a Suíça. A CLINIK continua a crescer. Trabalhamos com depilação laser, rejuvenescimento, nutrição, wellness, anti-aging… Somos líderes de mercado.” E, curiosamente, o foco exigido em pista ajudou-o nos negócios. “As corridas obrigam-te a sair da tua zona de conforto. Dás mais valor ao dia a dia, enfrentas os problemas de forma diferente.”

Conselhos para quem quer começar
Rúben Vaquinhas deixou uma mensagem a quem tem vontade de experimentar:
“Se tens gosto, experimenta. Mas escolhe bem a tua equipa. É fundamental ter bons mecânicos e um bom setup. No início, achava que todos os erros eram meus, mas depois percebi que por vezes é o carro não está bem. Um bom setup pode mudar tudo.”
Para quem começa, Rúben recomenda alugar um carro numa equipa estruturada. “Testar primeiro, perceber o ambiente, o nível de acompanhamento e de trabalho mecânico. E, claro, aceitar que isto não é barato. Quanto mais andas, mais gastas. Mas também mais aprendes.”
“A grande vantagem do nosso campeonato é que está muito bem equilibrado. Temos as categorias Am, e depois os Bronze, o que permite uma evolução. Tens referência de pilotos com muita experiência, como miúdos que vieram da Fórmula 3. Isso puxa por ti.”

O objetivo é claro
“No ano passado fiquei em terceiro, mas tivemos um acidente (em Jerez) que nos tirou pontos. Este ano, é para ganhar. É o meu último ano na categoria AM e quero sair com o título.”
E há cada vez mais olhos virados para o Campeonato Português. “Na Suíça, falo muito sobre isto. Temos um campeonato diversificado, com carros, idades, nacionalidades. E o clima ajuda. No ano passado, não choveu uma única corrida. Há muito potencial neste campeonato.”
Esta é apenas uma de muitas histórias de Gentleman Drivers, que são pedra basilar deste desporto. São eles que, por vezes, trazem novos investimentos e novos interessados, que ajudam pilotos mais jovens a prosseguir carreiras, que trazem uma dinâmica diferente aos campeonatos. Podem não ser os mais rápidos, mas não lhes é exigido isso, pois não têm o conhecimento e a experiência para tal (apesar de já haver muitos Gentleman Drivers de grande qualidade).
Rúben Vaquinhas é um desses exemplos: um empresário que procurava algo para desligar do mundo e dos problemas num mundo que nos exige estar sempre ligado. Encontrou nas corridas o desporto certo para se desafiar a cada fim de semana. Nem só de profissionais vive o desporto. Também nos amadores e no semiprofissionais há muitas histórias interessantes e de sucesso.

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