Circuito do Sol: Uma nova luz em Portugal

Por a 30 Maio 2022 11:46

São raras as vezes em que vemos novos empreendimentos ligados ao Desporto Motorizado no nosso país, mas o Circuito do Sol é uma nova aposta. Um resort pensado para todos os eventos ligados aos automóveis e que irá dinamizar uma região.

Constrói-se neste momento, em Serpa o Circuito do Sol, um empreendimento que irá dar uma nova vida a Serpa e a toda aquela região. Projetada por um consórcio hispano-sueco, com Lars Lindberg como Chairman, o resort terá como local central uma pista onde marcas e equipas poderão testar as suas máquinas e fazer apresentações. A pista deverá começar a ser asfaltada em Agosto / Setembro e até ao final do ano, os responsáveis esperam ter os 3.9 km de pista operacional.

Este projeto começou há quatro anos, com a visão de fornecer às marcas e equipas um local onde possam testar e apresentar novos produtos todo o ano, sem a necessidade de interromper trabalhos durante o inverno. As entidades envolvidas, já têm muita experiência no desporto motorizado, com Raul Garcia CEO da SPV Racing a estar envolvido em grandes resorts associados ao Desporto Motorizado, como o Resort Ascari, que se apaixonou pela região:

“Achamos que esta é uma área que se adapta ao que pretendemos. As marcas gostam de fazer o lançamento dos seus produtos em Portugal e Espanha, e um dos motivos principais é a meteorologia e as paisagens. Não acreditamos em circuitos com grandes bancadas, pois acreditamos ser um modelo ineficiente.Queremo-nos focar em dar às marcas um local para testar, desenvolver e apresentar os seus novos produtos”, disse Raul Garcia

“Aqui em Serpa temos 64 hectares de terra. Poderemos aumentar no futuro. Além disso, a nossa sede está localizada a três horas daqui. Estamos próximos de Lisboa e de Sevilha e temos vários aeroportos por perto, contando com o de Beja. A meteorologia atrai os nossos potenciais clientes durante o inverno e durante o verão poderemos desenvolver outro tipo de atividades. Mas temos a confiança que poderemos ter muita atividade durante o inverno, pois o mau tempo no norte da Europa inviabiliza certas atividades. E tenho de admitir que me apaixonei por este local, pela sua calma, bela sua beleza e queremos transferir esse sentimento para os nossos clientes.”

Um projeto em várias frente

Este projeto combina várias ideias, cada uma delas com “motor próprio” mas que trabalharão em conjunto para fazer avançar o projeto:

“Aqui combinamos vários conceitos. Temos um projeto semelhante ao do Motor Sport Institute em Madrid, de Teo Martín com o desenvolvimento de ligações com instituições de ensino para formarmos pessoas, temos um Race Resort como o de Ascari, temos um hotel quatro estrelas. Misturando estas ideias e colocando muita eletricidade criada com painéis solares temos o nosso projeto final. A nossa vontade é combinar várias coisas para termos um projeto com muitas valias e bem sucedido. Parte do investimento vem da Suécia, parte do investimento vem de Espanha. Mas não pretendemos uma pista ligada a qualquer marca. Queremos uma pista com investimentos privados, mas que seja aberta a todas as marcas. “

O projeto pode ser dividido em quatro fases como nos foi explicado:

“ A primeira fase é a pista completamente operacional e a segunda fase será a conclusão da infraestrutura à volta da pista, com o hotel que terá à volta de 100 camas. Mas temos hotéis em Serpa que nos aumentam em muito a nossa capacidade de receber pessoas e que serão importantes entre a conclusão da primeira e da segunda fase. A terceira fase será a fábrica de componentes para o lado da engenharia. A quarta fase será a extensão da pista, pois neste momento temos um traçado de 3.9 km, que será concluído até ao final deste ano, mas queremos passar a ter 5.9 km no futuro, o que deverá acontecer em 2024. Queremos que a nossa pista tenha o Grau 3 da FIA. 50% da nossa operação deverá ser para apresentação de novos carros. É um mercado que conhecemos bem e onde temos bons contactos.”

Off Road também no “menu”

Uma das valências do circuito que não era conhecida até agora, era a existência de uma pista de off Road para permitir que equipas de rali e de TT possam testar nas instalações, além da pista está também habilitada a receber duas rodas:

“Ha 22 hectares dedicados para off road. É um mercado que interessa. Equipas de Dakar e rally poderão vir testar tendo o que precisam para o efeito. Não será a nossa principal atividade, mas queremos também apostar nesta área. A pista de asflato também será homologada para competições de duas rodas.”

