F1: Vale a pena ter medo do domínio da Red Bull?
A Red Bull tem sido a equipa mais forte das últimas épocas e 2023 terá sido a época mais dominante de uma equipa na F1, ultrapassando a época de 1988 em que a McLaren ganhou todas as corridas, exceto o GP de Itália em que Gerhard Berger fez questão de “estragar” a estatística. Muitos já olham para 2024 como mais uma época em que a Red Bull vai dominar e estragar o espetáculo. Vale a pena ter medo disso?
Os números da Red Bull nas últimas três épocas são claros. 48 vitórias, 31 poles, 80 pódios, cinco títulos. Tudo isto em 64 corridas. Nas a época 2021 foi das mais renhidas de sempre, pelo que o domínio da Red Bull tem “apenas” dois anos. Apesar dos números, talvez seja ainda cedo para falar de uma segunda era de ouro da Red Bull. Mas a base de trabalho da Red Bull para 2024 é a melhor e tudo o que não seja uma Red Bull a lutar pelo título e por vitórias de forma regular será uma tremenda surpresa.
Claro que as épocas de domínio estragam o espetáculo. O resultado das corridas acaba por ser previsível e assim o show perde cor. Todos os fãs de automobilismo gostam de incerteza até ao fim. Mas não é isso que define o bom ou mau espetáculo. Desde os anos 80 que a tendência de ciclos de domínio se tem acentuado, mas ainda assim tivemos muitas épocas memoráveis. Mas neste caso, talvez seja ainda cedo para falar disso. A Red Bull tem dois anos de domínio e não é garantido que 2024 seja mais uma vez o ano da Red Bull. Vimos este ano a McLaren a dar um salto qualitativo tremendo, mostrando que é possível dar a volta a uma situação negativa em relativamente pouco tempo. Claro que é a parte mais difícil é tirar os últimos décimos de segundo ao tempo por volta, mas os engenheiros das equipas trabalham incansavelmente para chegar ao topo.
Além disso, as novas regulamentações foram pensadas para minimizar estes períodos de domínio. Quanto melhor a classificação final, menos tempo as equipas terão nos túneis de vento e nas simulações para encontrar novas soluções. 2024 será talvez o ano ideal para entender se esta nova regra funciona de facto ou se precisa de ser modificada. É que apesar da Red Bull ter uma excelente base para o carro de 2024, terá menos tempo para testar novas soluções. Não é um handicap grande olhando para o que o RB19 fez, mas pode permitir uma aproximação mais célere da concorrência.
Em declarações recentes, Gian Carlo Minardi disse que as notícias que vêm de Inglaterra não são muito animadoras:
“Toda a gente diz que sim, que eles serão alcançáveis”, disse ao La Gazzetta dello Sport quando questionado sobre Verstappen e a Red Bull. “Mas eu esperaria um pouco para dizer isso. Eles têm uma vantagem que eu acho que é difícil de alcançar no momento. Porque ao analisar cuidadosamente as corridas deste ano, fiquei com a ideia de que Verstappen nunca nos deixou ver a extensão das suas possibilidades. E isso não nos dá muita esperança”, acrescentou Minardi. “E recebo notícias da Inglaterra de que o carro de 2024 é ainda melhor.”
O cenário pode não ser animador, mas não há motivos ainda para recear um novo domínio da Red Bull. Primeiro porque as outras equipas não estão paradas e com o Limite Orçamental o jogo fica um pouco mais equilibrado. E o limite de sessões de simulação e de túnel de vento, retiram alguma vantagem à Red Bull, que não pode dar um passo em falso no desenvolvimento. E mesmo que a Red Bull vença, se as equipas se aproximarem e nos derem a tão desejada incerteza, poderemos ter corridas emocionantes. Apesar de não darmos por isso, em menos de três anos, assistimos a duas épocas históricas. 2021 com uma luta pelo título que apaixonou o mundo inteiro e 2023 com a Red Bull a mostrar que não há recordes impossíveis de bater. Isso também faz parte do espetáculo.