Esta infraestrutura poderia ser encarada como mais uma pista que pode ser utilizada para competições nacionais ou internacionais, mas na verdade, não foi pensada com esse intuito.

“Não é a nossa prioridade receber competições. Focamo-nos na pessoa que está em pista a pilotar e a experiência é pensada para eles e não para o público. Posto isto, o local não é fechado e estamos abertos a todas as possibilidades. Não será um local com barreiras e segurança, será um local aberto a quem nos quiser visitar. “

Criar bases para o futuro

O Circuito do Sol pretende ser muito mais do que uma pista. É um conceito mais abrangente que inclui a pista, hotel quatro estrelas e um centro tecnológico como explicou o COO da operação, João Charraz:

“Teremos nas nossas infraestruturas o que nós chamamos DEAL, um centro tecnológico com 2000 metros quadrados,onde serão desenvolvidos componentes para veículos elétricos e compostos de fibra de carbono.Temos uma colaboração com o Politécnico de Setúbal, na parte da engenharia e principalmente na Formula Student. Estamos a ajudá-los para terem uma boa base para a competição. Para nós é fundamental trabalhar com as pessoas à nossa volta. Além do mais, é a instituição mais próxima com Engenharia Mecânica. Não queremos trazer ninguém de fora do país. Queremos criar a tecnologia aqui. As pessoas que estão a trabalhar neste projeto são daqui e não vêm de fora. Serão os engenheiros portugueses a desenhar e criar os produtos que serão construídos nas nossas instalações. Queremos também criar uma academia para pilotos, engenheiros e até gestores de logística. Temos a experiência e não temos medo de trazer as pessoas locais e treiná-las.”

Com o foco em atrair marcas para desenvolverem e apresentarem novos produtos durante os meses de inverno, os testes para equipas de competição também serão uma realidade, como adiantou Raul Garcia:

“Temos também pacotes pensados para receber equipas de competição que queiram vir testar ao nosso circuito. Queremos ter o máximo de carros sustentáveis nas nossas instalações quanto possível. Não nos focamos apenas nos elétricos, mas todos os veículos desta nova era dos transportes, pensados para a sustentabilidade, são bem vindos. A pista não foi construída para veículos com motores de combustão interna, mas pode perfeitamente ser usada por eles.”

Simulador de ponta em execução

Um dos pontos de interesse desta infraestrutura será um simulador de topo que permitirá aos pilotos treinarem as suas capacidades antes de testarem a aprendizagem em pista, como explicou João Charraz:

“O simulador está em construção, mas já temos um chassis instalado e estamos na fase de implementação da tecnologia e é uma fase muito precoce da construção, mas será feito com tecnologia de topo. O simulador não replicará os movimentos, pois é ainda impossível recriar todos os movimentos com precisão, mas tudo o resto poderá ser simulado. Tudo isto está a ser desenvolvido por portugueses e queremos tornar este um local de referência onde as pessoas de fora depois querem vir trabalhar. Mas trabalhamos de dentro para fora, com as pessoas locais primeiro. Queremos crescer de forma controlada e sustentada, com as pessoas certas, com a mentalidade certa. Queremos segurar as pessoas e dar-lhes as condições de desenvolverem a sua atividade, sem ter necessidade de sair do país como acontece agora. “

Sustentabilidade acima de tudo

A sustentabilidade é palavra de ordem no Circuito do Sol, que pretende reduzir drasticamente a sua pegada de carbono e aproximar-se o tanto quanto possível da neutralidade:

“Iremos usar muita energia solar para tornar as instalações o mais neutras em emissões de carbono possível. Mas queremos o mais sustentável possível, desde o uso de energia sustentável, até materiais sustentáveis na nossa operação. Faremos tudo o que pudermos para ser o mais sustentável possível. O projeto está pensado para criar 2MW de potência de energia, mas esse número pode aumentar. “

A pista será construída nos próximos meses e, apesar de não ser tão radical quanto Portimão, irá apresentar mudanças de elevação que se tornarão em mais um desafio para os pilotos. A FPAK tem estado a par do projeto e tem dado o apoio necessário ao mesmo. Já em relação a investimentos portugueses, ainda não aconteceram, mas assim que a pista estiver concluida, já há interessados em usar as instalações. Esta é uma excelente iniciativa, algo que irá dinamizar a região alentejana, além de permitir que os jovens engenheiros que pretendem trabalhar na indústria automóvel, tenham uma alternativa em solo nacional. Fazem falta mais projetos assim.

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